Deputado Binho Galinha é considerdo foragido após operação da PF contra milícia em Feira de Santana
Entenda a "Estado Anômico", desdobramento de investigação que prendeu familiares do parlamentar e bloqueou R$ 9 milhões em bens

Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, acordou nesta quarta-feira (1º de outubro de 2025) sob os efeitos de uma operação de grande porte da Polícia Federal (PF). A ação, batizada de Operação Estado Anômico, visa desarticular uma organização criminosa supostamente comandada pelo deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (PRD). O parlamentar, de 47 anos, é considerado foragido desde o início da deflagração, enquanto sua esposa, Mayana Cerqueira da Silva, e o filho, João Guilherme Cerqueira da Silva Escolano, foram presos preventivamente, ao lado de outras seis pessoas, incluindo quatro policiais militares.
A operação é um desdobramento da Operação El Patrón, deflagrada em dezembro de 2023, que já havia resultado em denúncias do Ministério Público da Bahia (MP-BA) contra 15 indivíduos, incluindo Binho Galinha e seus familiares. Segundo a PF, o grupo atua há mais de uma década na região centro-norte baiana, com foco em lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas como jogo do bicho, agiotagem, extorsão e receptação qualificada de veículos. O nome da operação faz referência ao conceito sociológico de “estado anômico”, descrito como uma condição de desordem social marcada pela ausência de normas e valores reguladores, simbolizando o impacto do crime organizado na comunidade local.
Perfil do deputado e sua trajetória política
Nascido em Milagres, a 245 km de Salvador, Binho Galinha migrou para Feira de Santana há mais de 30 anos, onde ganhou o apelido ao trabalhar em um abatedouro de aves. Empresário no setor de autopeças, ele se descreve no site da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) como dono de imóveis na região. Sua ascensão política veio em 2022, quando foi eleito pela primeira vez como deputado estadual pelo Patriota (atual PRD), com 49.834 votos – o segundo mais votado em Feira de Santana. No ano seguinte, assumiu como vice-líder do bloco parlamentar formado por MDB, PSB, Patriota, PSC e Avante.
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