Debate Rema TV: emenda para museu de Brasília vira o embate mais tenso do debate em RO
Seis candidatos ao Palácio Rio Madeira se enfrentaram por quase quatro horas na REMA TV. Acusação de Fúria sobre emenda de Marcos Rogério a um museu foi o pico de tensão — e o Painel foi checar
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- Seis candidatos ao governo de Rondônia se enfrentaram nesta segunda-feira (1º) no debate da REMA TV, que durou cerca de quatro horas.
- Participaram Hildon Chaves (UB), Marcos Rogério (PL), Expedito Neto (PT), Adailton Fúria (PSD), Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB).
- O momento mais tenso foi a acusação de Adailton Fúria contra Marcos Rogério sobre uma emenda destinada a um museu da Bíblia em Brasília, em plena pandemia.
- Ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves foi o mais visado, alvo de Samuel Costa (funcionalismo) e Pedro Abib (índices sociais da capital).
- Por que isso importa: foi o primeiro grande confronto direto entre os principais nomes da disputa, a pouco mais de um mês do voto, em 4 de outubro
Os seis principais candidatos ao governo de Rondônia se enfrentaram pela primeira vez frente a frente nesta segunda-feira (1º), no debate promovido pela REMA TV. Por quase quatro horas, Hildon Chaves (UB), Marcos Rogério (PL), Expedito Neto (PT), Adailton Fúria (PSD), Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB) trocaram propostas e acusações num formato dividido em blocos, com perguntas sorteadas, réplicas e tréplicas. A pouco mais de um mês da eleição, marcada para 4 de outubro, o encontro deu o tom da reta final — e teve um momento que se destacou de todos os outros.
O pico de tensão: a emenda para o museu
O embate mais aceso da noite opôs Adailton Fúria e o senador Marcos Rogério. Fúria acusou o adversário de ter destinado, em 2020 — ano de pandemia —, recursos de emenda parlamentar à construção de um museu em Brasília, em vez de aplicá-los em saúde ou em outra prioridade do estado. Para reforçar a acusação, o candidato do PSD chegou a pedir à sua equipe que publicasse o extrato da emenda em suas redes sociais durante o próprio debate.
A acusação envolve números que merecem verificação cuidadosa — e o Painel Político apura, em reportagem à parte (CONFIRA AQUI), o que o documento apresentado por Fúria de fato mostra sobre o valor, o destino e a execução do recurso. Marcos Rogério terá espaço para se manifestar nessa checagem.
Fúria não apenas acusou: mandou publicar o extrato da emenda ao vivo, transformando o ataque no momento mais comentado da noite.
Hildon Chaves foi o mais visado
Ex-prefeito de Porto Velho por oito anos, Hildon Chaves concentrou o maior número de ataques diretos. Coube a Samuel Costa cobrá-lo sobre a política de pessoal: o candidato do PSB questionou a realização de dezenas de processos seletivos simplificados durante a gestão de Hildon, argumentando que a prática precariza o funcionalismo — pois um servidor contratado em caráter emergencial acaba demitido após dois anos, sem estabilidade. Para Samuel, o volume desses contratos contradiz a afirmação de que não haveria necessidade de servidores efetivos.
Mais adiante, foi Pedro Abib quem confrontou Hildon com os indicadores sociais da capital. O candidato do MDB citou o Índice de Progresso Social para sustentar que, após oito anos de gestão, Porto Velho figuraria como a pior entre as 27 capitais brasileiras, e provocou o adversário: teria sido "gestão ineficiente ou corrupção" o que impediu o avanço? Hildon rebateu defendendo suas entregas na prefeitura e o combate à corrupção como pilar de sua administração.
Infraestrutura, passagem aérea e ICMS
Fora dos embates pessoais, o debate girou em torno de temas concretos do estado. A infraestrutura do interior dominou boa parte das falas, com defesa da substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto e aço nas rodovias estaduais — um problema real para o escoamento da produção rural.
Um dos blocos técnicos mais interessantes opôs Marcos Rogério e Expedito Neto sobre o preço das passagens aéreas em Rondônia. Marcos Rogério perguntou o que o adversário faria para baratear as tarifas; Expedito respondeu tratando o tema como questão nacional, ligada ao comportamento das companhias. Na réplica, veio o ponto de atrito: argumentou-se que o principal custo da passagem é tributário — o ICMS —, e que isso é competência estadual, não federal. "É muito fácil dizer que vai reduzir o ICMS sem falar de onde vai tirar", cobrou-se, num dos trechos que expuseram a diferença de diagnóstico entre os candidatos sobre o papel do estado.
A saúde e a disputa das "entregas"
A saúde atravessou o debate, com candidatos cobrando uns dos outros a viabilidade de hospitais prometidos e questionando a estrutura existente no interior e na capital. Hildon insistiu nas obras que atribui à sua gestão; adversários responderam com ceticismo sobre promessas de novas unidades, num vaivém que resume o tom geral da noite: cada entrega anunciada por um foi contestada por outro.
O que o debate desenhou
Mais do que propostas, o primeiro grande confronto de 2026 em Rondônia desenhou o mapa de forças da disputa. Hildon Chaves, na posição de favorito, virou o alvo preferencial dos adversários — sinal de que os demais o tratam como o nome a ser batido. Entre os candidatos da direita, o fogo cruzado entre Fúria e Marcos Rogério mostrou que a briga por esse eleitorado será interna e áspera. E a acusação da emenda do museu, pela repercussão que ganhou, tende a seguir ecoando nos próximos dias — motivo pelo qual o Painel foi verificar, com documentos, o que há de fato por trás dela. A campanha, que mal começou o corpo a corpo, já mostrou que será disputada no detalhe.
Versão em áudio disponível no topo do post.