Painel Rondônia

Um dia após atentado contra fiscais e policiais, camponesa e marido são mortos em Rondônia

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Via Painel Político

O comando da polícia ambiental acredita que a Liga dos Camponeses Pobres é responsável por ataques contra policiais e fiscais ambientais

Os ataques com armas de fogo contra protetores do meio ambiente continuam acontecendo no estado. Dois fiscais ambientais da Secretaria do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam) e oito policiais militares foram alvos de disparos de armas de fogo.

O ataque aconteceu por volta das 8 horas de quarta-feira (16), na estrada que dá acesso ao Parque Ambiental Estadual de Guajará-Mirim, a 568 quilômetros de Porto Velho, capital de Rondônia. Foi o terceiro atentado em um período de três meses, e os conflitos estão relacionados à mudança da legislação ambiental, por iniciativa do governo Marcos Rocha (PSL), e os deputados da Assembleia Legislativa, favoráveis aos invasores.

Três tiros atingiram um carro do Batalhão da Polícia Militar Ambiental, na parte superior da porta dianteira. “O alvo eram nossas cabeças, atiraram para matar, planejaram homicídio”, disse um fiscal à agência Amazônia Real. Ele pediu anonimato por temer por sua segurança e a dos colegas.

Os atiradores ficaram escondidos na floresta. Os policiais não tiveram tempo de responder ao ataque. Eles protegeram os fiscais dos tiros e depois retornaram. Mas ao realizar as buscas não encontraram pistas dos criminosos. Apenas os militares usavam coletes à prova de balas.

Em maio do ano passado, os fiscais faziam trabalho de monitoramento de rotina no Parque de Guajará-Mirim, quando foram alvo de uma emboscada. Eram cerca de 50 homens armados e encapuzados. Em dezembro, um motorista da Sedam foi baleado durante confronto que durou cerca de 15 minutos com os posseiros.

A promotora de Justiça da cidade de Guajará Mirim, Naiara Ames de Castro Lazzari, declarou, sobre o atentado desta quarta-feira (16), que “o procedimento de investigação é da Polícia Civil, que o Ministério Público acompanha”. Lazzari também afirmou que o “MP não coaduna com qualquer ilícito praticado e acompanhará os desdobramentos”.



Por meio da assessoria de comunicação, o comando da PM informou à reportagem que “vai apurar e planejar uma ação com os policiais ambientais”. Procurada, a Sedam disse que não comenta o episódio, mas assegurou que o policiamento nas fiscalizações ambientais será reforçado e o relatório policial vai ser enviado para autoridades públicas com pedido de providências.

A violência aumentou em Rondônia depois que o governador Marcos Rocha (PSL) e os deputados estaduais, aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL), iniciaram uma ação de desmonte ambiental de Rondônia. Editaram e publicaram leis para que os invasores avancem sobre áreas ambientais protegidas e tentaram reduzir o território de Unidades de Conservação, para ceder terra aos grileiros. Mas a justiça considerou os decretos inconstitucionais.


Mesmo com a decisão da Justiça, a grilagem de terras e as invasões não cessaram e não há previsão de resolução. “A falta de cumprimento da lei gera esse tipo de conflito. A quem interessa que o parque continue invadido? Apenas aos que fomentam a grilagem de terras públicas e a quem quer acabar com as reservas”, disse Neidinha Suruí, conselheira do parque, liderança ambiental e co-fundadora da Associação Etnoambiental Kanindé que atua com mais de 60 etnias. “Estamos em época eleitoral, e nada se faz com medo de perder votos. Nas eleições os candidatos sempre falam que vão regularizar as invasões. Sempre teve essa prática. As reservas viram moedas de troca. O que aconteceu agora é a repetição do que houve antes, quando atiraram e acertaram o motorista da Sedam e, mesmo assim, o governo não mandou fazer a desintrusão do parque.”

A reportagem do PAINEL POLÍTICO ouviu o Major da PM e comandante da Polícia Ambiental de Porto Velho, Adenilson Silvas Chagas. Ele disse que a Liga dos Camponeses Pobres – movimento armados de resistência pela reforma agrária – é suspeito de ter feito os disparos contra os militares e fiscais. Também afirmou que já existem operações sendo planejadas para captura dos culpados.

“A gente percebeu uma mudança no perfil dos invasores. A característica dos invasores é de uma família em busca de uma terra para fazer o cultivo para subsistência. Mas recentemente a gente nota invasores ligados a Liga dos Camponeses Pobres, pessoas que já tem um perfil mais combatido, que buscam o enfrentamento. Estamos nos preparando para lidar com esse novo perfil de invasor naquela região. Os ataques aos fiscais e a polícia ambiental foram provocados pela Liga que tem estratégias de se posicionarem em meio a vegetação, escondidos, para surpreender as equipes em deslocamento. Uma tática já utilizada por esses grupos. A gente vem fazendo um levantamento para identificar essas pessoas”, disse o Major.

Ilma Rodrigues era tesoureira da LCP e foi morta com o marido


EXECUÇÃO – A Polícia Civil está apurando a autoria e motivação para a execução dos tiros de Ilma Rodrigues dos Santos, 45 anos, conhecida como tesoureira da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e do marido dela, Edson Lima Rodrigues, 43.

O casal foi morto com tiros na cabeça e teve uma caminhonete L200 incendiada. Os corpos foram localizados nos dados de ontem (17) na linha 8° do Ribeirão, distrito de Abunã, em Porto Velho (RO).

A mulher seria uma das posseiras do Acampamento Thiago dos Santos na região da fazenda Nova Brasil e atuava como tesoureira da LCP. O local inclusive foi alvo de uma megaoperação da Polícia Militar no final do ano passado.

Em agosto do ano passado, três camponeses foram mortos em confronto contra policiais militares na cidade de Nova Mutum Paraná. O governador Marcos Rocha foi acusado pelos movimentos sociais de extermínio de trabalhadores rurais.

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