Terremoto de magnitude 7,4 atinge Colômbia e deixa 74+ mortos; veja imagens
Epicentro em San José del Palmar, no oeste colombiano, deixa pelo menos 74 mortos, destrói 25 prédios em Cali e atinge no primeiro dia útil do governo de Abelardo de la Espriella
📋 Em resumo ▾
- Terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na manhã de segunda-feira (10), com epicentro em San José del Palmar, departamento de Chocó, a 110 km de profundidade
- Pelo menos 74 pessoas morreram e 69 ficaram feridas; 40 mortes em Pereira, 27 em Valle del Cauca, 4 em Chocó, 3 em Manizales, 1 em Buenaventura e 1 em Antioquia
- Em Cali, pelo menos 25 prédios desabaram e há pessoas presas sob os escombros; aeroporto de Pereira desabou parcialmente
- O tremor foi sentido em Bogotá, Medellín, Equador, Panamá e Venezuela; réplica de magnitude 5,0 ocorreu cerca de uma hora depois
- Por que isso importa: o desastre atinge a Colômbia no primeiro dia útil do governo de Abelardo de la Espriella, que assumiu a presidência em 7 de agosto, e expõe a vulnerabilidade estrutural do oeste do país
Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na manhã desta segunda-feira (10), causando destruição em diversas cidades do oeste do país e deixando pelo menos 74 mortos e 69 feridos. O epicentro do tremor ocorreu em San José del Palmar, no departamento de Chocó, a uma profundidade de 110,3 km, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O evento, registrado às 07:34 no horário local (UTC-5), teve duração estimada de cerca de dois minutos e foi o mais forte registrado na Colômbia na última década.
Como o terremoto se espalhou pelo oeste colombiano
O tremor, causado por falha de deslizamento (strike-slip) em profundidade intermediária ao longo da placa de Nazca, foi sentido fortemente em cidades a centenas de quilômetros do epicentro. Em Bogotá, a capital, sirenes de alerta de terremoto tocaram e moradores evacuaram prédios. O prefeito Carlos Fernando Galán relatou rachaduras em edifícios, mas sem danos estruturais graves.
A réplica de magnitude 5,0 ocorreu às 08:18 do mesmo dia, a 16 km a oeste de San José del Palmar, aumentando o pânico em regiões já atingidas. O Serviço Geológico Colombiano (SGC) confirmou a magnitude principal em 7,4, com profundidade de 96 km.
"O tremor foi sentido também nos países vizinhos Equador e Venezuela — que foi atingido por um duplo terremoto que devastou o país em junho."
O balanço de destruição cidade por cidade
Os números de vítimas e danos ainda são preliminares, mas já desenham um quadro de destruição concentrada no eixo cafeeiro e no Pacífico colombiano:
- Pereira (Risaralda): 40 mortes, incluindo três no Aeroporto Internacional Matecaña, que desabou parcialmente. O governador de Risaralda confirmou o número.
- Valle del Cauca: 27 mortes fora da capital Cali. Em El Cairo, 80% das residências foram destruídas. Danos severos também em Riofrío e Vijes.
- Cali: pelo menos 25 prédios desabaram, segundo o prefeito Alejandro Éder, com pessoas presas sob os escombros. Um edifício no bairro El Lido sofreu colapso total. O Hospital Universitário do Valle foi danificado. Uma morte foi confirmada na cidade.
- Manizales: três mortes e destruição de 20 a 30 casas. Uma das torres da Catedral Basílica Metropolitana de Nossa Senhora do Rosário desabou sobre a nave. Um prédio de quatro andares desabou parcialmente.
- Chocó: quatro mortes e 69 feridos. Danos severos em Quibdó e nas regiões de Alto e Bajo Baudó. A governadora Nubia Carolina Córdoba descreveu os danos como "monstruosos".
- Antioquia: uma morte por desabamento de rocha em Támesis, além de 54 casas danificadas. Desabamentos de telhados e paredes fracturadas nos arredores de Medellín.
- Buenaventura: uma morte confirmada.
Aeroportos paralisados e infraestrutura comprometida
A autoridade de aviação civil colombiana confirmou danos em mais de 10 aeroportos, com voos suspensos em Pereira, Manizales, Quibdó, Armênia, Cartago e Buenaventura. O colapso parcial do terminal de Pereira, que matou três pessoas, simboliza a vulnerabilidade da infraestrutura regional.
O sistema de alerta de tsunamis dos Estados Unidos descartou risco de tsunami para o evento, dado a profundidade do hipocentro e a distância da costa. O tremor, porém, provocou evacuações em prédios no Panamá e foi sentido no Equador e na Venezuela — país que em junho de 2026 já havia sido devastado por um duplo terremoto de magnitudes 7,2 e 7,5.
Veja imagens:
O primeiro teste do governo De la Espriella
O terremoto atinge a Colômbia em um momento de máxima fragilidade política. Abelardo de la Espriella, advogado de 48 anos de extrema-direita, tomou posse como presidente em 7 de agosto de 2026 — há apenas três dias —, em cerimônia inédita realizada em Cali em vez de Bogotá. Hoje é seu primeiro dia útil no cargo.
De la Espriella disse que assumiu pessoalmente a liderança da resposta ao desastre e viajará a Pereira para acompanhar os trabalhos de resgate. Ele ativou equipes de resgate e estabeleceu um Posto de Comando Unificado para coordenar a resposta, a partir da sede da Unidade Nacional de Gestão de Risco e Desastres (UNGRD) em Bogotá.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, ofereceu ao governo colombiano o envio de uma equipe de 47 resgatistas que pode operar independentemente no país por sete dias. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e membros do Congresso norte-americano expressaram solidariedade e disposição para auxiliar. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, também enviaram mensagens de apoio.
Por que a Colômbia é vulnerável — e por que este tremor é diferente
A Colômbia situa-se na junção de duas placas tectônicas — a de Nazca e a Sul-Americana — e na extremidade do chamado "Círculo de Fogo" da América Latina. Terremotos são comuns, mas eventos de magnitude 7,4 em profundidade intermediária são raros e particularmente destrutivos porque a energia sísmica se propaga por longas distâncias antes de atenuar.
O terremoto de 1999 em Armênia, que matou mais de mil pessoas, permanece como referência traumática. O evento desta segunda-feira, embora menos letal até o momento, expõe uma vulnerabilidade estrutural persistente: edifícios de média altura em cidades do interior colombiano não foram projetados para resistir a tremores de longa duração.
A pergunta que o desastre deixa para o governo De la Espriella — que prometeu reduzir o Estado em 40% e eliminar ministérios — é se a austeridade fiscal será compatível com a reconstrução de cidades inteiras. Cali, Pereira e Manizales precisarão de investimentos massivos em infraestrutura. O presidente que prometeu "motosserra" no orçamento público pode encontrar, no primeiro dia de trabalho, a necessidade de fazer o oposto.
Quando a terra treme, a ideologia não sustenta prédios.
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