Site de Rondônia é apontado pela PF como 'braço de facção' para lavagem de dinheiro; filha de ex-deputado integrava bando
Dinheiro da página teria sido usado pelo Comando Vermelho para compra de drogas

Extensa reportagem do jornal O Globo, publicada no último dia 23, revelou que PCC, Comando Vermelho e bicheiros usam 'bets' para lavar dinheiro e ampliar seus lucros.
A reportagem assinada por Bernardo Mello e Rafael Soares, mostra as ramificações e atuação do crime organizado em diversas áreas de apostas e jogatinas, entre elas os chamados ‘Bets’, que são páginas de apostas online.
Em Rondônia, de acordo com o Globo, a Policia Federal identificou em 2021 que o responsável por um site de apostas de Rondônia lavava dinheiro oriundo de remessas de maconha e cocaína para o CV em oito estados brasileiros.
Segundo a investigação, o dinheiro era injetado na bet Rondo Esportes, de Leandro Blumer, e depois saía em forma de “prêmios” pagos aos próprios integrantes da quadrilha. No auge da operação, a casa chegou a pagar quase R$ 13 milhões a apostadores em apenas uma semana.
Num dos casos, a PF rastreou pagamentos de R$ 1,1 milhão feitos à quadrilha por uma carga de 126 quilos de cocaína, interceptada a caminho de Minas Gerais. O dinheiro, segundo o inquérito, foi parar nas contas da Rondo Esportes, que já patrocinou um time de futebol e até abriu filial no Mato Grosso, antes de ser suspensa pela Justiça.
Blumer chegou a ser preso em 2021, mas hoje responde em liberdade.
A defesa de Leandro Blumer afirmou que há “perfeita lisura das atividades” da Rondo Esportes, e disse que a denúncia é “equivocada e fruto do natural desconhecimento” sobre o mercado de bets.
Prisão em 2021
Leandro Blumer, responsável pelo site de apostas Rondo Esportes foi um dos presos durante a ‘Operação Carga Prensada’, deflagrada em setembro pela Polícia Federal, também oferecia investimentos em criptomoedas. Blumer e mais dois suspeitos eram investigados há cerca de dois anos por indícios de lavagem de dinheiro para o tráfico de drogas em Rondônia e outros estados brasileiros.
Em sua página homônima, que dá acesso à Rondo Esportes e outros negócios, Blumer é descrito como “referência na área de investimentos e de operações esportivas”.
Nas redes sociais, juntamente com os outros presos, Dionis Maicon Pena e Adriano Prestes da Silva, Blumer ostentava uma vida de luxo mostrando bolos de dinheiro, segundo ele, fruto de apostas em partidas de futebol, como mostrou uma reportagem do Domingo Espetacular, da Record, no dia 31 de novembro de 2021.
Nas imagens da Record, Pena mostra um bracelete de ouro que diz ter pago R$ 130 mil. Ele e Prestes também aparecem em um vídeo ostentando um carro de luxo; em outro vídeo, Pena mostra uma casa grande com piscina.
Contudo, segundo as investigações, pelo menos R$ 1,1 milhão ganho pelo grupo veio da lavagem de dinheiro através da Rondo Esportes. “Os vencedores eram membros da organização criminosa e o dinheiro ganho não vinha de apostas, mas sim da atividade do crime”, disse à reportagem Agostinho Gomes Júnior, superintendente da PF.
De acordo com a promotora Luciana Nicolau de Almeida, alguns dos membros não se preocupavam em ostentar o alto padrão de vida que levavam, “muito embora nem sempre tinha uma justificativa legal para tanto assim”.
Outra pessoa suspeita de dar suporte à organização é Natielly Karlailly Balbino, que conseguiu na justiça a reversão de prisão temporária para preventiva e posterior prisão domiciliar, segundo o G1. Ela é filha do ex-deputado federal Nilton Capixaba (PTB-RO).

Operação Carga Prensada
Na operação em 15 de setembro de 2021, a PF sequestrou 150 veículos (entre Land Rover, BMW e Camaro), aeronave, lancha e imóveis comprados com o dinheiro ilícito do tráfico. Segundo investigação, os membros da quadrilha enviavam grandes quantidades de cocaína de Rondônia para outros estados, usando caminhões ou veículos de grande porte.
Ao todo, 45 mandados de prisão foram cumpridos no dia 15 de setembro, entre eles o de Natielly.
Segundo apresentou a PF ao judiciário, depois da operação foi descoberto que a filha do ex-deputado estaria praticando "ações voltadas à produção de documentos falsos em favor da organização criminosa, mantendo, inclusive, interação com os principais integrantes da organização criminosa".
Em uma conversa no celular do líder da organização criminosa, na qual a PF teve acesso, Natielly buscava meios pare recuperar uma caminhonete Hilux apreendida com seu esposo Tiago, após o mesmo ser flagrado transportando drogas em Goiás.
"Nos diálogos, Natielly e o líder da organização criminosa cogitam a possibilidade de ser confeccionada uma procuração falsa em um cartório pelo valor de R$ 2,5 mil", diz relatório de análise material feito pela PF.
Na casa de Natielly também foram apreendidos extratos bancários que constam movimentações vinculadas a um suspeito de fazer lavagem de dinheiro para a organização criminosa.
Natielly conseguiu prisão domiciliar com uso de tornozeleira e foi obrigada a entregar o passaporte à justiça.
