Gargalo logístico em Porto Velho: escoamento da safra de soja gera fila de até 1.200 caminhões
Atrasos no plantio, aumento da produção e falta de infraestrutura agravam crise no porto de Rondônia, impactando produtores e exportações

O escoamento da safra de soja de 2024/25 em Rondônia enfrenta um cenário caótico, com filas de até 1.200 caminhões por dia no porto de Porto Velho, principal ponto de saída da produção agrícola do estado e de parte do noroeste de Mato Grosso. O atraso de quase um mês no plantio, devido a condições climáticas adversas, combinado com uma colheita até 15% superior à do ano anterior e a persistente deficiência de infraestrutura, criou um gargalo logístico que deve persistir até o fim do mês, segundo a Aprosoja-RO (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Rondônia).
De acordo com a reportagem da Folha de S.Paulo, os caminhões têm se acumulado em postos de apoio, como o de Candeias do Jamari, a 20 quilômetros da capital rondoniense, onde motoristas aguardam de quatro a seis dias para descarregar suas cargas. O porto, que utiliza o rio Madeira como via de escoamento até o porto de Santarém (PA), não tem capacidade para atender ao volume recorde da safra, agravado por chuvas excessivas que atrasaram a colheita e por um fevereiro de clima favorável, que acelerou o processo e concentrou a chegada dos grãos.
Marcelo Lucas da Silva, diretor da Aprosoja-RO, explica: “A chuva atrasou o plantio, concentrando-o numa janela menor. Isso, somado ao aumento da produtividade, gerou um volume que a infraestrutura atual não suporta.” A produção de soja em Rondônia deve atingir 2,4 milhões de toneladas nesta safra, um crescimento de 7,1% em relação ao ciclo anterior, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), enquanto a Aprosoja-RO estima um incremento ainda maior, de 12%.
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