Suprema Corte argentina expede mandado de prisão contra Cristina Kirchner por corrupção
Decisão rejeita recurso da ex-presidente, que enfrenta inelegibilidade e mobiliza apoiadores em Buenos Aires

A Suprema Corte de Justiça da Argentina determinou, nesta terça-feira (10), a prisão da ex-presidente Cristina Kirchner, rejeitando um recurso que buscava anular sua condenação a seis anos de prisão por corrupção. A decisão, anunciada em Buenos Aires, marca um momento histórico no país, encerrando uma longa batalha judicial que se arrasta desde 2022. Cristina, uma das figuras políticas mais influentes da Argentina, pode ser detida a qualquer momento, embora, por ter 72 anos, ela tenha o direito de solicitar a conversão da pena para prisão domiciliar, conforme previsto na legislação argentina para pessoas acima de 70 anos.
A condenação, confirmada em primeira instância em dezembro de 2022 e ratificada pela Câmara Federal de Cassação Penal em novembro de 2024, refere-se ao caso conhecido como “Causa Vialidad”. Cristina foi considerada culpada por administração fraudulenta em um esquema que favoreceu o empresário Lázaro Báez, aliado da família Kirchner, na concessão de 51 licitações de obras rodoviárias na província de Santa Cruz, reduto político dos Kirchner. Segundo o Ministério Público, muitas dessas obras foram superfaturadas, não concluídas ou desnecessárias, resultando em um prejuízo estimado em US$ 1 bilhão aos cofres públicos, valor que, corrigido, poderia alcançar até o triplo.
Mobilização e impacto político
Diante da decisão da Suprema Corte, Cristina Kirchner, que preside o Partido Justicialista (PJ) desde outubro de 2024, convocou seus apoiadores para protestos nas ruas. Segundo o jornal Clarín, bloqueios em rodovias de acesso a Buenos Aires foram registrados, com manifestantes expressando apoio à ex-presidente e denunciando o que chamam de “lawfare” — o uso do sistema judicial para perseguição política. Na sede do PJ, onde Cristina recebeu a notícia, dezenas de simpatizantes se reuniram, reforçando o peso político que ela ainda exerce, mesmo após anos de controvérsias judiciais.
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