Galho Fraco II: PF aprofunda investigação em esquema de recursos da Ceap ligado a Sóstenes Cavalcante
A Polícia Federal cumpre mandados no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais para investigar movimentação e destino de recursos da cota parlamentar, incluindo a versão apresentada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) sobre dinheiro encontrado em fase anterior da operação
📋 Em resumo ▾
- PF deflagra Galho Fraco II, terceira fase da Operação Rent a Car em 1º de julho de 2026
- Investigação aprofunda apurações sobre suposto desvio de recursos da Ceap via contratação de empresa de locação de veículos
- Dinheiro em espécie encontrado em objeto decorativo que simula livro falso em endereço de advogado ligado a Sóstenes Cavalcante
- Deputado não é alvo nesta fase, mas foi na anterior; PF busca esclarecer origem de recursos apreendidos em dezembro de 2025
- Por que isso importa: O caso testa os limites de fiscalização sobre o uso de verbas parlamentares e pode alimentar o debate sobre transparência e controle no Congresso Nacional.
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (1º de julho de 2026) a terceira fase da Operação Rent a Car, batizada de Galho Fraco II. A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, cumpre mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais com o objetivo de aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap).
Os alvos desta etapa são pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados. O parlamentar não está entre os alvos desta fase, embora tenha sido alvo de mandados de busca e apreensão na etapa anterior.
Agentes da PF encontraram dinheiro em espécie dentro de um objeto decorativo que simula um livro falso no endereço de um advogado ligado a Sóstenes no Distrito Federal.
O que se sabe sobre a terceira fase
De acordo com informações da Polícia Federal, a operação busca coletar e preservar elementos de prova relacionados à movimentação e à destinação dos recursos da Ceap. As investigações apontam indícios de possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos públicos.
Há também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode configurar fraude processual. Todos os alvos identificados nesta fase são advogados, cujas identidades não foram divulgadas pela PF.
A fase atual aprofunda as apurações sobre a versão apresentada pelo deputado Sóstenes Cavalcante a respeito de recursos em espécie encontrados em endereço a ele ligado durante a segunda fase da operação, em dezembro de 2025. Na ocasião, foram localizados cerca de R$ 430 mil em dinheiro vivo. O parlamentar justificou que os valores teriam origem na venda de um imóvel.
Histórico da investigação
A Operação Rent a Car teve início em dezembro de 2024, quando a PF cumpriu mandados contra assessores parlamentares ligados aos deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ). Naquela etapa, as investigações identificaram indícios de irregularidades na contratação de empresa de locação de veículos com recursos da Ceap.
Em dezembro de 2025, a PF deflagrou a operação Galho Fraco (segunda fase), que teve como alvos diretos os dois deputados, além de assessores e advogados. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro. A ação apurava os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A terceira fase agora concentra esforços na movimentação posterior desses recursos e na verificação de elementos que possam indicar tentativas de obstrução das investigações.
Como funciona a Ceap
A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap) é um recurso mensal destinado a deputados e senadores para custear despesas diretamente relacionadas ao mandato, como passagens aéreas, hospedagens, alimentação, manutenção de escritórios e contratação de serviços. Trata-se de verba pública adicional ao salário parlamentar, sujeita a regras específicas de comprovação e prestação de contas.
Investigações anteriores da PF indicaram que, no caso em análise, contratos com empresa de locação de veículos teriam sido utilizados para simular despesas e justificar a movimentação de recursos.
Repercussão e próximos passos
O deputado Sóstenes Cavalcante foi procurado pela imprensa e afirmou que se manifestará assim que tomar conhecimento da decisão judicial. Até o momento, não há manifestação oficial do PL sobre a nova fase da operação.
A continuidade das investigações ocorre em momento de maior escrutínio sobre o uso de verbas parlamentares no Congresso. A PF informa que as medidas judiciais visam exclusivamente a coleta de provas e que todos os investigados são considerados inocentes até prova em contrário.
A terceira fase da Operação Rent a Car reforça o caráter progressivo das investigações sobre o uso da Ceap. Resta observar como os desdobramentos afetarão a tramitação de eventuais propostas de reforma no sistema de cotas parlamentares e qual será a resposta institucional do Congresso diante de novos elementos que venham a ser produzidos pela Polícia Federal.
Versão em áudio disponível no topo do post.