Eleições 2026

Em virada histórica, Lula é reeleito e terá o 4º mandato

Petista teve 51,78% dos votos contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ); derrotado não reconhece o resultado e anuncia que vai à Justiça pedir anulação da eleição

Em virada histórica, Lula é reeleito e terá o 4º mandato
📷 Paulo Pinto/Agência Brasil
📋 Em resumo ▾
  • Lula (PT) foi reeleito neste domingo (25) com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tornando-se o primeiro presidente eleito quatro vezes pelo voto direto no Brasil
  • A virada ocorreu depois de Lula ter ficado atrás no primeiro turno (45% a 47%)
  • Em discurso de vitória em São Paulo, Lula agradeceu ao eleitorado e classificou o resultado como derrota do “negacionismo e da mentira”
  • Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado, criticou a prorrogação do horário de votação determinada pelo STF e anunciou que vai pedir judicialmente a anulação do pleito
  • O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, declarou ter segurança total no resultado apurado
  • Por que isso importa: é a primeira vez que um presidente brasileiro chega ao quarto mandato pelo voto popular, e a contestação de Flávio reabre, mais uma vez, o discurso de desconfiança nas urnas eletrônicas que atravessa eleições desde 2014
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) presidente da República, em uma virada histórica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e chega ao seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto — o primeiro presidente da história do país a vencer quatro eleições diretas. A confirmação veio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por volta das 21h, com Lula somando 51,78% dos votos válidos contra 48,22% de Flávio.

Como foi a virada

Lula havia terminado o primeiro turno, em 4 de outubro, atrás de Flávio Bolsonaro — 45,16% a 47,03% —, e precisou reverter o resultado em três semanas de campanha no segundo turno. Nos números finais, Lula somou 64.255.787 votos, e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 59.825.959.

O discurso de Lula

Horas depois da confirmação, Lula discursou para aliados e à imprensa em um hotel de São Paulo. Agradeceu ao eleitorado e afirmou que a vitória representa uma derrota do “negacionismo e da mentira”, segundo o Poder360. Ao site TNH1, disse que não tem mais adversários depois de vencer a eleição e que foi eleito para governar para todos os brasileiros, independentemente do voto. Em entrevista à Band, afirmou que sua fala naquele momento era de agradecimento. Ao Diário do RN, celebrou dizendo que o resultado foi conquistado junto com o eleitorado. À Rádio Mundial, declarou que passará a governar para 215 milhões de brasileiros.

“Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos” — Lula, em discurso após a vitória (parafraseado a partir de fala original)

O presidente também defendeu maior regulação de plataformas digitais, alegando interferência externa na disputa, e fez referência indireta a Flávio ao associá-lo, sem citá-lo nominalmente, ao tema do “milicianismo” — ponto que, por não vir acompanhado de uma acusação formal ou processo, é relatado aqui como posicionamento político do presidente, não como fato apurado.

Flávio não reconhece o resultado

Em pronunciamento próprio na noite de domingo, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que não aceita o resultado e que sua equipe jurídica vai pedir a anulação do pleito na Justiça. Ao Metro1, declarou que é impossível reconhecer o resultado. Ao TimesBrasil, foi mais direto: “Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo”. Ao Mixvale, chamou a decisão questionada de uma quebra total de isonomia entre os brasileiros.

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O cerne da contestação de Flávio é a decisão do ministro Cristiano Zanin (STF), que prorrogou por duas horas o horário de encerramento da votação em municípios atingidos por chuvas em cinco estados (Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina). É importante registrar, pelo princípio do contraditório: essa prorrogação havia sido solicitada pela própria campanha de Flávio ao TSE, segundo o Metro1 — contradição que ele próprio não explicou publicamente.

O que diz a Justiça Eleitoral

O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, declarou ter “absoluta segurança” no resultado apurado. Até a publicação desta matéria, o pedido de anulação anunciado por Flávio ainda não havia sido formalmente protocolado — trata-se, portanto, de um anúncio de intenção, não de uma ação em curso.

Um padrão conhecido

A alegação de que as urnas eletrônicas comprometem a lisura do resultado não é nova na política brasileira: a Agência Lupa documentou que o discurso remonta a 2014, quando o então candidato derrotado Aécio Neves (PSDB) levantou dúvidas sobre a votação — e viria a admitir publicamente, em 2021, que não houve fraude. Jair Bolsonaro repetiu a alegação sem provas por anos, inclusive após ser eleito presidente em 2018.

A contestação de Flávio neste domingo segue essa linha, ainda que apoiada, neste caso específico, em um argumento jurídico concreto (a prorrogação do horário de votação) e não em uma alegação direta de fraude no sistema de votação.

O resultado deste domingo consolida Lula como a figura mais relevante da política brasileira deste século, mas também devolve ao país um cenário já conhecido: um governo eleito com margem definida, mas que precisará administrar a disputa sobre a própria legitimidade do pleito enquanto tenta formar maioria em um Congresso de composição majoritariamente oposicionista.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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