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Dino autorizou operação da PF e apontou saques de até R$ 15 milhões em investigação sobre Sóstenes Cavalcante

Em decisão que autorizou nova fase da Operação Rent a Car, o ministro Flávio Dino (STF) menciona saques em espécie de até R$ 15 milhões e inconsistências na justificativa apresentada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) sobre os R$ 430-500 mil apreendidos em 2025

Dino autorizou operação da PF e apontou saques de até R$ 15 milhões em investigação sobre Sóstenes Cavalcante
📷 Lula Marques/ Agência Brasil
📋 Em resumo
  • Flávio Dino autoriza operação da PF contra alvos ligados a Sóstenes Cavalcante e cita saques em espécie que podem chegar a R$ 15 milhões
  • Ministro aponta uso de pessoas jurídicas para dissimular desvios de cotas parlamentares e inconsistências na venda de imóvel usada como justificativa
  • PGR manifesta-se favoravelmente, destacando falta de lastro documental para o dinheiro encontrado
  • Sóstenes nega irregularidades e afirma que os recursos têm origem lícita na venda de imóvel
  • Por que isso importa: O caso envolve um dos principais articuladores do PL na Câmara e tensiona relações entre Congresso e STF no debate sobre emendas e criminalização da política
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A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (1º de julho de 2026) operação contra alvos ligados ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara. Na decisão que autorizou as medidas, o ministro Flávio Dino (STF) destacou o uso de pessoas jurídicas para dissimular supostos desvios de recursos públicos e citou saques em espécie que podem somar até R$ 15 milhões.

O inquérito é desdobramento da Operação Rent a Car, que investiga irregularidades no uso da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), especialmente contratos de locação de veículos.

“As investigações revelaram ser comum a utilização de pessoas jurídicas para dissimular, aparentemente, o desvio de recursos públicos. Além disso, as comunicações de inteligência financeira indicam saques em espécie que podem somar 15 milhões de reais”, registrou Dino.

O ministro ressaltou que essa hipótese “ganha contornos significativamente mais expressivos” quando os valores podem ser, ainda que em parte, fruto de peculato atribuído a deputado federal.

Inconsistências na justificativa do dinheiro apreendido

Em operação anterior, no fim de 2025, agentes encontraram cerca de R$ 430-500 mil em espécie em endereço ligado a Sóstenes. O parlamentar justificou o montante como proveniente da venda de um imóvel. Dino apontou inconsistência: “O imóvel, alegadamente justificador dos quase R$ 500 mil apreendidos na posse do parlamentar, foi-lhe transmitido por registro imobiliário quase um mês depois de cumprido o mandado de busca e apreensão”.

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à operação, afirmando que as evidências indicam que o montante “carece de lastro documental idôneo que justifique a posse de origem lícita” e destacou a ausência de comprovação inequívoca do fluxo financeiro.

Contexto político de Sóstenes Cavalcante

Sóstenes Cavalcante é uma das principais figuras do PL na Câmara, com trânsito amplo na oposição, no Centrão e junto a parlamentares do governo. Foi cogitado como candidato a senador pelo Rio de Janeiro. Suas ações e articulações dão peso político ao caso, que se insere em um cenário de maior escrutínio do STF sobre emendas parlamentares.

O deputado nega todas as acusações e afirma que não há irregularidades. Ele sustenta que o dinheiro tem origem lícita na venda do imóvel e que as investigações não procedem.

Tensões entre Congresso e STF

Analistas observam que decisões como a de Dino em casos envolvendo emendas geram reações no Legislativo, com críticas de criminalização da atividade parlamentar. A Operação Rent a Car, cujo nome remete aos contratos de locação de veículos investigados, evolui para questionar não apenas os repasses, mas a eventual dissimulação via empresas e a origem de valores em espécie.

A PGR e a PF seguem avançando com base em inteligência financeira e documentos. O inquérito, sob relatoria de Dino, pode gerar novos desdobramentos, incluindo eventuais indiciamentos ou pedidos de quebra de sigilos adicionais.

O caso reforça o debate sobre transparência no uso da Ceap e o papel do Judiciário no controle de verbas públicas destinadas ao mandato parlamentar. A evolução das investigações tende a influenciar tanto o ambiente político quanto as discussões sobre regras de prestação de contas no Congresso.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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