Cleitinho pede que Flávio Bolsonaro "deixe de escutar" Rogério Marinho sobre a escala 6x1
Favorável ao fim da escala 6x1, o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, pediu que Flávio Bolsonaro pare de ouvir o coordenador de sua campanha, Rogério Marinho, sobre temas ligados ao estado
📋 Em resumo ▾
- O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), pediu em entrevista à CNN que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "deixe de escutar" o senador Rogério Marinho (PL-RN)
- A declaração ocorre em meio à divergência sobre o fim da escala 6x1: Cleitinho defende a mudança, enquanto Marinho, coordenador da campanha de Flávio, defende um modelo alternativo de jornada flexível negociada
- Marinho argumenta que reduzir a jornada mantendo os salários aumentaria os custos das empresas e poderia gerar inflação
- Apesar da divergência pública, Cleitinho reafirmou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno
- Por que isso importa: o episódio expõe uma fissura dentro do próprio campo de apoio a Flávio sobre um dos temas trabalhistas mais sensíveis da eleição
Favorável ao fim da escala 6x1, o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), pediu que o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "deixe de escutar Rogério Marinho (PL-RN)". O senador é coordenador da campanha do candidato bolsonarista e se posiciona contra a redução da jornada de trabalho com manutenção dos salários.
"Quem realmente conhece Minas Gerais"
Em entrevista à CNN, Cleitinho afirmou que Flávio deveria ouvir lideranças mineiras sobre temas relacionados ao estado.
"Comece a escutar quem realmente conhece Minas Gerais e quem realmente sabe a dor do povo", disse Cleitinho Azevedo, governador eleito de Minas Gerais.
A declaração ocorre em meio à discussão sobre o fim da escala 6x1, modelo que permite seis dias consecutivos de trabalho para um dia de descanso. A proposta de redução da jornada ganhou força durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas enfrenta resistência de setores da oposição, entre eles Marinho.
A proposta alternativa de Rogério Marinho
O senador defende uma alternativa à redução obrigatória da jornada, com possibilidade de negociação entre empregador e trabalhador. Pela proposta apresentada por Marinho, o empregado poderia escolher entre o regime previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um modelo de jornada flexível baseado nas horas efetivamente trabalhadas, com remuneração proporcional. A proposta também prevê que o contrato individual prevaleça sobre eventuais acordos coletivos, enquanto benefícios como FGTS, férias e 13º salário seriam calculados de forma proporcional à jornada.
Marinho argumenta que a redução da jornada com manutenção dos salários aumentaria os custos das empresas e poderia provocar alta de preços.
"Se há uma redução da jornada, é evidente que vai haver um aumento no custo da produção de bens e serviços gerados por qualquer empresa no Brasil, desde a pequena até a grande", afirmou Rogério Marinho.
Segundo ele, parte desse aumento de custo seria repassada aos preços dos produtos, provocando inflação — crítica que Marinho também dirige ao discurso do governo Lula sobre a possibilidade de reduzir a jornada sem impacto para a economia.
A crítica direta a Marinho
Ao defender que Flávio ouça sua posição sobre a jornada de trabalho, Cleitinho também criticou a influência de Marinho nas discussões sobre Minas Gerais, afirmando que o senador deveria se concentrar em seu próprio estado, o Rio Grande do Norte.
"Inclusive parar de ouvir o Rogério Marinho pra tratar sobre Minas Gerais. Espero que o senador Rogério Marinho comece a tratar mais do Rio Grande do Norte, que ele não conhece nada de Minas Gerais, e possa me ouvir, ouvir o povo", afirmou Cleitinho.
O governador eleito citou ainda sua própria votação para justificar a defesa de suas posições: foi eleito com cerca de 6,3 milhões de votos e afirma ter sido majoritário em quase todas as cidades mineiras, incluindo Montes Claros.
Apoio mantido, apesar da divergência
Apesar do atrito público com o coordenador da campanha, Cleitinho reafirmou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
"Eu sei, e eu espero que possa me ouvir, para que possa ter esse privilégio de virar presidente da República", disse Cleitinho.
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