Radar do Judiciário

Ex-governador do Tocantins permanece preso após Justiça confirmar risco de fuga internacional

Investigações revelam que Mauro Carlesse já possuía identidade uruguaia, passaporte italiano e planejava escape por meio de contas no exterior; defesa alega inocência e pede revogação da prisão

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Mauro Carlesse após passagem pelo IML de Palmas — Foto: Ana Paula Rehbein/TV Anhanguera

Em uma decisão mantida pela Justiça nesta segunda-feira (16), o ex-governador do Tocantins, Mauro Carlesse (Agir), permanece detido após sua prisão preventiva realizada no domingo (15) em uma fazenda em São Salvador, região sul do estado. A ordem de prisão, expedida pela 3ª Vara Criminal de Palmas, revelou um elaborado esquema de fuga internacional que incluía documentação estrangeira e movimentação de recursos para o exterior.

De acordo com a decisão do juiz Márcio Soares da Cunha, foram encontradas evidências contundentes de que Carlesse e seu sobrinho, Claudinei Quaresemin, ex-secretário de Parcerias e Investimentos do Tocantins, planejavam escapar para a Itália ou Uruguai. Entre as provas apresentadas, destaca-se que Carlesse já possuía identidade uruguaia expedida em 3 de abril de 2024 e teve sua residência permanente aprovada naquele país em 24 de maio de 2024.

Investigações múltiplas e conexões criminosas

O ex-governador é alvo de diversas investigações, incluindo as operações Hygea e Éris, que apuram supostos esquemas de corrupção envolvendo o plano de saúde dos servidores públicos e aparelhamento da Polícia Civil. Segundo o Ministério Público Estadual, existem conexões entre diferentes organizações criminosas, com agentes atuando em conjunto para atingir objetivos comuns.

Preparativos para fuga

As investigações revelaram que além da documentação uruguaia, Carlesse:

Posicionamento da defesa

Em nota oficial, a defesa de Mauro Carlesse manifestou indignação com a prisão, argumentando que o ex-governador:

Contexto político

Carlesse assumiu o governo do Tocantins em 2018, inicialmente de forma interina, após a cassação do então governador Marcelo Miranda (MDB) e sua vice Cláudia Lelis (PV). Posteriormente, consolidou sua posição através de uma eleição suplementar e foi reeleito na eleição geral do mesmo ano.

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A prisão preventiva do ex-governador representa mais um capítulo na série de investigações que envolvem sua gestão à frente do executivo tocantinense, com as autoridades destacando a necessidade da medida cautelar para garantir a aplicação da lei penal e evitar possível evasão do país.

O caso continua em desenvolvimento, com a defesa já anunciando que apresentará pedido de revogação da prisão preventiva.