Painel Econômico

Crise Carbyne e Apex: BTG inicia substituição da gestão

Banco BTG Pactual avança para substituir gestora de fundos ligados ao grupo capixaba, enquanto crise de liquidez e dívidas de quase R$ 1 bilhão pressionam o ecossistema Apex

Crise Carbyne e Apex: BTG inicia substituição da gestão
📷 Reprodução
📋 Em resumo
  • O banco BTG Pactual iniciou processo formal para substituir a gestão dos fundos da Carbyne Investimentos, convocando assembleias de cotistas.
  • A Carbyne, que administrava R$ 1,1 bilhão, possui vínculos societários e familiares diretos com a Apex Partners, hoje em recuperação judicial.
  • A crise da Apex envolve um passivo estimado em R$ 985 milhões, agravado por debêntures da Rhino Securitizadora com cláusulas de vencimento antecipado.
  • Fundos expostos, como o FIDC BRM Carbyne Crédito Estruturado, registraram quedas superiores a 60% no ano, motivando corridas por resgates e suspensões temporárias.
  • Por que isso importa: O movimento sinaliza o colapso de um ecossistema de crédito privado e expõe os riscos de concentração e governança em gestoras ligadas a grupos em reestruturação
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O banco BTG Pactual (administrador) iniciou o processo formal para substituir a gestão das carteiras da Carbyne Investimentos, convocando assembleias de cotistas para definir o futuro dos fundos. A medida ocorre em meio à grave crise de liquidez da Apex Partners, controladora com vínculos diretos à gestora, que busca proteção judicial contra um passivo estimado em R$ 985 milhões.

A recusa da Makalu e a entrada do BTG no comando

A Apex Partners recusou recentemente uma oferta da Makalu Partners pela Carbyne Investimentos, gestora fundada em 2021 por Filipe Pires Cerqueira Caldas (fundador e ex-executivo da Apex Partners). Em resposta, o BTG Pactual, que administra a maior parte dos fundos da casa, comunicou a intenção de encerrar a prestação de serviços.

Os interessados em assumir as carteiras, que somavam R$ 1,1 bilhão sob gestão em julho, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), têm até o dia 14 para se manifestar formalmente. A Chess Capital, fundada por ex-executivos da SRM Asset, avalia assumir parte dos ativos, embora sem definição oficial.

Vínculos familiares e o silêncio do Grupo Buaiz

A trama societária revela conexões profundas. Filipe Caldas é genro do empresário capixaba Américo Buaiz Filho (controlador do Grupo Buaiz). A família teve participação minoritária na Apex Partners e presença em seu Conselho de Administração, incluindo Marcus Buaiz (conselheiro).

"A família atuava apenas como investidora e não participava das decisões de gestão que levaram ao endividamento do grupo", afirmou a família em pronunciamento público, recusando-se a comentar o caso ao Times Brasil.

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Com o agravamento da crise, a holding ligada a Américo Buaiz Filho vendeu sua participação na controladora da Apex por valor simbólico, e Marcus Buaiz deixou o conselho, desfazendo vínculos formais em meio ao colapso operacional.

Efeito dominó das debêntures e fuga de cotistas

A deterioração financeira da Apex Partners ganhou contornos críticos após a identificação de inconsistências contábeis. A empresa, que buscou proteção judicial em agosto, enfrenta um passivo que pode chegar a R$ 985 milhões, pressionado por uma estratégia de expansão alavancada.

O afastamento de Fernando Cinelli (fundador da Apex Partners) e de Eduardo Siqueira (então diretor financeiro da Apex) da administração acionou cláusulas de vencimento antecipado em títulos vinculados ao grupo. O impacto foi devastador para os fundos expostos às debêntures da Rhino Securitizadora, no valor de R$ 452 milhões, garantidas por ações da Apex e da BRM Apex Investimentos.

"O Carbyne FIM Crédito Privado registrou impacto negativo de 35% nas cotas em 6 de agosto, enquanto o FIDC BRM Carbyne Crédito Estruturado teve queda de 70% em 5 de agosto", apontam os dados de mercado.

Diante da corrida por resgates, o BTG Pactual suspendeu temporariamente as retiradas em três fundos que reuniam cerca de R$ 340 milhões. Embora o Carbyne Travel tenha retomado os resgates, a incerteza sobre a precificação de ativos ilíquidos mantém os cotistas em estado de alerta.

Contexto e contenção de danos sistêmicos

O caso transcende a esfera corporativa e toca em um nervo exposto do mercado de crédito privado brasileiro: a concentração de risco em ecossistemas fechados. A Carbyne não opera como uma gestora independente, mas como um braço financeiro que concentrava ativos ligados à Apex.

A troca de gestão, que não implica pagamento de recursos à Apex pela transferência das carteiras, é um movimento de contenção de danos pelo BTG Pactual. O objetivo é preservar o valor residual dos fundos, evitar o contágio sistêmico e blindar os cotistas das manobras de reestruturação da controladora.

Encerramento Analítico

A substituição da gestão da Carbyne Investimentos é mais do que uma simples troca administrativa; é o sintoma de um modelo de negócios que colapsou sob o peso de sua própria alavancagem e da falta de segregação de riscos. Enquanto o BTG Pactual tenta estancar a sangria de capital, o mercado observa se haverá compradores dispostos a assumir o passivo reputacional e operacional desses ativos.

Resta saber se os reguladores conseguirão desenredar os nós societários que ainda ligam a gestora aos seus fundadores, ou se os cotistas serão as únicas vítimas finais de uma engenharia financeira que prometeu altos retornos, mas entregou iliquidez e incerteza.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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