Poder e Bastidores

68 suicídios evitados e 37 ataques frustrados: O balanço da proteção infantil na rede

O artigo do deputado Rafa Zimbaldi detalha a atuação do Noad e os novos Projetos de Lei que buscam tirar o entretenimento da rota da impunidade em crimes virtuais

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📌 Em resumo

Alerta da Unicef: Relatório aponta que 1 em cada 5 crianças no Brasil sofreu abuso sexual facilitado pelo ambiente digital no último ano.

Resultados Práticos: Frente Parlamentar em SP evitou 68 suicídios e frustrou 37 ataques a escolas em seu primeiro ano de atuação.

Ofensiva Legislativa: Projetos de Lei criam o programa "Cidadania Digital" e a "Lista da Vergonha" para condenados por pedofilia e feminicídio.

Por que isso importa: A segurança digital de menores tornou-se o novo campo de batalha das políticas públicas e da proteção aos direitos humanos em 2026.


68 suicídios evitados, 37 ataques a escolas frustrados e 200 estupros impedidos: o trabalho de proteção às crianças na Internet

Por Rafa Zimbaldi*

Números divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), neste mês de março, em relatório sobre a violência praticada contra crianças e adolescentes no Brasil, são alarmantes. Em apenas um ano, uma a cada cinco crianças e adolescentes, entre 12 e 17 anos, sofreu abuso sexual facilitado por meio de ambientes digitais. Estamos falando de um universo estimado em 3 milhões de meninas e de meninos, em tenra idade, vítimas de criminosos que agem na Web.

Ainda segundo o Unicef, em 64% dos casos, a violência ocorreu por meio de aplicativos de mensagens instantâneas e 12% em jogos virtuais. O Instagram e o WhatsApp aparecem como os mais utilizados pelos facínoras.

Diante deste cenário, lançamos, em abril de 2025, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), a Frente Parlamentar de Combate à Violência em Ambiente Digital contra Crianças e Adolescentes, o qual coordeno.

No primeiro ano de atuação, o colegiado percorreu diferentes regiões do estado, oferecendo palestras e debates, para difundir informações sobre os riscos do ambiente digital para menores de idade e apresentar os resultados concretos obtidos pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) em parceria com o Instituto Aegis e a jornalista Carla Albuquerque.

Os dados dessa atuação são expressivos: mais de 200 criminosos detidos, 750 vítimas salvas, 68 suicídios evitados, 37 ataques a escolas frustrados e 200 estupros impedidos. Mais que estatísticas, estamos falando de vidas preservadas, graças ao trabalho integrado entre sociedade civil, Imprensa e poder público.

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Além da Frente Parlamentar, em dezembro de 2025, aprovamos o Projeto de Lei (PL) 1.193/2019, que cria o programa Cidadania Digital nas instituições de ensino, sejam públicas ou privadas, no estado de São Paulo. O objetivo é orientar alunos, pais, mães e toda a comunidade escolar sobre os riscos das plataformas digitais, e ensinar como identificar sinais de violência e de manipulação em ambiente virtual.

Outro avanço importante foi o PL 1.337/2025, que institui o Cadastro Estadual de Agressores — a “lista da vergonha”, como foi popularmente batizado. A iniciativa torna públicos os dados de condenados por pedofilia, por feminicídio e por outros crimes cometidos contra crianças, adolescentes e mulheres.

Mais recentemente, protocolei o PL 1.253/2025, que obriga emissoras de rádio e de TV e plataformas de streaming a denunciarem, às autoridades competentes, práticas de violência ocorridas ou relatadas em reality shows. Com direito à multa de até R$ 370 mil em caso de infração, a proposta surgiu após uma participante de um programa televisivo ter relatado, em rede nacional, uma ameaça gravíssima contra seu enteado. Não podemos admitir que situações como esta sejam normalizadas e tratadas como puro entretenimento.

O relatório do Unicef, portanto, é um chamado de todos nós à ação. Precisamos enfrentar, com coragem, os crimes digitais que vitimam crianças e adolescentes, todos os dias. A Tecnologia deve ser uma ferramenta de aprendizado e de conexão, nunca de violência.


*Rafa Zimbaldi é deputado estadual em São Paulo pelo União Brasil, em segundo mandato; coordenador da Frente Parlamentar de Combate à Violência em Ambiente Digital Contra Crianças e Adolescentes da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp); foi vereador em Campinas-SP por quatro mandatos e presidente da Câmara Municipal por duas gestões; é graduado em Relações Internacionais.


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