Fernando Cerimedo: o operador de Trump na extrema-direita latino-americana
Consultor argentino é peça-chave na articulação da nova direita regional, com vínculos comprovados com o trumpismo e redes de desinformação. Preso na Bolívia, ele nega acusação de tentativa de feminicídio
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- Fernando Cerimedo é um dos principais estrategistas digitais da extrema-direita latino-americana, com atuação comprovada nas campanhas de Jair Bolsonaro, Javier Milei e Rodrigo Paz.
- O consultor argentino mantém vínculos diretos com o trumpismo através de Brad Parscale, ex-gerente de campanha de Trump, representando as empresas Campaign Nucleus e Eyes Over na América Latina.
- Cerimedo está preso na Bolívia desde agosto de 2026, acusado de tentativa de feminicídio contra Nadia Beller, sua ex-companheira, que afirma ter sido alvo de um atentado para silenciar denúncias de corrupção.
- Sua rede de desinformação inclui o portal La Derecha Diario, granjas de trolls e parcerias com Javier Negre (Espanha) e a Atlas Network, organização ultraconservadora sediada nos EUA.
- Por que isso importa: A prisão de Cerimedo expõe uma rede transnacional de operadores políticos que atuam sem cargos públicos, mas exercem influência decisiva em governos da região, com financiamento e apoio de estruturas ligadas ao MAGA e à extrema-direita global
A prisão do consultor argentino Fernando Cerimedo na Bolívia, em agosto de 2026, por tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira Nadia Beller, expôs uma das mais sofisticadas redes de articulação política da extrema-direita latino-americana. Com passagens pelas campanhas de Jair Bolsonaro (Brasil), Javier Milei (Argentina) e assessoria ao atual presidente boliviano Rodrigo Paz, Cerimedo consolidou-se como um operador transnacional que conecta líderes conservadores da região a estruturas de poder dos Estados Unidos, incluindo vínculos diretos com o círculo de Donald Trump.
O arquiteto das campanhas digitais da nova direita
Fernando Cerimedo, 45 anos, emergiu como figura central da nova direita latino-americana a partir de 2020, quando começou a oferecer serviços de marketing político digital e operações de redes sociais para campanhas conservadoras. Seu método combina o uso intensivo de granjas de trolls, bots, desinformação coordenada e narrativas de guerra cultural para inflamar bases eleitorais e posicionar candidatos antiestablishment.
Em entrevista a uma aliança jornalística internacional coordenada pelo Centro Latino-Americano de Jornalismo Investigativo (CLIP), Cerimedo admitiu abertamente operar contas falsas: "Eu assumi esse papel como consultor da direita latino-americana porque todos têm medo de vestir esse terno. Para muitas pessoas, dizer que é de direita é um palavrão, mas não para mim". Sobre os trolls, foi categórico: "É claro que tenho muitos trolls", mas justificou que os utiliza apenas para "enganar algoritmos" e posicionar melhor as mensagens de seus clientes, não para atacar opositores.
Sua primeira aparição pública de relevância ocorreu em 2020, no Chile, quando sua consultora Numen publicou uma pesquisa encomendada por empresários do "Contra" no plebiscito constitucional chileno. A enquete, realizada com 18 mil respostas online (número atípico para pesquisas eleitorais), previa vitória do "Contra" com ampla margem. O resultado real foi oposto: 78% votaram "A favor" de uma nova Constituição. Cerimedo justificou o erro como "falha metodológica", mas a pesquisa cumpriu seu papel: criar uma narrativa de viabilidade para a direita em um momento de desânimo.
Brasil: o laboratório da "grande mentira"
O salto de Cerimedo para o protagonismo regional ocorreu no Brasil, após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva. Em 4 de novembro de 2022, o argentino organizou uma transmissão ao vivo no YouTube intitulada "Brasil foi roubado", assistida por mais de 400 mil pessoas. Na live, ele disseminou informações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro, questionando a legitimidade da vitória de Lula.
Essa operação foi o prelúdio dos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram o Congresso, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal em Brasília. Cerimedo repetiu as acusações de fraude em uma audiência pública no Senado brasileiro e tornou-se uma das figuras centrais na investigação sobre "milícias digitais" bolsonaristas. O Supremo Tribunal Federal (STF) bloqueou o acesso ao site La Derecha Diario no Brasil e suspendeu suas contas em redes sociais por disseminação de desinformação.
Apesar de ter sido investigado, Cerimedo não foi formalmente indiciado. Ele se defende: "Foi judicialmente comprovado que não disseminei desinformação. Bloquearam minhas contas em novembro e me desbloquearam quando ocorreu o 8 de janeiro porque descobriram que eu não era responsável". Contudo, duas notas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contradizem essa versão, afirmando que ele continuou a questionar urnas eletrônicas e espalhar mentiras sobre as eleições brasileiras mesmo após as sanções.
Milei e a construção do "leão" das redes
O relacionamento de Cerimedo com Javier Milei começou em 2021, mas só se consolidou em 2023, quando o argentino libertário já era pré-candidato à presidência. Cerimedo tornou-se chefe de comunicação da campanha de Milei e também foi encarregado de supervisionar todo o aparato digital do partido La Libertad Avanza.
Sua contribuição mais visível foi articular a entrevista entre Milei e Tucker Carlson, então estrela da Fox News e figura central do movimento MAGA (Make America Great Again). A conversa, transmitida nas redes sociais, teve milhões de visualizações e foi um marco na projeção internacional de Milei.
Cerimedo afirma que trabalhou gratuitamente para Milei: "Trabalho para Milei de graça. Hoje eu poderia pedir qualquer número que quisesse, mas Javier não poderia me pagar mesmo se eu cobrasse pouco". Contudo, registros oficiais mostram que ele foi o segundo maior doador individual da campanha de Milei, contribuindo com 28 milhões de pesos (cerca de US$ 77 mil na cotação da época) nos últimos dez dias de agosto de 2023, após as primárias.
Esse valor levantou suspeitas, pois não parecia compatível com a renda declarada por suas empresas. Quando questionado, Cerimedo afirmou que sua principal fonte de financiamento são clientes corporativos de sua agência de publicidade, complementados pelos cursos da Academia Numen, mas nenhuma de suas cinco principais empresas apresentou balanços à Inspetoria Geral de Justiça da Argentina.
A rede transnacional: La Derecha Diario e Javier Negre
O coração da operação de Cerimedo é o portal La Derecha Diario, fundado em 2018 e registrado em seu nome. O site funciona como uma plataforma de desinformação e agitação ideológica, com foco em "batalha cultural" contra "ideologia de gênero", "invasão migratória" e qualquer pauta progressista.
Em junho de 2021, Cerimedo trouxe como sócio o espanhol Javier Negre, fundador do portal Estado de Alarma TV (EDA TV), ligado ao partido de extrema-direita Vox. Negre comprou 50% do La Derecha Diario e a nova empresa foi registrada como Madero Media Group S.R.L., com capital inicial de 100 mil pesos argentinos (pouco mais de US$ 1 mil na época).
Negre é uma figura controversa na Espanha. Sua empresa, EDA TV, recebeu 24 mil euros da campanha eleitoral do Vox nas eleições gerais, mas não informou esse pagamento ao Tribunal de Contas espanhol, violando a lei eleitoral. Além disso, o Partido Popular (PP) espanhol contratou serviços de EDA TV em valores que ultrapassam 680 mil euros desde 2021.
Na Argentina, Negre tornou-se conhecido por provocar jornalistas nas conferências de imprensa do porta-voz presidencial Manuel Adorni e por disseminar narrativas radicalizadas. Ele viajou para os Estados Unidos e Israel para cobrir a guerra em Gaza sob a ótica da extrema-direita e tentou comprar veículos de comunicação argentinos para expandir sua influência, sem sucesso.
Conexões com Trump e o MAGA
A conexão mais reveladora de Cerimedo é com o círculo de Donald Trump nos Estados Unidos. Ele é representante exclusivo na América Latina das empresas Campaign Nucleus e Eyes Over, lideradas por Brad Parscale, ex-gerente de campanha de Trump.
Parscale foi o estrategista digital que revolucionou as campanhas de Trump em 2016 e 2020, utilizando microdirecionamento de eleitores, testes A/B massivos e análise preditiva de dados. Cerimedo afirma ser sócio de Parscale e de "uma das empresas de Trump" que possui 135 estações de rádio e 43 jornais nos Estados Unidos.
Em março de 2023, Cerimedo postou uma foto nas redes sociais com um assessor do ex-secretário de Defesa de Trump: "Ótimo café da manhã. Grandes coisas estão vindo nos próximos anos", escreveu, sugerindo articulações para as eleições americanas de 2024. Quando perguntado diretamente se trabalharia para Trump, ele evitou responder: "Não posso compartilhar essa informação".
Além de Parscale, Cerimedo tem vínculos com a Atlas Network, organização conservadora sediada nos EUA que financia e treina think tanks e movimentos pró-liberdade em mais de 100 países. A Atlas Network não aceita financiamento governamental e depende de doações de fundações, indivíduos e corporações.
A organização tem sido apontada como peça-chave no financiamento da extrema-direita latino-americana. No governo Bolsonaro, institutos parceiros da Atlas Network ocuparam posições estratégicas e receberam recursos de organizações criadas pelo governo dos EUA. Um relatório da Infodemia, unidade mexicana de análise de desinformação, identificou bots da Atlas Network em campanhas digitais contra a presidente Claudia Sheinbaum no México.
Honduras e o indulto controverso
Em novembro de 2025, Cerimedo previu nas redes sociais: "Honduras vai viver em liberdade e será próspera". Pouco depois, circulou o rumor de que ele — junto com o veterano estrategista Dick Morris — teria articulado para que Donald Trump publicasse uma mensagem em sua rede social, Truth Social, abençoando a candidatura de Nasry Asfura à presidência de Honduras.
Asfura, ex-prefeito de Tegucigalpa, não era identificado com as forças MAGA e tinha poucas chances de vitória. Mesmo assim, Trump o apoiou e classificou seu adversário, o liberal Salvador Nasralla, como "quase comunista". Asfura venceu a eleição e tornou-se presidente de Honduras em 2026.
Mais controverso ainda foi o indulto concedido por Trump ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández (JOH), condenado por narcotráfico nos Estados Unidos. JOH pertence ao mesmo partido de Asfura, o Partido Nacional de Honduras. Embora Cerimedo negue envolvimento, suspeitas circulam desde o início de 2025 de que Trump estaria vendendo indultos ou concedendo-os em troca de considerações políticas e financeiras.
Bolívia: a queda e as denúncias de corrupção
A ascensão de Cerimedo na Bolívia começou com o apoio ao libertário Jaime Dunn, que acabou excluído da corrida presidencial. Mesmo assim, Cerimedo saiu fortalecido: uma de suas alunas da Academia Numen é Catalina Paz, filha do presidente Rodrigo Paz, que geriu as redes sociais do pai durante a campanha.
Cerimedo afirma que assessorou Rodrigo Paz "apenas como amigo" na segunda volta, porque "não poderia ter pago por seus serviços", já que ele e seus sócios são muito "caros". Mas, uma vez na presidência, a relação mudou e Cerimedo tornou-se o principal assessor de comunicação do governo boliviano.
O vice-presidente Edmand Lara, um policial com amplo apoio popular que entrou em conflito com Paz logo após a posse, definiu Cerimedo de forma contundente: "É o assessor pessoal do presidente. É um tipo maquiavélico capaz de tudo. Tentou me moldar à sua maneira, mas nunca permiti".
A queda ocorreu em 18 de agosto de 2026, quando Cerimedo foi detido no aeroporto Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, quando tentava embarcar em um voo para Buenos Aires. Ele é investigado por tentativa de feminicídio contra Nadia Beller, sua ex-companheira, que foi alvejada com três tiros.
Beller, uma ativista boliviana grávida de Cerimedo, afirma que ele ordenou o atentado para silenciá-la. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela denunciou: "Tentaram me silenciar. Fui testemunha de negociados" envolvendo os governos de Milei e Paz. Segundo ela, Cerimedo queria impedi-la de revelar esquemas de corrupção e negócios ilícitos nos quais teria estado envolvido.
A Fiscalía da Bolívia imputou Cerimedo por tentativa de feminicídio e também investiga por enriquecimento ilícito. A defesa de Cerimedo atacou Beller, afirmando que ela está "desequilibrada mentalmente" e que os chats apresentados como prova foram adulterados.
O modus operandi: trolls, fake news e guerra cultural
Cerimedo não esconde seu método. Em entrevistas, ele descreve com detalhes como opera suas "granjas de trolls" e usa inteligência artificial para amplificar mensagens. Sobre a campanha de Bolsonaro em 2018, ele revelou: "Na campanha de 2018, ele [Bolsonaro] havia falado muito mal dos gays. Como fizemos para reverter isso? Por WhatsApp começamos a mandar milhares de mensagens de trolls dizendo: 'Eu sou gay. Bolsonaro poderá ser um nazista, mas a economia está bem e vamos viver mais seguros'. A partir dessa influência, parte da comunidade gay o apoiou".
Ele justifica a manipulação: "Ninguém tem os ovos para dizer que isso acontece. São coisas que existem. O eleitor comum sabe que há trolls e que as pesquisas estão manipuladas. Não devemos subestimá-lo".
Sobre fake news, Cerimedo minimiza: "Chamar-nos de desinformadores seriais por duas ou três bobagens é a única forma que têm de nos atingir. Estou contra as fake news". E completa: "La Derecha Diario é o único dos meus meios que faz travessuras", referindo-se a publicações como a que afirmava que o kirchnerismo tinha conhecimento prévio da tentativa de assassinato contra Cristina Kirchner porque o canal C5N datou erroneamente uma matéria.
A rede latino-americana de desinformação
A atuação de Cerimedo não se limita a Argentina, Brasil e Bolívia. Ele está presente em pelo menos seis países da região:
Chile: Além da pesquisa manipulada de 2020, Cerimedo foi acusado de distribuir informações falsas sobre as propostas da Convenção Constitucional antes do plebiscito de 2022. Através da iniciativa "Facilitadores Constitucionales", um grupo de "voluntários" cujos materiais replicavam cores e logos oficiais da Convenção, ele disseminou panfletos enganosos. Após a vitória do "Contra", La Derecha Diario publicou uma notícia falsa afirmando que o presidente Gabriel Boric sofrera um "colapso nervoso" após a derrota. Hashtags como #BoricInternado começaram a circular minutos antes da publicação, indicando coordenação prévia.
México: A Infodemia identificou a presença de bots da Atlas Network e mencionou Cerimedo em relatórios sobre campanhas digitais contra a presidente Claudia Sheinbaum. Mais de 200 contas no TikTok e 350 grupos no Facebook promoveram manifestações em 15 de novembro de 2025, com investimentos superiores a 90 milhões de pesos mexicanos (cerca de US$ 5 milhões). Muitos dos influenciadores identificados não tinham conexão prévia com política: eram criadores de conteúdo sobre maquiagem, videogames ou música que, de repente, começaram a postar mensagens apoiando os protestos.
Honduras: Além do apoio a Asfura, Cerimedo é citado em investigações sobre o indulto de JOH. Ele nega envolvimento, mas sua presença é registrada em articulações políticas que conectam Trump, Asfura e o Partido Nacional de Honduras.
Quem financia a operação?
A pergunta que não quer calar é: quem paga por essa rede transnacional de desinformação e manipulação política? As evidências apontam para múltiplas fontes:
1. Clientes corporativos: Cerimedo afirma que 90% de sua renda vem de clientes corporativos de sua agência de publicidade Numen, mas não apresentou balanços financeiros para comprovar.
2. Doações próprias à campanha: Ele doou 28 milhões de pesos à campanha de Milei em 2023, valor incompatível com a renda declarada de suas empresas.
3. Atlas Network: A organização norte-americana financia think tanks e movimentos conservadores em toda a região, com orçamento operacional de US$ 5 milhões (dados de 2016), proveniente de fundações, indivíduos e corporações.
4. Brad Parscale e Trump: A parceria com Parscale e a representação das empresas Campaign Nucleus e Eyes Over sugerem acesso a recursos do movimento MAGA e doadores conservadores americanos.
5. Javier Negre e Vox: A sociedade com Negre e os pagamentos de Vox e do Partido Popular espanhol a EDA TV indicam financiamento europeu de extrema-direita.
6. Empresários locais: No Chile, o empresário Gerardo Jofré, ex-presidente do conselho da Codelco, admitiu ter encomendado a pesquisa manipulada de 2020 a Cerimedo.
O governo Milei se distancia
Apesar de ter sido peça-chave na ascensão de Milei, Cerimedo foi progressivamente afastado do núcleo duro do governo argentino. Entre dezembro de 2023 e junho de 2024, ele visitou a Casa Rosada uma dúzia de vezes, segundo registros oficiais. Depois, as visitas cessaram abruptamente.
O distanciamento acelerou-se após a prisão na Bolívia. Funcionários do governo Milei definiram Cerimedo como "um trabalhador" e afirmaram que não veem problemas éticos em tê-lo na equipe porque as acusações contra ele são "infundadas". Mas, na prática, ele foi descartado para evitar contaminação política.
Karina Milei, irmã e chefe de gabinete do presidente, que controla os acessos e a agenda de Javier, passou a filtrar rigidamente quem entra no círculo íntimo do governo. Cerimedo, com suas conexões internacionais e histórico controverso, deixou de ser um ativo para tornar-se um passivo.
A prisão de Fernando Cerimedo na Bolívia não é apenas um caso policial isolado; é a ponta de um iceberg que revela como a extrema-direita latino-americana se reorganizou nas últimas décadas. Não se trata mais de partidos tradicionais ou movimentos sociais orgânicos, mas de redes transnacionais de operadores digitais, financiadas por fundos conservadores norte-americanos e europeus, que atuam nos bastidores sem precisar de cargos públicos.
Cerimedo é o arquétipo desse novo tipo de poder: um consultor que transita entre Brasil, Argentina, Chile, Honduras, México e Bolívia, replicando as mesmas táticas de desinformação, trolls e guerra cultural, sempre com o apoio de estruturas como a Atlas Network, Brad Parscale e o movimento MAGA. Ele personifica a globalização da extrema-direita, onde fronteiras nacionais são irrelevantes e a única lealdade é à "causa" conservadora.
A pergunta que fica é: quantos outros Cerimedos operam nas sombras, moldando eleições e governos sem que a sociedade sequer saiba seus nomes? E, mais importante: até que ponto governos eleitos democraticamente na América Latina estão sendo infiltrados por redes financiadas do exterior, que respondem a agendas que não passam pelas urnas?
A resposta pode definir o futuro da democracia na região.
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