Eleições 2026

Entre autocrítica e ativismo: a nova declaração de voto de Anitta

Em vídeo publicado nas redes sociais, a cantora reconhece ter subestimado a força do que chama de bolsonarismo no 1º turno e detalha os motivos do seu voto

Entre autocrítica e ativismo: a nova declaração de voto de Anitta
📷 Reprodução X
📋 Em resumo ▾
  • • A cantora Anitta publicou vídeo nas redes sociais declarando voto em Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para o dia 25 de outubro
  • • Ela admite ter subestimado a força eleitoral do que chama de "bolsonarismo" e diz que esperava vitória de Lula ainda no primeiro turno
  • • A cantora distingue "direita" de "bolsonarismo", acusando este último de promover discurso de ódio e misturar religião com política
  • • Por que isso importa: a cantora afirma já ter perdido "milhões" de seguidores por se posicionar politicamente no passado e diz ter autorizado o uso de uma música de seu álbum mais recente como tema de campanha, o que dá à sua manifestação peso no debate público da reta final da eleição
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A cantora Anitta publicou um vídeo nas redes sociais declarando voto no presidente Lula (PT), número 13, para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para o dia 25 de outubro. Na gravação, ela faz autocrítica por ter subestimado a força eleitoral do que chama de "bolsonarismo" no primeiro turno e lista os motivos de seu posicionamento, que inclui críticas a discursos de ódio e à mistura entre religião e política.

"Meu voto é 13, meu voto é Lula", diz a cantora

No vídeo, Anitta afirma que vai votar em Lula no segundo turno e destaca que a decisão não é nova. "Como vocês já sabem, os motivos já foram ditos por mim ao longo de todos esses anos. Muitos anos em campanhas, entrevistas, posicionamento direto, posicionamento sobre pautas no Congresso", diz a cantora.

Ela encerra o vídeo reafirmando a decisão: "O meu voto é 13, o meu voto é Lula. Porque não tem como ser diferente disso diante de todas as circunstâncias que o Brasil tá vivendo agora", afirma.

O vídeo foi divulgado nesta sexta-feira, 9, em todas as plataformas da cantora.

"Fui bem ingênua", admite cantora sobre aposta no 1º turno

Anitta faz uma autocrítica explícita sobre suas próprias expectativas para o primeiro turno. "Eu confesso que esse ano fui bem ingênua, estava convicta de que o Lula ia ganhar no primeiro turno, por uma arrogância minha mesma de achar impossível, em 2026, a maioria do país ainda dar credibilidade ao bolsonarismo. Mas eu estava errada", diz.

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Segundo a cantora, uma amiga — recomendou que ela se dedicasse mais ao estudo do tema. "Ela falou pra mim: vai estudar, vai ler um livro. E eu vou, porque eu sempre vou", relata Anitta, acrescentando que a rotina dificulta esse aprofundamento: "Infelizmente, a vida está puxada e nem todo mundo está com tempo, é até com paciência de ler livro antes de votar ou de expressar sua opinião política. E eu não julgo."

A cantora também critica o papel das redes sociais na simplificação de temas políticos complexos: "A internet parece ser uma ótima solução para simplificar os assuntos. Mas, para questões muito complexas, é impossível uma resposta ser simples assim. A política é complexa e isso parece ser feito de propósito", afirma.

Não deveria ser obrigada a odiar a quem a gente ama, que já ajudou a gente na vida, que nos criou. Mas quem começou isso foi o bolsonarismo. — Anitta

Para a cantora, "bolsonarismo" não é sinônimo de direita

Na gravação, Anitta faz uma distinção entre a direita tradicional e o que ela chama de "bolsonarismo". Como referência de uma direita anterior, ela cita o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB): "Nessa época, a direita e a esquerda disputavam, e, no fim, cada um aceitava o resultado das votações, parabenizava educadamente o seu opositor, e a vida seguia."

Segundo ela, esse comportamento mudou: "Ninguém acusava fraude das urnas sem prova, ninguém citava golpe de Estado caso perdesse, o candidato aceitava as regras do jogo — também conhecidas como Constituição. E o mais importante: ninguém promovia o discurso de ódio", afirma, citando como exemplo o que descreve como ódio direcionado a pessoas LGBTQIA+ e à população negra, inclusive dentro das próprias famílias.

A cantora também associa o que chama de "bolsonarismo" à mistura entre religião e política — ponto que, segundo ela, "deveria ser considerado crime" — e faz uma crítica dura e direta. Veja o vídeo:


Cantora diz já ter perdido seguidores por se posicionar politicamente

Anitta reforça que seu posicionamento não é pontual. "Eu queria dizer agora pro meu público, pro meu fã que comenta, que engaja: posicionamento é algo que eu faço há anos, sem medo, perdendo milhões de seguidores — não milhares, milhões —, porque eu nunca tive medo", afirma, sem detalhar números específicos de perda de seguidores.

Segundo a cantora, somente em 2026 ela apoiou causas ligadas a mulheres, povos indígenas, meio ambiente e ao combate à intolerância e ao racismo religioso, além de autorizar que uma música de seu álbum mais recente — que ela descreve como seu "álbum político" — fosse usada como tema de campanha. Ela não identifica no trecho disponível qual campanha ou qual música especificamente.

"Posicionamento não é um dia. Não é na hora que se quer, não é na hora que tá virando trend na internet. Posicionamento é todos os dias", diz.

Reta final de uma eleição decidida no segundo turno

A declaração de Anitta chega na reta final do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, com votação marcada para 25 de outubro. O material disponível não traz o nome do adversário de Lula no segundo turno nem outros dados oficiais do pleito; essas informações não puderam ser verificadas a partir do áudio analisado.

Anitta já se posicionou politicamente em outras eleições a "muitos anos" de manifestações públicas sobre política. Por se tratar de uma das artistas brasileiras com maior alcance nas redes sociais, movimentações como essa costumam repercutir amplamente no debate político nacional, ainda que a dimensão exata desse alcance não seja objeto deste vídeo.

A fala de Anitta soma-se a um padrão já conhecido de celebridades usando redes sociais para influenciar o debate eleitoral em cima da hora, mas sua autocrítica sobre o resultado do primeiro turno é o ponto que destoa do discurso de campanha tradicional. Ao admitir que subestimou o adversário que criticava, a cantora abre uma brecha rara nesse tipo de manifestação política de celebridade: a de reconhecer um erro de cálculo próprio antes de insistir na mensagem.


🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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