Violência contra povos indígenas em Rondônia: ameaças, terra e o preço da resistência
Com assassinatos em alta e territórios sob pressão do agronegócio, lideranças como a cacica Hozana Puruborá denunciam falhas na proteção estatal enquanto lutam pelo reconhecimento de seus direitos
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- Em resumo
- Assassinatos de indígenas no Brasil subiram 201,43% em dez anos, saltando de 54 casos em 2015 para 211 em 2024, segundo o Cimi.
- Em Rondônia, a violência assume formas variadas: tiros, incêndios criminosos, agrotóxicos e ameaças “precificadas” contra lideranças.
- A cacica Hozana Puruborá, do povo Puruborá, vive sob proteção formal do governo federal que, na prática, não se materializa no território.
- O Marco Temporal e a insegurança jurídica reforçam um ambiente de conflito e impunidade nos territórios indígenas da Amazônia Legal.
- Por que isso importa: A escalada da violência contra defensores de terra na Amazônia revela um padrão estrutural que desafia a efetividade das políticas públicas de proteção e a própria democracia brasileira.
A violência letal contra povos indígenas no Brasil aumentou mais de 200% em dez anos. Em Rondônia, a cacica Hozana Puruborá (liderança indígena) vive sob ameaças concretas — tiros, incêndios, ofertas de dinheiro por sua morte — enquanto o Estado falha em garantir proteção efetiva. O caso expõe um padrão estrutural de conflito fundiário na Amazônia que envolve agronegócio, insegurança jurídica e omissão institucional. O portal Voz da Terra publicou uma série de reportagens sobre a violência no campo.
A escalada dos números: o que revelam os relatórios do Cimi
Os dados são categóricos. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organização com décadas de atuação na documentação de violações contra povos originários, o número de indígenas assassinados no Brasil passou de 54 registros em 2015 para 211 em 2024 — um aumento de 201,43% em uma década.
O relatório mais recente contabiliza 424 casos de violência contra indígenas em 2024, incluindo ameaças de morte, lesões corporais, tentativas de assassinato, racismo, violência sexual e homicídios culposos. O Brasil abriga cerca de 1,69 milhão de pessoas que se autodeclaram indígenas, conforme o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022.
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