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'É muito peso para minhas costas': Zambelli rebate Bolsonaro após ser culpada por derrota em 2022

Deputada lamenta acusação do ex-presidente e enfrenta julgamento no STF por episódio com arma na véspera da eleição

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A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) reagiu com indignação às declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que a apontou como responsável por sua derrota nas eleições de 2022.

Em entrevista ao blog da jornalista Andréia Sadi, no G1, Zambelli desabafou: “Não acho justa. Eu sempre o defendi, estou com depressão, sendo julgada, e no pior momento ele falar dessa forma é trazer muito peso para as minhas costas”. A fala reflete o desgaste na relação entre a parlamentar e o ex-presidente, que atribuiu a ela o impacto negativo de um episódio polêmico ocorrido na véspera do segundo turno, quando Zambelli perseguiu um apoiador de Lula (PT) com uma arma em mãos nas ruas de São Paulo.

Bolsonaro, em declarações feitas na segunda-feira (24), foi direto ao culpar a deputada: “Aquela imagem da Carla Zambelli da forma que foi usada, perseguindo o cara lá. Teve gente [que pensou]: ‘Olha, o Bolsonaro defende o armamento’. Mesmo quem não votou no Lula, anulou o voto”. Ele ainda afirmou que Zambelli “tirou o mandato” de sua chapa, sugerindo que o incidente influenciou eleitores a abandonar sua candidatura, contribuindo para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Zambelli, por sua vez, defendeu-se alegando que agiu em legítima defesa: “Imagina o que é, para a cabeça de uma deputada, ser culpada pela eleição de um país por ter se defendido de quatro homens que me cuspiram, xingaram e empurraram? Eu tinha porte federal e houve um tiro, que achei que tinha pego no policial”.

A versão da deputada, no entanto, não foi confirmada pelas investigações, e o caso agora está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF), que já formou maioria para condená-la a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

Histórico do caso: Uma perseguição que marcou a eleição

O incidente ocorreu em outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, em um bairro nobre de São Paulo. Zambelli, então uma das principais aliadas de Bolsonaro, envolveu-se em uma discussão com um apoiador de Lula.

Após o confronto verbal, ela sacou uma arma e perseguiu o homem pelas ruas, em cenas que foram amplamente registradas em vídeo e viralizaram nas redes sociais. A imagem da deputada armada gerou forte repercussão negativa, especialmente entre eleitores indecisos, e foi explorada pela campanha adversária para associar Bolsonaro a uma postura armamentista radical.

O episódio resultou em um processo criminal contra Zambelli. O STF, em julgamento recente, formou maioria para condená-la, com seis ministros votando a favor da pena de prisão e da cassação de seu mandato.

O julgamento, porém, foi suspenso por um pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques, adiando a decisão final. Caso a condenação seja confirmada, Zambelli pode perder o cargo e enfrentar a prisão, o que intensifica a pressão sobre a deputada em um momento de fragilidade política e pessoal.

O peso da culpa e a resposta de Zambelli

A acusação de Bolsonaro reacendeu o debate sobre os fatores que levaram à derrota do ex-presidente, que perdeu para Lula por uma margem apertada no segundo turno. Para Zambelli, a crítica do ex-aliado é um golpe duro em um contexto já delicado. “Eu sempre o defendi”, reiterou a deputada, destacando sua lealdade ao longo dos anos. Ela também mencionou estar enfrentando depressão e as consequências do julgamento, o que torna a declaração de Bolsonaro ainda mais dolorosa.

A parlamentar insiste que sua ação foi uma reação a uma suposta ameaça, mas as investigações não corroboraram sua narrativa. O caso, além de prejudicar sua imagem, agora ameaça sua carreira política, enquanto expõe fissuras no campo bolsonarista, que já enfrenta outros desafios, como as investigações sobre tentativas de golpe de Estado após as eleições.

O que vem pela frente?

Com o julgamento no STF em andamento e a possibilidade de cassação e prisão, o futuro de Zambelli permanece incerto. A deputada, que já foi uma das vozes mais estridentes em defesa de Bolsonaro, agora se vê isolada por parte do próprio grupo que ajudou a fortalecer.

Enquanto isso, Bolsonaro segue articulando sua influência política, mas sem deixar de apontar culpados por sua derrota – e Zambelli, ao que parece, tornou-se um alvo conveniente.

O desfecho do caso no STF e a resposta de Zambelli às acusações de Bolsonaro prometem manter o episódio no centro do debate político, reacendendo discussões sobre armas, polarização e os rumos da direita brasileira.


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