Eleição nos EUA: democratas são favoritos para retomar a Câmara
Projeções dão até 95% de chance aos democratas na Câmara e de 57% a 76% no Senado. Sete disputas estão empatadas, e o resultado define os dois últimos anos de Trump
📋 Em resumo ▾
- Os Estados Unidos votam em 3 de novembro nas eleições de meio de mandato (midterms). Estão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 do Senado e 36 governos estaduais.
- Os democratas são favoritos para retomar a Câmara: as projeções dão de 80% a 95% de chance. No Senado, a disputa é mais apertada, com chances de 57% a 76%.
- O partido lidera o voto genérico por cerca de 8 pontos, e o presidente Donald Trump tem aprovação na casa dos 37%.
- Sete disputas ao Senado estão classificadas como empatadas, entre elas Texas, Maine, Ohio e Michigan.
- Por que isso importa: se perder a Câmara, Trump passa a enfrentar bloqueios à agenda dele nos dois últimos anos de mandato. Se perder também o Senado, a mudança de poder em Washington é ainda maior.
A pouco mais de uma semana das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, o Partido Democrata chega à reta final como favorito para conquistar a Câmara dos Representantes e competitivo na disputa pelo Senado. A votação define quem controla o Congresso nos dois últimos anos do segundo mandato do presidente Donald Trump (Partido Republicano). Enquanto isso, milhões de americanos já votaram antecipadamente em estados decisivos.
O que está em disputa
As midterms acontecem na metade de cada mandato presidencial. Desta vez, segundo o jornal britânico The Guardian, serão escolhidos:
- todas as 435 cadeiras da Câmara;
- 35 das 100 cadeiras do Senado;
- governadores em 36 estados e três territórios;
- milhares de deputados estaduais e autoridades locais.
Hoje, os republicanos têm 220 a 215 na Câmara e 53 a 47 no Senado. Para assumir o comando, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras em cada Casa. “Ganho líquido” é o saldo depois de descontar as cadeiras que o partido perder.
O que dizem as projeções
Os principais modelos estatísticos apontam vantagem democrata, com graus diferentes de confiança:

A Silver Bulletin projeta um Senado de 52 a 48 para os democratas, e a Decision Desk HQ, de 51 a 49. Ou seja: mesmo nos cenários favoráveis, a maioria no Senado seria apertada.
O Cook Political Report, uma das principais análises eleitorais dos EUA, classifica sete disputas ao Senado como empatadas (toss-up): Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Michigan, Ohio e Texas. A projeção é de ganho democrata entre duas e seis cadeiras. Como o partido precisa de quatro, o Senado continua em aberto.
Voto genérico e aprovação de Trump
O voto genérico é a pergunta “em qual partido você votaria para o Congresso?”, sem citar candidatos. Ele mostra o humor nacional:
- média da RealClearPolling em 27/10: democratas 51,5% contra republicanos 43,4% (vantagem de 8,1 pontos);
- NPR/PBS/Marist (27/10): 52% a 44%;
- Reuters/Ipsos (22 a 26/10): 53% a 44%;
- CBS News: 53% a 45%.
Segundo o site acadêmico The Conversation, Trump tem 36,9% de aprovação e 60,2% de desaprovação, um saldo negativo de 23,3 pontos.
Atenção: o voto genérico mede o clima nacional, mas não define o resultado de cada disputa. As eleições são decididas estado por estado e distrito por distrito.
As disputas que podem decidir o Senado
As pesquisas mais recentes nas disputas mais acompanhadas mostram o seguinte:
- Texas: o democrata James Talarico tem 50% contra 45% do republicano Ken Paxton, segundo a pesquisa Univision/YouGov. Na média da RealClearPolling, a vantagem cai para 1,8 ponto. Nenhum democrata vence uma eleição estadual no Texas desde 1994.
- Ohio: o democrata Sherrod Brown tem 49% contra 43% do republicano Jon Husted (Cook, 9 a 13/10).
- Michigan: o democrata Abdul El-Sayed tem 51% contra 45% do republicano Mike Rogers (Detroit News/Glengariff).
- Maine: a senadora republicana Susan Collins aparece em empate técnico, com o democrata à frente por 1,4 ponto na média.
- Iowa: o democrata Josh Turek tem 46% contra 44% da republicana Ashley Hinson. A média dá vantagem mínima à republicana (0,4 ponto).
- Carolina do Norte: o democrata Roy Cooper tem 51% contra 43% do republicano Michael Whatley (Quantus Insights).
- New Hampshire: o democrata Chris Pappas tem 50% contra 44% do republicano Chris Sununu (Rasmussen).
Em boa parte dessas disputas, a diferença está dentro da margem de erro. Isso quer dizer que os candidatos estão tecnicamente empatados.
O que pesa no voto
A economia aparece como fator central: custo de vida, preço dos alimentos, moradia, combustíveis e saúde. Inflação, comércio e desempenho econômico estão entre os temas em que Trump enfrenta mais resistência do eleitorado. A guerra no Irã aumentou a pressão, por causa do efeito sobre o petróleo e os combustíveis. Imigração, tarifas, inteligência artificial, aborto, regras eleitorais e democracia também estão na disputa.
Voto antecipado em alta
Nos EUA, muitos estados permitem votar antes do dia da eleição, pessoalmente ou pelo correio. Segundo dados compilados pela emissora NBC News até 26/10:
- Geórgia: cerca de 1,78 milhão de votos, 22% dos 8,19 milhões de eleitores registrados;
- Ohio: mais de 1,06 milhão;
- Nova York: cerca de 573 mil;
- Kansas: mais de 155 mil.
A filiação partidária de quem já votou não revela em quem essas pessoas votaram. Os números mostram mobilização, não resultado.
Mercados de previsão também serão testados
A eleição também vai testar os mercados de previsão, plataformas como Kalshi e Polymarket, em que as pessoas compram e vendem contratos sobre resultados eleitorais. Segundo o site Politico, centenas de milhões de dólares estão sendo movimentados em apostas sobre a Câmara, o Senado e os governos estaduais.
Essas plataformas ganharam fama em 2024, quando apontaram com mais clareza a vitória de Trump enquanto as pesquisas mostravam disputa apertada. Mas elas não são pesquisas eleitorais: o preço de cada contrato reflete o que os participantes acham que vai acontecer, com base em pesquisas, notícias e outras informações.
O limite dessa leitura ficou claro na eleição presidencial brasileira de 2026: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu mesmo sendo negociado em torno de 20% de probabilidade em alguns desses mercados antes da votação. Uma probabilidade baixa não significa que o resultado é impossível.
O 3 de novembro vai decidir mais do que a composição do Congresso americano. Com a Câmara, os democratas ganhariam poder para travar projetos, controlar o orçamento e abrir investigações sobre o governo. Com o Senado também, poderiam barrar indicações de Trump para tribunais e para o próprio governo. Para o Brasil, que acabou de sair de uma eleição marcada por tensões com Washington e por suspeitas de interferência estrangeira em investigação no STF, a correlação de forças no Congresso americano ajuda a definir o tom das relações entre os dois países em 2027.
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