Crise no Hospital de Vilhena: o vai e vem de Flori que afeta o povo
Prefeito envia projeto para doar o prédio ao Governo de Rondônia, mas na Justiça trava a gestão estadual; incoerência paralisa a unidade e penaliza pacientes
📋 Em resumo ▾
- A Prefeitura de Vilhena enviou projeto para doar o prédio do Hospital Regional ao Governo de Rondônia, alegando que o Estado precisa ser o dono para investir.
- Paralelamente, a gestão Flori move ação judicial para impedir o Governo de trocar a organização social que administra a unidade.
- A oposição aponta que o prefeito celebra a transferência quando lhe convém, mas trava o Estado quando perde o controle político da operação.
- A insegurança jurídica afasta investimentos e paralisa melhorias, deixando a população do Cone Sul refém de um cabo de guerra eleitoral.
- Por que isso importa: A saúde pública não pode ser tratada como moeda de troca; a incoerência da gestão municipal penaliza diretamente quem precisa de atendimento.
A população de Vilhena e do Cone Sul voltou a ser refém da instabilidade política da gestão do prefeito Flori Cordeiro (Podemos). Enquanto a Prefeitura envia à Câmara um projeto para doar o prédio do Hospital Regional ao Governo de Rondônia — alegando que o Estado precisa ser o dono para investir —, a mesma administração move uma guerra judicial para impedir o Governo de assumir o controle total da unidade e trocar a organização social que a administra.
O "vai e vem" institucional não apenas expõe a incoerência do discurso oficial, mas paralisa a unidade e penaliza milhares de pacientes que dependem do atendimento.
A contradição entre a caneta da doação e a liminar judicial
A polêmica ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (8) com o anúncio do projeto de doação do imóvel. Na justificativa oficial, o prefeito Flori Cordeiro foi categórico: o Estado necessita ser proprietário da área para realizar investimentos estruturais, reformas e ampliações.
"Já temos assinado um instrumento irretratável e irrevogável. A transição está documentada, está formalizada", declarou o prefeito.
No entanto, a caneta que doa o prédio não condiz com a caneta que aciona o Judiciário. Quando o Governo de Rondônia tentou exercer sua prerrogativa de trocar a Santa Casa de Misericórdia de Chavantes — a organização social contratada pela própria Prefeitura há quatro anos —, a gestão municipal mudou de discurso.
A Prefeitura passou a contestar a medida na Justiça, conseguindo liminares que mantiveram a Chavantes na administração. Na prática, Flori doa as paredes do hospital ao Estado, mas na Justiça tenta ditar quem vai operar o serviço dentro delas.
"Enquanto o prefeito tenta agradar gregos e troianos nos tribunais e na Câmara, quem paga o preço da sua incoerência é o paciente que aguarda na fila por um leito ou uma cirurgia."
O histórico que o prefeito prefere esquecer
Para compreender a dimensão da manobra, é preciso lembrar o que a própria Prefeitura dizia há pouco mais de um ano. Na época, o município anunciou, de forma pública e comemorada, a transferência da gestão do Hospital Regional para o Governo do Estado.
O argumento era técnico e financeiro: Vilhena não possuía mais condições de arcar sozinha com os custos de uma unidade de alta complexidade que atende toda a região do Cone Sul, municípios do Mato Grosso e até fronteiriços da Bolívia.
Documentos oficiais de janeiro de 2026 mostram que o Estado oficializou a governança técnica do hospital, com secretários estaduais elogiando a atuação do prefeito na transição. A entrega parecia um caminho sem volta, uma vitória da gestão municipal por reconhecer seus limites orçamentários.
No entanto, quando o Estado decidiu alterar a organização social gestora, a Prefeitura redescobriu um amor súbito pela administradora anterior e foi para o tribunal barrar a mudança.
A população no meio do fogo cruzado político
Para o vereador Samir Ali, um dos principais críticos da condução do processo, o que a população presencia é um "confronto de narrativas" desenhado para confundir o eleitorado.
"O prefeito confunde as pessoas. Parece até uma coisa feita de propósito. Primeiro comemorou a entrega do hospital ao Estado. Agora critica justamente o Estado por exercer uma atribuição que lhe foi repassada", afirmou o parlamentar. (CLIQUE AQUI para ver a fala do vereador)
A leitura analítica dos fatos sugere que a disputa não é sobre a qualidade técnica da Santa Casa de Chavantes, mas sobre o controle político da máquina pública. Organizações Sociais gerenciam contratos bilionários e centenas de empregos. Manter a OS sob influência local é um ativo político inestimável, mesmo que o município já não queira — ou não possa — pagar a conta.
A saúde pública como refém
A gestão pública não pode ser tratada como um cabo de guerra eleitoral. O Hospital Regional de Vilhena não é um ativo de negociação; é a única esperança de saúde para milhares de rondonienses.
A insegurança jurídica gerada pelo "vai e vem" de Flori Cordeiro afasta investimentos, gera pânico nos servidores e, principalmente, coloca em risco a continuidade do atendimento. Enquanto a Prefeitura doa o prédio para não parecer omisa, mas processa o Estado para não perder o controle, quem sangra é a população.
A conta desse jogo de interesses inescrupuloso não vai demorar a chegar. Ela será cobrada na porta das emergências lotadas, nas filas de espera que só tendem a aumentar e na falta de insumos que a instabilidade administrativa inevitavelmente provoca. Resta saber até quando o eleitorado de Vilhena aceitará ser tratado como moeda de troca em troca de um palanque.
Versão em áudio disponível no topo do post.