Aliados ouvem que Flávio fugiu, diz Folha; PF e Argentina não confirmam
Segundo Mônica Bergamo, pessoas próximas da família receberam a informação de que o senador deixou o país. Brasil e Argentina não têm registro de passagem dele pela fronteira
📋 Em resumo ▾
- Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, aliados do núcleo mais próximo da família Bolsonaro receberam nesta terça (27/10) a informação de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugiu do Brasil rumo à Argentina e pretendia seguir para os EUA.
- Não há confirmação oficial. A PF não encontrou registro de passagem de Flávio pela fronteira regular, e o governo argentino diz que não há registro de entrada dele no país.
- Por isso, se a saída aconteceu, foi clandestina, isto é, fora dos postos oficiais de fronteira.
- O avião citado pelo Infobae pousou em Puerto Iguazú na noite de segunda (26) e, segundo sites de rastreamento, continua no aeroporto.
- Por que isso importa: Flávio está proibido pelo STF de sair do país. Uma saída clandestina seria descumprimento de ordem judicial. O paradeiro dele e da família é desconhecido.
Aliados do núcleo mais próximo da família Bolsonaro receberam nesta terça-feira (27/10) a informação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugiu do Brasil rumo à Argentina, de onde pretendia seguir para os Estados Unidos. A informação é da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Nenhuma autoridade brasileira ou argentina confirmou a saída. Segundo a colunista, o paradeiro de Flávio e da família é desconhecido até o momento.
Atenção ao que a informação diz: os aliados receberam a informação de que houve fuga. A coluna não diz quem passou essa informação nem se ela foi confirmada por quem estava com o senador. Ou seja, é um relato de bastidor, não uma confirmação.
O que as autoridades sabem até agora
Segundo a coluna:
- A Polícia Federal (PF) está fazendo um rastreamento nos pontos de fronteira do Brasil para verificar se a informação é verdadeira.
- Pela checagem feita até agora, Flávio não passou oficialmente por nenhuma fronteira regular entre Brasil e Argentina.
- Os agentes também estão checando voos entre os dois países.
- O governo argentino afirma que não há registro da entrada de Flávio no país.
A conclusão da própria coluna é que, se a saída ocorreu, foi clandestina, ou seja, por um ponto sem fiscalização.
O avião em Puerto Iguazú
Na madrugada desta terça, o portal argentino Infobae publicou que Flávio teria cruzado a fronteira com a carteira de identidade e, de Puerto Iguazú, pegaria um jato Gulfstream rumo aos EUA.
Segundo a Folha, o avião citado pelo Infobae de fato:
- decolou de Buenos Aires às 22h14 de segunda-feira (26);
- pousou em Puerto Iguazú às 23h45;
- continua no aeroporto da cidade, segundo sites de rastreamento de aeronaves.
Ou seja, o avião não decolou para os EUA. O noticiário argentino aponta que Flávio teria entrado a pé em território argentino para chegar ao aeroporto, mas teria desistido de embarcar. Essa versão também não foi confirmada. O que está comprovado é a viagem do avião até Puerto Iguazú. Quem estaria a bordo, ou deixaria de estar, continua sem confirmação.
A ordem do STF e os passaportes
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu Flávio de deixar o país. Na manhã de segunda, o senador foi intimado pela PF a entregar, em até 24 horas:
- o passaporte comum;
- o passaporte diplomático;
- qualquer passaporte de outra nacionalidade que eventualmente tenha.
O prazo terminou às 11h desta terça sem a entrega dos documentos, segundo a CNN Brasil. Os passaportes foram cancelados, o que faz com que não sirvam mais em nenhuma fronteira.
A decisão faz parte de uma investigação no STF sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Flávio é investigado: ele não foi indiciado, denunciado nem condenado. A retenção do passaporte é uma medida cautelar, não uma pena.
O outro lado
Até a publicação, Flávio Bolsonaro não se manifestou. Mais cedo, o coordenador da campanha dele, senador Rogério Marinho (PL-RN), negou ao Metrópoles que Flávio tenha deixado o país. Segundo o jornal O Tempo, porém, Marinho não tinha estado pessoalmente com ele. O Painel Político procurou a assessoria e a defesa do senador e aguarda resposta.
A coluna de Mônica Bergamo traz uma mudança importante. Até agora, a versão de fuga vinha da imprensa argentina e era negada pelos aliados de Flávio. Agora, segundo a Folha, são pessoas próximas da própria família que ouviram que ele saiu do país. Mesmo assim, os registros oficiais apontam na direção contrária: nem o Brasil nem a Argentina registraram a passagem dele, e o avião apontado como meio de fuga não saiu de Puerto Iguazú. As duas coisas só se conciliam com a hipótese de uma travessia por fora da fiscalização, que ainda precisa ser provada. Até que Flávio apareça ou que a PF localize o senador, a pergunta continua a mesma do início do dia: onde ele está.
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