Poder & Bastidores

A crônica de um colapso anunciado: o caso do Grupo Fictor e a fragilidade das estruturas de captação

Por Jorge Calazans*

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O mercado financeiro brasileiro testemunha em 2026 o desdobramento de uma crise sistêmica que coloca em xeque a sustentabilidade de modelos de investimento baseados em retornos agressivos e baixa vigilância regulatória. O Grupo Fictor, que alcançou visibilidade nacional por meio de patrocínios esportivos e promessas de rentabilidade diferenciada, enfrenta atualmente um colapso financeiro com dívidas declaradas que somam R$ 4,25 bilhões.

Até o início de 2025, o conglomerado utilizou as Sociedades em Conta de Participação (SCPs) como seu principal motor de captação, levantando cerca de R$ 3 bilhões com investidores privados por meio de projetos agroindustriais e imobiliários. Esse modelo, operando frequentemente fora da regulação direta da CVM, oferecia retornos de até 3% ao mês, além de comissões elevadas para assessores, o que atraiu uma base massiva de investidores antes de o sistema entrar em colapso devido a uma crise de confiança fulminante.

A desestruturação financeira foi precipitada pela tentativa frustrada de compra do Banco Master, instituição que teve a liquidação decretada pelo Banco Central por fraudes e lavagem de dinheiro. Esse movimento gerou uma associação negativa imediata, provocando uma corrida por saques superior a R$ 2 bilhões nas SCPs do grupo, tornando a crise de liquidez irreversível.

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