Aerus: a tragédia do fundo de pensão que deixou milhares de trabalhadores da Varig e outras empresas na Penúria
Dezenas de anos de contribuições evaporaram em 2006 com intervenção e liquidação; acordo recente traz alívio parcial, mas o custo humano é incalculável, com mortes e sofrimentos acumulados

Em abril de 2006, o fundo de pensão Aerus, responsável pela previdência complementar de milhares de trabalhadores da Varig e de outras companhias aéreas como Transbrasil, Rio Sul e Nordeste, sofreu uma intervenção decretada pela Secretaria de Previdência Complementar (SPC), atual Previc.
O motivo alegado foi um rombo estimado em R$ 1,66 bilhão, resultado de má gestão, desequilíbrios atuariais e falhas regulatórias que incluíam a interrupção precoce de uma taxa de 3% sobre tarifas aéreas, prevista para durar 30 anos mas extinta em 1991. A intervenção levou à liquidação extrajudicial dos planos I e II patrocinados pela Varig, suspendendo pagamentos integrais de aposentadorias e pensões, e afetando diretamente cerca de 15 mil beneficiários.
O Aerus, criado na década de 1970 como uma entidade fechada de previdência complementar, representava a segurança financeira para aeronautas, comissários, pilotos e funcionários de solo que dedicaram décadas à aviação brasileira. No entanto, a crise da Varig, culminando em sua falência em 2006, agravou o problema: a companhia deixou de repassar contribuições, e o fundo, já sob intervenção, entrou em colapso. "Os funcionários da Varig perderão toda a poupança que acumularam para a aposentadoria no fundo de pensão Aerus, se a liquidação for mantida", alertava reportagem da época. A medida afastou diretores e conselheiros, e os planos remanescentes – de um total de 30 iniciais, restaram 22 em 2014 – operavam com recursos limitados, priorizando pagamentos parciais a aposentados e pensionistas.
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