Radar do Judiciário

Destino de Collor nas mãos do STF: Ex-presidente pode ter pena reduzida ou mantida prisão de 8 anos

Ministro Gilmar Mendes retoma julgamento que definirá se ex-presidente cumprirá pena em regime fechado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso BR Distribuidora

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O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta sexta-feira um dos julgamentos mais aguardados do ano: a análise dos embargos de declaração que podem definir se o ex-presidente Fernando Collor irá ou não para a prisão. Condenado a 8 anos e 10 meses de prisão em maio de 2023 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um esquema envolvendo a BR Distribuidora, Collor pode ver sua pena ser reduzida pela metade caso o tribunal reconheça a prescrição de parte dos crimes.

O caso, que teve origem nas investigações da Operação Lava Jato, revelou um esquema de corrupção que teria resultado no pagamento de R$ 20 milhões em vantagens indevidas ao ex-presidente e seus operadores. Segundo as investigações do Ministério Público Federal, os valores foram obtidos através de contratos fraudulentos na BR Distribuidora, antiga subsidiária da Petrobras.

O julgamento dos embargos de declaração, que havia sido interrompido em junho após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, volta à pauta em um momento crucial. Até agora, os ministros Alexandre de Moraes e Edson Fachin votaram pela manutenção da condenação, rejeitando os argumentos da defesa que apontam supostas contradições e obscuridades na decisão original.

Em contraponto, o ministro Dias Toffoli apresentou uma terceira via, sugerindo uma redução de seis meses na pena, baseando-se na média dos votos proferidos pelos ministros durante o julgamento original. Esta divergência entre os magistrados adiciona mais um elemento de incerteza ao desfecho do caso.

Além de Collor, outros dois réus foram condenados no processo: Pedro Paulo Bergamaschi de Leoni Ramos, apontado como operador do esquema, recebeu pena de 4 anos e 1 mês de prisão, enquanto Luis Amorim, diretor executivo da Organização Arnon de Mello, foi sentenciado a 3 anos e 10 dias. Todos negaram as acusações durante o processo.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou contra os embargos, considerando que a defesa busca apenas rediscutir pontos já definidos pelo tribunal. Para o relator, ministro Alexandre de Moraes, os argumentos apresentados pela defesa revelam "mero inconformismo" com a decisão do STF.

O julgamento desta sexta-feira é considerado a última chance de Collor evitar a prisão em regime fechado. Caso a maioria dos ministros vote pela manutenção da condenação nos termos atuais, o ex-presidente poderá ser o primeiro da história do Brasil a cumprir pena em regime fechado por crimes de corrupção.

Linha do tempo: Fernando Collor de Mello - Da Presidência aos processos judiciais

1989-1990

1990-1992

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1992 - Processo de Impeachment

1993-1994

2002-2007

2015-2017

2023

2024

Principais Processos Judiciais:

  1. Caso Impeachment (1992)

  1. Caso BR Distribuidora (2017-2024)

  1. Outros Processos na Lava Jato

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Esta linha do tempo mostra a trajetória de Fernando Collor de Mello, marcada por sua meteórica ascensão política, queda através do impeachment e posteriores problemas com a justiça, culminando com sua atual condenação pelo STF. Seu caso é emblemático na história política brasileira, sendo o primeiro presidente eleito democraticamente a sofrer impeachment e, possivelmente, o primeiro a cumprir pena em regime fechado por crimes de corrupção.