Avião é retido na Argentina sob suspeita de levar Flávio aos EUA
Segundo o canal argentino TN, um jato da Baires Fly teve o plano de voo para os EUA cancelado. Um dos quatro passageiros seria Flávio. Nada foi confirmado oficialmente
📋 Em resumo ▾
- Segundo o canal argentino TN, um avião da empresa Baires Fly está retido no aeroporto de Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR), com o plano de voo para os Estados Unidos cancelado.
- Nas checagens para liberar o voo, autoridades argentinas teriam identificado que um dos quatro passageiros seria, “presumivelmente”, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As identidades dos quatro passageiros não foram divulgadas.
- A Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) argentina vigia a área. O site de rastreamento de voos Flightradar bloqueou os dados desse voo.
- Não há confirmação oficial de que Flávio entrou na Argentina. O coordenador da campanha dele, Rogério Marinho (PL-RN), nega que ele tenha saído do Brasil.
- Por que isso importa: o STF proibiu Flávio de deixar o país e mandou recolher os passaportes dele. Se ele tiver cruzado a fronteira, terá descumprido uma ordem judicial. Por enquanto, a suspeita não está comprovada.
Um avião particular está retido no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, sob suspeita de que seria usado para levar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos. A informação é do canal argentino TN (Todo Noticias), que usa linguagem condicional: segundo o TN, Flávio “teria” entrado na Argentina e “teria” tentado viajar. Nenhuma autoridade brasileira ou argentina confirmou oficialmente a presença do senador no país vizinho.
O que o TN relata sobre o avião
Segundo o TN:
- A aeronave é da empresa Baires Fly e chegou de madrugada a Puerto Iguazú, vinda de Buenos Aires.
- A tripulação tem dois comandantes e uma comissária.
- O pedido de voo informava quatro passageiros, cujas identidades não são conhecidas.
- Para liberar um voo internacional, como de Puerto Iguazú para os EUA, as autoridades fazem checagens. Nessa verificação, teriam detectado que um dos quatro passageiros seria, presumivelmente, Flávio Bolsonaro.
- O plano de voo foi cancelado.
- Agentes da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), equivalente argentino da polícia que cuida de aeroportos, vigiam a área.
- O site Flightradar, que rastreia voos em tempo real, está com as informações desse voo bloqueadas.
Atenção a um ponto: o TN fala em “versões” de que um dos passageiros seria o filho do ex-presidente. A expressão indica que o próprio canal não confirmou essa informação. O que o TN apresenta como fato é o avião retido e o voo cancelado. Quem estaria a bordo continua sendo suspeita.
A negativa da campanha e a busca da PF
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, negou ao Metrópoles que o ex-candidato tenha saído do Brasil:
“Não saiu.”
— Rogério Marinho, ao Metrópoles
Enquanto isso, a Polícia Federal (PF) verifica nos postos de fronteira se Flávio deixou o país. Segundo fontes da PF ouvidas pelo Metrópoles, não há registro de passagem dele por nenhum ponto regular de migração brasileira. Segundo o Correio Braziliense, a polícia argentina se recusou a informar à PF se o senador está no país, alegando que não repassa dados de “pessoa politicamente exposta”.
Por que Flávio não pode sair do país
Na segunda-feira (26), Flávio contou que recebeu da PF a ordem de entregar os passaportes ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Jair cumpre prisão domiciliar em Brasília depois de ser condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A ordem foi do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tem duas partes:
- entregar todos os passaportes e não sair do Brasil;
- não manter contato, direto ou indireto, com o advogado Willer Tomaz, amigo próximo do senador.
A decisão faz parte de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro ligada a Willer Tomaz. Nesse caso, Flávio é investigado: ele não foi indiciado, denunciado nem condenado. A retenção do passaporte é uma medida cautelar, usada para garantir que o investigado continue no país. Não é pena.
Segundo o TN, Moraes também mandou na semana passada bloquear de forma preventiva R$ 6 bilhões do advogado e quebrar os sigilos bancário e fiscal dele. Willer Tomaz também não foi condenado. O bloqueio é uma medida para garantir que bens possam ser recuperados caso a investigação comprove crime.
O que Flávio disse sobre a decisão
Flávio reagiu em vídeo. Disse que iria entregar o passaporte e se defender do que chamou de “aberração” e “clara tentativa” de intimidá-lo, e afirmou que “ninguém vai me calar”.
Segundo o senador, Moraes teria se baseado num comentário do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, feito em 23 de outubro, sugerindo que Flávio deveria deixar o país se perdesse a eleição. Flávio nega ter dito isso e questiona se isso é motivo para tomar o passaporte de alguém. Ele também reclamou que a decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado do 2º turno. Essa é a versão de Flávio sobre o fundamento da decisão. O Painel Político não teve acesso à íntegra do despacho de Moraes para confirmar.
Outra frente: o filme Dark Horse
O STF também abriu outra investigação que envolve Flávio. Segundo o TN, ela trata do suposto financiamento ilegal do filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo o Correio Braziliense, esse inquérito também envolve a ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Também nesse caso, Flávio é investigado, sem acusação formal.
O outro lado
Flávio Bolsonaro não se manifestou diretamente sobre a reportagem do TN até a publicação. O Painel Político procurou a assessoria do senador e a Baires Fly e aguarda resposta.
O relato do TN é o mais detalhado até agora sobre a suposta tentativa de saída: há um avião identificado, uma empresa citada, um plano de voo cancelado e a polícia aeroportuária no local. Mesmo assim, o centro da história continua sem confirmação, porque ninguém disse oficialmente que Flávio estava entre os passageiros. Há duas perguntas que podem resolver o caso, e as duas estão com autoridades: a quem pertenciam os quatro nomes da lista de passageiros, que a Argentina ainda não revelou, e onde Flávio está neste momento. Se a presença dele em Puerto Iguazú for confirmada, a situação muda de patamar. Ele deixaria de ser apenas investigado e passaria a responder também por tentar descumprir uma ordem do Supremo.
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