Painel Rondônia

A pós-verdade no sensacionalismo de operação contra suposta ‘milícia rural’ em RO é mais gasolina num fogo que nunca apaga

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Via Painel Político

O conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado, Amadeu Guilherme Matzenbacher Machado, certa vez me disse, ‘Rondônia é terra de muros baixos”. A moral da frase é que todos se conhecem e sabem exatamente o que é ou não verdade sobre determinadas histórias.

Mas o Estado é acolhedor, e as gerações vão se sucedendo. Talvez por isso alguns ‘novatos’ e outros nem tanto, que ocupam cargos nos órgãos de controle, fiscalização e investigação, cometam alguns deslizes ocasionais. Outros buscam reconhecimento ou holofotes, mas tem coisas que realmente são difíceis de digerir, para qualquer observador mais atento e principalmente, conectado à realidade.

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Em coletiva numa operação desproporcional, que mais pareceu uma tentativa de reduzir a pressão de movimentos sociais, os responsáveis pelas investigações disseram que ‘uma milícia rural movimentou R$ 450 milhões’.

Pois bem, primeiro vamos entender como eles chegaram nesse número, que representa praticamente um terço do orçamento anual de Porto Velho, capital de Rondônia. A justiça, à pedido da Polícia Federal e Ministério Público, autorizou a quebra de sigilo bancário do empresário Antônio Martins, conhecido como “Galo Velho” que ficou milionário comprando títulos públicos durante o boom das privatizações no país. A história de sua riqueza é conhecida por qualquer um que converse com qualquer rondoniense com mais de 40 anos de idade.

Essa quebra de sigilo, que remontou a 2017, ou seja, um período praticamente seis anos, chegou a essa cifra. Martins tem propriedades em praticamente todas as regiões do país, e em Rondônia tinha algumas áreas, como por exemplo, onde fica atualmente o município de Buritis. Em meados dos anos 90, a região foi invadida por uma multidão que chegava de todos os cantos, em média 80 famílias por dia. Eu estava lá para a inauguração do primeiro hospital da cidade e vi com meus próprios olhos o fluxo intenso de veículos de mudança.

Por conta dessa invasão, a área foi desapropriada e Martins repete para quem quiser ouvir que levou um prejuízo enorme no negócio, pelo fato da avaliação ter sido feita muito abaixo do preço de mercado.

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Antônio Martins afirma que não tem ‘um real sem ser declarado’ e que todo seu dinheiro tem origem, “não faço rolo nem nada ilegal”, repete sem parar desde que foi alvo da operação.

Mas a questão vai muito além de Antônio Martins. A questão agrária em Rondônia tem apenas um responsável, o governo federal, seja ele Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer ou Bolsonaro, sendo que este último prestou um imenso desserviço a um programa que, mesmo aos trancos, conseguia distribuir terras e indenizar os proprietários quando não tinha mais jeito. Jair preferiu incitar a população do campo a comprar fuzis de assalto para ‘fazer sua própria defesa’, como se o Brasil fosse a casa da mãe Joana, onde cada um faz o que quer.

O poder público de uma forma geral é lento, e os invasores, principalmente os que integram a tal ‘Liga dos Camponeses Pobres – LCP’ sabem disso. Eles também vampirizam o MST, ao infiltrarem-se em ‘invasões legítimas’, se é que existe esse termo e forçam o aumento da tensão nessas regiões de conflitos.

No caso das fazendas Arco íris e NorBrasil, de Antônio Martins e de seus irmãos, a situação estava praticamente resolvida, o governo de Rondônia seguindo uma ordem judicial expedida pelo Supremo Tribunal Federal, deu início a remoção dos invasores que ocupavam os fundos das duas propriedades, mas eis que a pandemia agravou, e o mesmo Supremo determinou a suspensão de qualquer despejo no país até que a pandemia cessasse.

Com isso, os que haviam sido retirados voltaram, e levaram mais pessoas. Atualmente o acampamento é quase uma cidade, e os invasores desmataram uma área de 10 mil hectares que é a reserva florestal, ou seja, deveria ser intocável.

Rondônia vive atualmente um momento de incertezas em relação às novas políticas a serem implementadas pelo governo federal. A resistência se mostra nos acampamentos ao longo da BR 364 promovidas por insatisfeitos com os resultados das urnas. Os proprietários de terras no estado, temem uma onda de invasões apoiadas pelas políticas de esquerda, um temor meio sem fundamento, afinal até onde se sabe, ao menos em Rondônia nenhuma propriedade produtiva foi alvo do MST. Já os radicais da LCP independem de quem esteja no governo, porque eles matam, torturam e tomam até sítios pequenos, e isso tudo foi registrado.

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Martins disse que a operação é inconsequente, ele afirma ter toda a documentação comprobatória de suas áreas, de seu dinheiro e que bastaria terem convocado que ele prestaria qualquer esclarecimento. Sua indignação encontra eco em qualquer proprietário de terras em Rondônia ou no Brasil, e qualquer pesquisa de opinião demonstraria isso. O Brasil não é um ‘país comunista’, tampouco vai se transformar em um, mas os órgãos de controle precisam ter mais responsabilidade quando se trata desse tipo de operação.

O resultado imediato da ação do MP e PF foi a destruição quase que total da sede da fazenda, que eram protegida pelos seguranças contratados para cuidar dela. Atearam fogo nos tratores, roubaram insumos, queimaram a casa da fazenda e das quase 3 mil cabeças de gado, pelo menos 1 mil ainda estão com paradeiro desconhecido.

Tudo isso teria sido evitado com uma simples intimação. Caso comprovado um crime, que processe e ao final, prenda-se. Mas fazer sensacionalismo, distorcer fatos para transformá-los em pós-verdade é o tipo de atitude que rende prejuízos aos cofres públicos, porque os afetados inevitavelmente vão buscar reparação judicial. Na leitura da suspensão do mandado de prisão o Tribunal de Justiça apontou o óbvio. As acusações, caso ocorressem condenações, renderiam pena inferior a 5 anos, portanto, o mero pedido de prisão já era desproporcional.

O que a operação provocou, além dos prejuízos óbvios, foi colocar gasolina numa fogueira que está descontrolada desde Corumbiara. E claro, municiar a esquerda mais radical com números superlativos que nada tem a ver com o caso em si. Só ai já cabe um processo por divulgação ilegal de dados bancários que são sigilosos.

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