Sócios minoritários da Ambipar denunciam esvaziamento de caixa em controladas lucrativas durante recuperação judicial
Em meio à recuperação judicial do grupo, acionistas de subsidiárias como Drypol e Circular Economy lutam para proteger operações independentes e lucrativas, expondo falhas na consolidação de dívidas

A multinacional brasileira Ambipar, líder em soluções ambientais e presente em 41 países, enfrenta um capítulo turbulento em sua trajetória de expansão acelerada. Após protocolar pedido de recuperação judicial (RJ) em outubro de 2025, na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, o grupo – que acumula dívidas estimadas em R$ 10,5 bilhões – incluiu 71 companhias coligadas e controladas no processo. A medida, aprovada pela juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca em 30 de outubro de 2025, suspende cobranças por 180 dias e visa reestruturar o passivo, preservando mais de 23 mil empregos diretos. No entanto, essa consolidação substancial das operações gerou reações veementes de sócios minoritários de pelo menos quatro subsidiárias superavitárias, que acusam a Ambipar de violar acordos societários e drenar recursos de caixas independentes, ameaçando a sobrevivência dessas empresas.
O caso ganhou contornos judiciais quando acionistas das empresas Drypol Ambipar Environmental Pet Solutions, Ambipar Environment Circular, Ambipar Environment Circular Economy FPI e Ambipar CBL Indústria e Comércio de Manufaturados ingressaram com ações questionando sua inclusão na RJ. Esses minoritários argumentam que as controladas operam de forma autônoma, sem garantias cruzadas com as dívidas do grupo, e que a medida fere estatutos sociais e acordos de acionistas, exigindo quórum de aprovação em assembleias.
A Ambipar, fundada em 1995 pelo empresário Tércio Borlenghi Júnior e listada na B3 desde 2020, cresceu por meio de aquisições agressivas – uma fusão e aquisição (M&A) a cada três semanas desde o IPO –, incorporando pequenas e médias empresas do setor de gestão de resíduos e economia circular. Das 71 incluídas na RJ, 16 foram excluídas por não terem garantias cruzadas, mas as demais enfrentam agora disputas que expõem fragilidades na governança.
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