Eleições 2026

Filipe Barros e Deltan Dallagnol são eleitos senadores pelo Paraná

Com 95,25% das urnas apuradas, Barros (PL) e Dallagnol (Novo) somam juntos mais de 5,7 milhões de votos; candidatura de Dallagnol segue "deferida com recurso" após decisão do TSE neste domingo.

Filipe Barros e Deltan Dallagnol são eleitos senadores pelo Paraná
📷 Câmara dos Deputados e Giuliano Gomes/PR Press
📋 Em resumo ▾
  • Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) foram eleitos senadores pelo Paraná neste domingo (4)
  • Até as 19h06, com 95,25% das urnas apuradas, Barros tinha mais de 3 milhões de votos (27,37%) e Dallagnol mais de 2,7 milhões (25,28%)
  • A candidatura de Dallagnol foi indeferida no sábado (3) por um ministro do TSE e teve essa decisão suspensa no domingo pelo presidente da Corte; o registro está hoje "deferido com recurso", e o caso ainda será julgado pelo plenário do TSE
  • Por que isso importa: a eleição de Dallagnol ocorre em meio a uma disputa jurídica ainda não encerrada — o que distingue sua situação da de Filipe Barros, cuja eleição não tem pendência judicial
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Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) foram eleitos senadores pelo Paraná neste domingo (4). Até as 19h06, com 95,25% das urnas apuradas, Barros somava mais de 3 milhões de votos (27,37% dos votos válidos) e Dallagnol tinha mais de 2,7 milhões de votos (25,28%).

A situação jurídica da candidatura de Dallagnol

É necessário marcar, com precisão, o que está e o que não está decidido sobre a candidatura de Dallagnol. No sábado (3), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, indeferiu o registro da candidatura de Dallagnol ao Senado e declarou nulos os votos da chapa — uma decisão monocrática, isto é, tomada por um único ministro. Neste domingo (4), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu essa decisão em caráter liminar, mantendo a candidatura ativa.

Com isso, o registro de Dallagnol passou a ser considerado "deferido com recurso" pela Justiça Eleitoral, e os votos dados à chapa devem ser processados normalmente — o resultado parcial acima já reflete essa contagem. A questão, no entanto, não está encerrada: o mérito do recurso ainda será julgado pelo plenário do TSE, que pode manter ou reverter a candidatura. Até lá, trata-se de uma eleição válida sob condição, não de uma definição final.

Filipe Barros (PL)

Natural de Londrina, no norte do Paraná, Filipe Barros tem 35 anos. Formado em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi presidente do Diretório Central dos Estudantes da universidade em 2012.

De 2013 a 2015, atuou como assessor legislativo na Câmara Municipal de Londrina e foi eleito vereador no município em 2016, pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB). Em 2018, deixou o PRB e se filiou ao Partido Social Liberal (PSL), partido pelo qual se elegeu deputado federal naquele ano. Em 2022, passou pelo União Brasil, migrando para o PL no mesmo ano — legenda pela qual foi reeleito deputado federal. Atualmente, Barros preside o diretório estadual do PL no Paraná.

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Deltan Dallagnol (Novo)

Deltan Dallagnol é formado em Direito e mestre na área pela Harvard Law School. Nascido em 1980, é natural de Pato Branco, no sudoeste do Paraná.

Foi procurador da República entre 2003 e novembro de 2021, quando pediu exoneração do cargo. Nesse período, atuou em casos como o do Banestado e, a partir de 2014, passou a coordenar a força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba, da qual se desligou em setembro de 2020 — à época, alegou questões pessoais para a saída.

Segundo dados do Ministério Público Federal (MPF), 543 pessoas foram denunciadas em 217 acusações criminais apresentadas pela força-tarefa liderada por Dallagnol, das quais ao menos 166 acabaram condenadas pela Justiça nesses processos. É importante registrar que parte desse histórico foi posteriormente revista pelo Judiciário: entre os casos de maior repercussão assinados por Dallagnol está a apresentação em PowerPoint de setembro de 2016, que atribuiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva crimes de corrupção e lavagem de dinheiro — condenação que o Supremo Tribunal Federal (STF) viria a anular em 2021, por entender que a Justiça Federal do Paraná não era competente para julgar o caso, decisão que não analisou o mérito das acusações em si.

Em 2022, Dallagnol foi eleito deputado federal pelo Paraná, o candidato mais votado ao cargo no estado naquele ano, com mais de 340 mil votos. Em 2023, porém, uma decisão do TSE — por unanimidade — cassou seu registro de candidatura, o que resultou na perda do mandato. É esse histórico de inelegibilidade, relembre-se, que está novamente em disputa na Justiça Eleitoral nesta eleição de 2026, e cujo desfecho definitivo segue pendente de julgamento pelo plenário do TSE.

Encerramento

O Paraná elege, assim, dois senadores em circunstâncias bem diferentes: Filipe Barros, sem qualquer pendência judicial sobre sua candidatura, e Deltan Dallagnol, cuja eleição segue formalmente válida, mas sujeita à decisão final do plenário do TSE sobre o próprio registro que o levou às urnas.

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