✦ Especial Painel Político
Helicóptero cai na Vista Chinesa e mata piloto e três turistas colombianas
📋 Em resumo ▾
- Corpo de Bombeiros confirma quatro mortos na queda de um Robinson R44 em área de mata da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista (Rio de Janeiro), neste sábado (8).
- Vítimas são o piloto Alessandro Rocha e as colombianas Rocio Cubillos (59), Wendy Manrique (37) e Sofia Murillo (17) — avó, mãe e filha da mesma família.
- Passeio de 20 minutos, sem portas laterais, foi contratado pela família por R$ 2.550; grupo de seis parentes se dividiu em dois helicópteros por limite de capacidade da aeronave.
- Prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) cobrou fiscalização extraordinária da ANAC após o segundo acidente fatal com helicóptero na cidade em cerca de dois meses.
- Por que isso importa: o caso reacende o debate sobre regulação de voos turísticos em áreas urbanas densas e pode levar à suspensão temporária de passeios panorâmicos no Rio.
Um helicóptero caiu na manhã deste sábado (8) na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, Zona Sul do Rio de Janeiro, matando as quatro pessoas a bordo. O Corpo de Bombeiros confirmou que Alessandro Rocha, piloto da aeronave, e três turistas colombianas — avó, mãe e filha da mesma família — não resistiram ao impacto e ao incêndio que se seguiu à queda.
As passageiras foram identificadas como Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, filha de Rocio, e Sofia Murillo, de 17, filha de Wendy e neta de Rocio. Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17, eram avó, filha e neta. As três turistas colombianas que morreram na queda do helicóptero faziam a primeira viagem ao Brasil.
Passeio de 20 minutos e portas abertas por R$ 2.550
A aeronave era um Robinson R44, prefixo PP-MFS, que transportava Rocio Cubillos, Sofia Murillo e Wendy Manrique, integrantes da mesma família, além do piloto Alessandro Rocha, pertencente à empresa Voos Rio Panorâmico (VRP). As turistas pagaram R$ 2.550 por um passeio de cerca de 20 minutos, contratado com a Voos Rio Panorâmico, feito sem as portas laterais e que incluía a passagem por pontos conhecidos da capital fluminense. Segundo o site da empresa, algumas experiências podem chegar a uma hora de duração e ultrapassar R$ 1.300 por pessoa. O roteiro contratado pela família incluía justamente o sobrevoo da Floresta da Tijuca, região onde ocorreu a queda. O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) afirmou ter sido informado pela ANAC de que a aeronave estava regularizada:"O que eu posso dizer a partir da informação que o presidente da ANAC me passou é que era um voo regular, que tinha autorização pra fazer voo panorâmico de forma regular", afirmou.
Família dividida em dois helicópteros para caber no passeio
A cônsul-geral da Colômbia no Rio, Diana Páez, revelou que as vítimas integravam um grupo maior de parentes que viajou ao Brasil para uma comemoração. As três mulheres formavam parte de um grupo de seis pessoas de uma mesma família que havia viajado à cidade brasileira para celebrar os 15 anos de uma adolescente. O grupo se dividiu em dois, porque o helicóptero tinha capacidade para levar apenas três passageiros. Os demais parentes — o filho de Rocio, Victor Manrique, a esposa dele, Daniela Castañeda, e a filha do casal, de 15 anos — aguardariam a vez de embarcar. As três estavam no Rio com outros parentes: Victor Manrique, filho de Rocio, a esposa dele Daniela Castañeda, e a filha do casal de 15 anos. Depois do acidente, Victor, Daniela e a filha que também participariam do passeio ficaram no hangar aguardando informações. A família chegou ao Rio na segunda-feira e permaneceria no país até terça-feira, tendo feito passeios pela cidade e também estado em Búzios, na Região dos Lagos. Segundo familiares, o grupo contratou o passeio de helicóptero após uma pesquisa nas redes sociais. O consulado colombiano atuou junto às autoridades brasileiras na etapa mais sensível do caso: "apoiou" as autoridades brasileiras na identificação das vítimas, tarefa "difícil" devido ao estado dos corpos. Até a divulgação das primeiras informações oficiais, os nomes dos falecidos não haviam sido confirmados publicamente pelas autoridades colombianas.Resgate em encosta com precipícios mobiliza 40 militares
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 11h11 para atender à ocorrência, na região da Vista Chinesa, área de mata e de difícil acesso. Ao atingir a encosta, os quatro ocupantes morreram carbonizados após o helicóptero explodir e provocar um incêndio na vegetação. A operação envolveu cerca de 40 militares, 11 viaturas e quatro unidades operacionais, entre elas o 1º Grupamento de Socorro Florestal e Meio Ambiente do Alto da Boa Vista, o Grupamento Operacional do Comando-Geral, o Grupamento de Operações Aéreas e o 11º Grupamento de Bombeiros. Um porta-voz da corporação, identificado como Contreiras, descreveu o cenário encontrado:"A aeronave caiu em uma região de mata muito íngreme, com áreas de precipício, onde só é possível trabalhar com técnicas de corda e equipamentos de segurança", explicou.Por causa do relevo, equipes especializadas precisaram utilizar técnicas de corda e equipamentos de segurança para avançar pelo terreno, que possui áreas de precipício. O incêndio florestal provocado pela explosão do combustível foi controlado por volta das 13h, e a área da Vista Chinesa, incluindo trilhas do Parque Nacional da Tijuca, foi parcialmente interditada para o trabalho das equipes, com o trecho da Estrada da Vista Chinesa em frente ao mirante fechado.
Segundo acidente fatal em dois meses reacende alerta na cidade
O acidente é o terceiro envolvendo helicópteros no Rio em pouco mais de sete meses. Em 17 de janeiro, três pessoas morreram após a queda de um helicóptero em Guaratiba, na zona oeste: o capitão do Corpo de Bombeiros Lucas Silva Souza, o major da Força Aérea Sérgio Nunes Miranda e o instrutor de voo Diego Dantas Lima Morais. Em junho, uma colisão entre dois helicópteros na cidade matou seis pessoas, entre elas o cantor americano Oliver Tree e o influenciador argentino Gaspar Prim. Diante da sequência, o prefeito Cavaliere foi ao local do resgate e cobrou providências imediatas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)."A gente não pode de forma alguma deixar de destacar o fato de que a gente tá aqui, em cerca de um mês ou dois meses, em mais um acidente envolvendo helicópteros na cidade do Rio de Janeiro", disse.O prefeito afirmou ter acionado diretamente a presidência da agência reguladora:
"Fiz questão de ligar pra presidente da ANAC. A gente encaminhou imediatamente um ofício, encaminhamos um comunicado da Prefeitura do Rio direcionado à ANAC para que tome providências imediatamente em relação aos voos no Rio de Janeiro", informou.Cavaliere citou a possibilidade de interromper temporariamente os voos panorâmicos para permitir uma fiscalização mais ampla, embora tenha reconhecido que a aeronave envolvida no acidente deste sábado tinha autorização para realizar voos panorâmicos.
Cenipa e Polícia Civil assumem a apuração das causas
As causas da queda ainda não foram divulgadas. A investigação deverá envolver a Polícia Civil e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira responsável por apurar falhas técnicas, operacionais ou humanas em acidentes aéreos no país. A perícia da Polícia Civil também ficará responsável pela identificação definitiva das vítimas, processo dificultado pelo estado dos corpos após o incêndio. Enquanto o inquérito avança, a repetição de acidentes graves em curto intervalo de tempo coloca a fiscalização de voos panorâmicos no centro do debate público carioca. Resta saber se a pressão da Prefeitura será suficiente para que a ANAC reveja, mesmo que temporariamente, as regras que autorizam esse tipo de operação turística sobre áreas de mata densa e relevo acidentado como o Parque Nacional da Tijuca.Versão em áudio disponível no topo do post.