Radar do Judiciário

EDITORIAL: O celular de um banqueiro preso e a crise silenciosa do Supremo

Interceptado pela PF, o celular do banqueiro Daniel Vorcaro revela mensagens que sugerem encontros privados com o ministro Alexandre de Moraes — e jogam uma sombra pesada sobre a imparcialidade do STF

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Há momentos em que um simples aparelho celular pode fazer mais barulho do que anos de debates jurídicos. O Brasil vive um desses momentos. A prisão de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, na manhã de quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, trouxe à tona um acervo de conversas digitais que já constrange instituições, levanta perguntas sem resposta e alimenta uma crise de imagem que o Supremo Tribunal Federal (STF) não pode ignorar — nem fingir que não existe.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro, obtidas pela Polícia Federal (PF), sugerem que o ex-banqueiro se encontraria com o ministro Alexandre de Moraes em abril de 2025. Os diálogos foram trocados entre Vorcaro e sua então namorada, Martha Graeff, e foram extraídos dos dispositivos apreendidos na operação. No dia 19 de abril de 2025, Vorcaro informou à namorada que iria se encontrar com o ministro. “To indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa”, escreveu ele às 17h22. Ela perguntou se o ministro estaria em Campos do Jordão, ou se teria viajado especificamente para vê-lo. Vorcaro respondeu de forma lacônica: “Ele ta passando feriado”.

Dez dias depois, a conversa voltou ao mesmo assunto. Em 29 de abril, após uma chamada de vídeo entre o casal, a namorada perguntou quem era a pessoa que havia visto na tela. A resposta de Vorcaro foi direta: “Alexandre moraes”. Ela reagiu com surpresa e perguntou se ele havia gostado da casa. O banqueiro confirmou que sim, e que o ministro havia elogiado o imóvel.

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