TCE-RJ oficializa demissão de Domingos Brazão após condenação a 76 anos no STF
Corte de contas exonerou 18 servidores do gabinete e abriu caminho para a Alerj indicar o novo conselheiro. Decisão encerra pagamento de salário de R$ 56 mil a mandante do assassinato de Marielle Franco.
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- O TCE-RJ publicou a perda de cargo de Domingos Brazão com efeito retroativo a 9 de julho de 2026.
- O ex-conselheiro foi condenado pelo STF a 76 anos de prisão como mandante do assassinato de Marielle Franco.
- A decisão do tribunal extinguiu o gabinete do político e provocou a exoneração de 18 servidores comissionados.
- Por que isso importa: A demissão cessa o repasse mensal de R$ 56 mil ao condenado e devolve à Alerj a prerrogativa de indicar um novo conselheiro, redesenhando a correlação de forças na fiscalização estadual.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) oficializou nesta quarta-feira (15) a perda de cargo do conselheiro Domingos Inácio Brazão. A medida atende ao trânsito em julgado da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que sentenciou o político a 76 anos e três meses de prisão por encomendar o assassinato da vereadora Marielle Franco.
Desmonte do gabinete e fim dos vencimentos
O ato assinado pelo presidente do tribunal, Márcio Henrique Pacheco, formaliza a remoção do condenado dos quadros do Estado.
"Declaro a perda do cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, com a consequente vacância, do Senhor Domingos Inácio Brazão, com efeitos a contar de 9 de julho de 2026", estabelece a publicação (Diário Oficial do Estado). A decisão extinguiu a estrutura do antigo gabinete e provocou a exoneração sumária de 18 servidores de confiança (TCE-RJ).
A exclusão definitiva encerra o fluxo regular de dinheiro público ao réu. Preso preventivamente desde março de 2024 (Polícia Federal), Brazão continuava recebendo contracheques que somavam R$ 56 mil mensais. O montante englobava o salário-base de R$ 50,2 mil e benefícios extras como auxílio-educação e auxílio-saúde (UOL). O nome do ex-conselheiro foi retirado das instalações físicas, e a sala recebeu a identificação provisória de "GC-7".
A vacância e a disputa na Alerj
O desligamento abre um vácuo no alto escalão do tribunal. A cadeira outrora ocupada por Domingos Brazão pertence à cota da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que detém o poder constitucional de sabatinar e nomear o sucessor. Os deputados estaduais possuem um prazo de três dias após a comunicação oficial para registrar os concorrentes (Alerj).
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da assembleia vai liderar as entrevistas dos postulantes antes da votação derradeira no plenário. O processo obedece a regras recém-aprovadas pela Mesa Diretora em maio, elaboradas para imprimir celeridade às sucessões e mitigar o impacto político das prisões no tribunal.
O peso da sentença do STF
A Primeira Turma do STF condenou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão em fevereiro de 2026 pelos crimes de organização criminosa armada e homicídio triplamente qualificado (STF). A investigação federal demonstrou que a dupla arquitetou a emboscada que eliminou Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes em 14 de março de 2018. A jornalista Fernanda Chaves sobreviveu aos disparos na região central do Rio de Janeiro.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, certificou o esgotamento dos recursos advocatícios e mandou executar a punição em regime fechado. A Suprema Corte estipulou o pagamento de 200 dias-multa para cada mandante e arbitrou uma indenização solidária de R$ 7 milhões às famílias das vítimas por danos morais (STF).
Domingos Brazão cumpre a pena na penitenciária Constantino Cokotós, em Niterói. O ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, e o ex-policial militar Ronald Pereira também amargaram condenações de 18 e 56 anos de prisão, respectivamente (STF). O expurgo definitivo do clã Brazão da máquina estatal lança uma interrogação no cenário fluminense: a Alerj aproveitará a vacância para nomear um auditor de perfil técnico ou entregará a corte a um novo grupo de poder em pleno ano de eleições gerais?
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