Cargueiro da MSC segue retido na Alemanha após batida com cruzeiro
Porta-contêineres ficou com um rasgo de 10 metros no casco e precisa de estaleiro. O cruzeiro da TUI também está parado, e a polícia investiga a conduta do comandante
📋 Em resumo ▾
- O porta-contêineres MSC Victorine continua proibido de deixar Bremerhaven, na Alemanha, depois de ser atingido pelo cruzeiro Mein Schiff 3 no domingo (25). Não há previsão de retomada da viagem.
- O cargueiro tem um rasgo de cerca de 10 metros no casco, acima da linha d’água, e precisa de reparo em estaleiro. Não houve entrada de água nem feridos.
- O cruzeiro da TUI Cruises também está parado. A viagem de 20 noites às Ilhas Canárias foi cancelada, e cerca de 2.400 passageiros desembarcaram.
- A polícia aquaviária investiga o comandante do cruzeiro por uma possível infração administrativa. Não é uma acusação criminal.
- Por que isso importa: o Victorine faz a rota entre o Extremo Oriente e o Norte da Europa. Cada dia parado atrasa cargas e conexões, e os donos das mercadorias ainda não sabem quanto tempo vão esperar.
O porta-contêineres MSC Victorine continua sem autorização para deixar o porto de Bremerhaven, no norte da Alemanha. O navio foi atingido pelo cruzeiro Mein Schiff 3, da TUI Cruises, no domingo (25), por volta das 17h30 no horário local. Até esta terça-feira (27), não havia previsão para a retomada da viagem. O cruzeiro também está parado no porto, e os dois navios precisam passar por reparos em estaleiro.
Como foi a colisão
O acidente aconteceu durante a tempestade Manja. Segundo a rádio pública alemã buten un binnen:
- o Mein Schiff 3, com quase 300 metros de comprimento, saía do porto com a ajuda de cinco rebocadores;
- uma rajada forte de vento fez a tripulação perder o controle da manobra;
- o cruzeiro foi empurrado em direção ao terminal de contêineres e bateu nos cargueiros atracados.
Ninguém ficou ferido. A polícia estima o prejuízo total na casa dos milhões de euros.
Os danos no MSC Victorine
O MSC Victorine, de bandeira da Libéria, tem capacidade para cerca de 16.500 TEUs. TEU é a unidade que equivale a um contêiner de 20 pés. O navio entrou em operação em dezembro de 2023.
Segundo os relatos:
- o casco tem um rasgo de aproximadamente 10 metros, acima da linha d’água;
- contêineres e estruturas do convés, incluindo as guias que prendem os contêineres, foram danificados;
- não entrou água no navio, segundo as autoridades portuárias.
O grupo Rönner, de Bremerhaven, que opera o estaleiro Lloyd Werft, já está em contato com os armadores para avaliar os reparos. Antes de voltar a navegar, o cargueiro provavelmente precisará de aprovação da sociedade classificadora (a entidade que certifica a segurança do navio) e do país de bandeira.
Para onde ia o navio — e o que acontece com a carga
O Victorine opera o serviço Swan da MSC, que liga o Extremo Oriente ao Norte da Europa. Segundo o site WorldCargo News, as próximas escalas seriam Hamburgo (Alemanha) e Zeebrugge (Bélgica), antes de voltar a Felixstowe (Reino Unido). Isso explica por que algumas fontes falavam em Hamburgo e outras em Felixstowe: as duas cidades estão na rota.
Até agora, ninguém informou quais mercadorias estão a bordo, se alguma carga foi danificada além dos contêineres atingidos, se os contêineres serão passados para outro navio ou se haverá custo extra para os donos das cargas. A MSC não divulgou comunicado sobre o caso.
Para importadores e exportadores com carga no navio, a orientação é acompanhar diretamente com a MSC ou com o agente de cargas as mudanças de escala, conexões e prazos.
O outro cargueiro: MSC Anne F.
O porta-contêineres menor envolvido no acidente, o MSC Anne F., com capacidade para 964 TEUs, teve danos leves, segundo a polícia. Ele chegou a ficar sob a mesma proibição de saída. Segundo o site Schiffe und Kreuzfahrten, foi liberado na noite de segunda-feira (26).
O cruzeiro: viagem cancelada e passageiros em casa
O Mein Schiff 3 voltou ao terminal de passageiros, o Columbuskaje. Os danos incluem:
- três botes salva-vidas destruídos e os guindastes que os sustentam;
- amassado no casco, do lado direito, na parte da frente;
- grades e janelas danificadas.
A TUI Cruises cancelou a viagem de 20 noites às Ilhas Canárias, que iria de 25 de outubro a 14 de novembro, e disse que essa era a única opção possível. Cerca de 2.400 passageiros foram levados de ônibus e táxi, a partir de segunda, para estações de trem ou para os próprios carros. Segundo a buten un binnen, parte deles reclamou de só ter sido avisada na manhã de segunda que precisava deixar o navio até as 18h.
A empresa ainda avalia se o próximo roteiro, um cruzeiro de 14 noites à Noruega com saída prevista para 14 de novembro, será afetado.
A investigação sobre o comandante
A polícia aquaviária de Bremerhaven abriu uma investigação contra o comandante do Mein Schiff 3 por uma possível infração administrativa. A polícia quer saber se ele deixou de cumprir o dever de cuidado ao decidir sair do porto durante a tempestade.
O que isso significa: a investigação apura uma infração administrativa, que pode resultar em multa. Não é um processo criminal, e o comandante não foi acusado de nada. O nome dele não foi divulgado.
Em Bremerhaven, não existe proibição de navegar por causa do vento: os navios podem sair com qualquer intensidade de vento. O comandante tinha um prático a bordo, o profissional local que orienta a manobra dentro do porto. O motivo da decisão de sair ainda não é conhecido. O capitão do porto, Stephan Berger, defendeu que a decisão cabe ao comandante:
“Porque ele sabe o que o navio dele pode e o que não pode fazer.”
— Stephan Berger, capitão do porto de Bremerhaven, à buten un binnen (tradução livre do alemão)
O acidente durou poucos minutos, mas os efeitos devem durar semanas: dois navios parados, uma viagem com 2.400 passageiros cancelada e cargas sem data de entrega. O ponto mais sensível agora é logístico. O Victorine faz parte de uma rota fixa entre a Ásia e a Europa, e quanto mais tempo ficar no estaleiro, mais a MSC terá que decidir entre esperar o reparo ou passar a carga para outros navios. Já a investigação sobre o comandante deve responder a uma pergunta que vai além deste caso: se a regra de Bremerhaven, que deixa a decisão de navegar com o comandante, mesmo em tempestade, continua fazendo sentido.
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