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Empresários 'Faria Limers' são condenados por liderar esquema de fraudes em empresas em crise: Prejuízos de R$ 39 milhões em São Paulo

De fachadas de luxo a falências devastadoras: como o AJC Group explorou vulnerabilidades empresariais e gerou desemprego em massa, segundo a Justiça paulista

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Anderson de Oliveira (à esq) e Ricardo Avilez foram condenados em outubro pela Justiça paulista, assim como Cristiano de Oliveira; os três responderão em liberdade - Reprodução MP-SP

Em um cenário econômico marcado por instabilidades e reestruturações empresariais, a Justiça de São Paulo expôs um esquema sofisticado de fraudes que devastou companhias já fragilizadas. No dia 15 de outubro de 2025, o juiz Guilherme Martins Kellner, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores, condenou três empresários a sete anos de prisão em regime fechado por liderarem uma organização criminosa especializada em golpes contra empresas em crise. Os réus, Anderson de Oliveira (47 anos), Cristiano de Oliveira (45 anos) e Ricardo Avilez (45 anos), conhecidos como “Faria Limers” por sua circulação no coração financeiro da cidade, recorrerão da decisão em liberdade, após terem obtido habeas corpus e liberdades provisórias.

A denúncia, movida pelos promotores Frederico Silva, Lorena Ciampone e Rafael Hayashi, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), revela que o grupo atuava desde 2010, criando o conglomerado AJC Group (All Jaber Company). Sob o pretexto de ser o “maior fundo distressed business do Brasil”, com “expertise consolidada em administração de dívidas empresariais”, os acusados prometiam resgatar companhias endividadas. No entanto, em vez de saneamento, promoviam a deterioração deliberada dos ativos, resultando em prejuízos estimados em mais de R$ 39 milhões, falências em cascata e demissões sem pagamento de verbas rescisórias.

A fachada de sucesso e os métodos de engano

Os golpistas construíam uma imagem impecável para atrair vítimas. Reuniões eram agendadas em restaurantes de alto padrão, com chegadas em automóveis importados de luxo — muitos alugados ou registrados em nome de empresas fantasmas do grupo. Cartões de visita ostentavam endereços em bairros nobres de São Paulo, como a Avenida das Nações Unidas, Faria Lima, Luís Carlos Berrini, e as ruas Joaquim Floriano e Funchal. Um site profissional e anúncios patrocinados em redes sociais reforçavam a credibilidade, enquanto uma rede de mais de 50 empresas com capital social fictício servia para ocultar os responsáveis reais.

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