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Weverton Rocha pede ação da Mesa do Senado contra vazamentos da PF

Vice-líder do governo aciona Davi Alcolumbre após divulgação de foto em rancho de investigado do INSS. Registro mostra Arthur Lira, Ramagem e outros políticos em encontro de 2023 e expõe tensão entre PF, PGR e STF

Weverton Rocha pede ação da Mesa do Senado contra vazamentos da PF
📷 Reprodução
📋 Em resumo
  • O senador Weverton Rocha (PDT-MA) enviou ofício à Mesa do Senado pedindo providências contra vazamentos de materiais de seu celular funcional, apreendido em dezembro de 2025
  • A foto divulgada pela revista Piauí mostra o parlamentar com Arthur Lira, Alexandre Ramagem, Elmar Nascimento, Paulo Azi e Juscelino Filho na piscina do rancho do advogado Willer Tomaz em 23 de abril de 2023
  • A PGR se manifestou contra as buscas a familiares de Weverton na nova fase da Operação Sem Desconto, mas o ministro André Mendonça do STF autorizou os 18 mandados
  • A PF aponta Weverton como operador central de esquema de lavagem de dinheiro ligado a fraudes no INSS, com desvios estimados em R$ 6,3 bilhões
  • Por que isso importa: o caso expõe a fragilidade do sigilo investigativo no STF, a instrumentalização política de provas e a tensão entre instituições em uma investigação que atinge o núcleo do governo e do Congresso
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O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado Federal, enviou um ofício à Mesa da Casa neste final de semana pedindo providências contra o vazamento de materiais extraídos de seu celular funcional, apreendido em dezembro de 2025 pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto. O documento, dirigido ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi motivado pela divulgação de uma fotografia que mostra o parlamentar ao lado de outros políticos na piscina do rancho do advogado Willer Tomaz, em Planaltina (DF), em 23 de abril de 2023.

O que a foto revela — e o que esconde

Na imagem, revelada pela revista Piauí com base em material obtido do celular de Weverton, aparecem, além do anfitrião Willer Tomaz, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), o ex-deputado e ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem (PL), e os deputados federais Elmar Nascimento (União Brasil), Paulo Azi (União Brasil) e Juscelino Filho (PSDB). O encontro ocorreu após o feriado de Tiradentes de 2023 e foi organizado por um grupo de WhatsApp chamado "Grupo Seleto", que reunia parte dos congressistas identificados na foto.

Segundo o ofício de Weverton, a veiculação de mensagens e fotografias pessoais expõe "indevidamente" parlamentares que não são investigados e sugere uma instrumentalização seletiva de material sigiloso. O senador argumenta que a divulgação viola a intimidade, o sigilo dos autos e a presunção de inocência, o que pode configurar crime de violação de sigilo funcional. Ele pleiteia que a Mesa determine que a Advocacia do Senado acione o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), além da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Corregedoria da PF para que se apure a origem dos vazamentos e a responsabilização dos envolvidos.

"O vazamento dessa foto, que não tem qualquer conexão com a Operação Sem Desconto, assim como a minha família não tem, só demonstra o quanto essa ação lamentavelmente tem um viés político-eleitoral."

— Weverton Rocha, senador (PDT-MA)

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A nova fase que mirou a família

O pedido de Weverton ocorre em meio à nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em 4 de agosto de 2026, quando a PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. Os alvos foram a esposa, a filha e duas irmãs do senador, além do advogado Willer Tomaz. Weverton não foi alvo direto desta fase, mas já havia sido atingido por buscas em dezembro de 2025.

A investigação apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado em até R$ 6,3 bilhões. A nova etapa concentra-se especificamente em suspeitas de lavagem de dinheiro. Segundo a PF, ao analisar o material do celular de Weverton, os investigadores constataram um "quadro mais amplo", caracterizado pelo fluxo de milhões de reais em contas pessoais, familiares e empresariais, além do uso de dinheiro em espécie e movimentações patrimoniais de alto valor.

A Polícia Federal aponta o senador como operador central do esquema, afirmando que ele atuava diretamente ao formular pedidos, indicar beneficiários, cobrar repasses, gerenciar imóveis e interferir em decisões patrimoniais. A estrutura ligada a Willer Tomaz funcionaria como um "hub financeiro, patrimonial e logístico", fornecendo sustentação por meio de empresas, imóveis, aviões, pilotos e operadores financeiros.

A divergência entre PF, PGR e STF

O caso ganha contornos institucionais relevantes quando se observa a posição da PGR. Em dezembro de 2025, a Procuradoria-Geral da República já havia se manifestado contra as buscas no endereço de Weverton e contra o pedido de sua prisão preventiva. O ministro André Mendonça, relator no STF, autorizou as buscas mesmo com parecer desfavorável da PGR, mas negou a prisão.

Em agosto de 2026, a PGR voltou a se posicionar contra a operação que mirou familiares do senador. O órgão de Paulo Gonet defendeu medidas menos ostensivas, como quebras de sigilo, em vez de buscas e apreensões. Mendonça, novamente, autorizou a ação. A avaliação de interlocutores da PGR é de que faltava clareza nas evidências da PF sobre o real envolvimento do senador nas fraudes do INSS.

"Não se afirma inexistência de eventual prática ilícita, mas que, neste momento, os elementos disponíveis são frágeis para sustentá-la. A própria narrativa policial oscila: ora atribui ao senador posição de liderança e comando sobre o esquema; ora relativiza essa premissa, admitindo cuidar-se apenas de influência e inserção em níveis superiores sem atribuição de direção máxima."

— Procuradoria-Geral da República, em manifestação ao STF

Os R$ 11 milhões e o código "processo"

Entre os indícios que mais chamam atenção nos relatórios da PF está a movimentação de R$ 11 milhões de empresas ligadas a Willer Tomaz para Samya Rocha, esposa de Weverton e advogada associada ao escritório de Tomaz. Os repasses, notadamente sob a rubrica "AT" — possível referência ao escritório Aragão e Tomaz Advogados Associados —, são questionados pelos investigadores.

Outro elemento que reforça as suspeitas da PF envolve mensagens trocadas em abril de 2023, nas quais Weverton orientou a filha a ir à residência de um advogado. Nas conversas, aparecem as palavras "processo" e "páginas" — códigos interpretados pelos investigadores como referências a maços de cédulas. Dias depois, teriam ocorrido depósitos em dinheiro nas contas de postos de combustível, seguidos de transferências para a conta pessoal do senador.

A defesa de Willer Tomaz sustenta que a esposa de Weverton trabalha em seu escritório e que "os valores a ela repassados decorrem da prestação de serviços advocatícios". O advogado repudiou a divulgação da fotografia, afirmando que ela foi "vazada ilegalmente do celular do senador Weverton, sem qualquer relação com sua atividade profissional ou com os fatos noticiados".

O que está em jogo além da foto

O ofício de Weverton Rocha à Mesa do Senado não é apenas uma reclamação sobre privacidade. É uma tentativa de deslocar o foco da investigação criminal para a conduta de quem vaza informações sigilosas — uma estratégia defensiva clássica em processos de alto rumbo político. Ao pedir que a Advocacia do Senado acione o STF, a PGR e a Corregedoria da PF, o senador busca criar uma frente institucional paralela que questione a legitimidade dos métodos investigativos.

A estratégia, porém, enfrenta um problema de credibilidade: a foto em si não é crime, mas o contexto em que foi tirada — um encontro privado entre um senador investigado, um advogado apontado como "hub financeiro" de lavagem de dinheiro e outros políticos de peso — não deixa de ser material de interesse público. A linha entre privacidade e relevância investigativa é tênue, e o STF terá de traçá-la.

O que torna este caso particularmente sensível é a posição de Weverton no tabuleiro político. Ele é um dos parlamentares mais influentes do Senado, relator de projetos estratégicos como a nova Lei do Impeachment e da indicação do advogado-geral da União Jorge Messias para o STF, além de articulador próximo de Lula e de Alcolumbre.

Se a investigação avançar sobre o núcleo familiar e patrimonial do senador, o impacto político será imediato. Se os vazamentos forem confirmados como ilegais, a credibilidade da própria investigação será abalada. Em ambos os cenários, quem perde é o público — que assiste, mais uma vez, à justiça e à política trocarem acusações enquanto R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas seguem sem explicação.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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