Hildon Chaves acusa CREA de laudo fake sobre rodoviária de Porto Velho para favorecer Léo Moraes
Pré-candidato defende que obra estava pronta e atribui atrasos a manobra política do sucessor; sobre doação de salário, remete à atuação da deputada Ieda Chaves
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- Hildon Chaves (pré-candidato ao governo de RO) afirmou em entrevista que o CREA-RO produziu um "laudo fake" para impedir a inauguração da nova rodoviária de Porto Velho ao fim de seu mandato.
- O terminal foi entregue em 30 de dezembro de 2024 após autorização judicial, mas a ligação do sistema de climatização só foi concluída meses depois, gerando desconforto à população.
- Sobre a promessa de doação de salário — marca de sua entrada na política em 2016 —, o pré-candidato deslocou a resposta para a atuação legislativa da deputada Ieda Chaves, sua esposa, citando causas como proteção animal, direitos das mulheres e infância.
- Por que isso importa: A disputa narrativa em torno da rodoviária revela um padrão de revisionismo administrativo que pode comprometer a continuidade de políticas públicas em Rondônia às vésperas das eleições de 2026.
O pré-candidato ao governo de Rondônia Hildon Chaves (União Brasil) acusou, em entrevista, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Rondônia (CREA-RO) de produzir um laudo técnico "fake" para favorecer o então candidato a prefeito Léo Moraes (Podemos) na disputa pela narrativa em torno da nova rodoviária de Porto Velho. A declaração reacende o debate sobre os bastidores da inauguração do terminal, entregue em 30 de dezembro de 2024 após autorização judicial.
"Embora, naquela época, o CREA fez um laudo fake, mentiroso. Para atender os interesses políticos do prefeito que iria ser empossado na sequência", afirmou Hildon Chaves.
A nova rodoviária de Porto Velho foi apresentada como "menina dos olhos" da gestão de Hildon Chaves. Segundo o ex-prefeito, a obra estava pronta ao fim de seu mandato, restando apenas a ligação do sistema de ar-condicionado — pendência atribuída ao recesso da fabricante do equipamento. A demora de quase um ano para a conclusão do sistema de climatização, avalia ele, foi injustificável e motivada por disputa política, não por questões técnicas.
A cronologia da polêmica: laudo, judicialização e inauguração
Em dezembro de 2024, o CREA-RO emitiu parecer técnico concluindo que a rodoviária não estava pronta para inauguração, apontando pendências nas instalações elétricas e no sistema de climatização. O documento embasou uma liminar do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) que impediu a cerimônia de entrega na data originalmente prevista.
A situação foi revertida em 30 de dezembro, quando a Justiça autorizou a inauguração mediante agravo de instrumento. Hildon Chaves realizou a entrega do Terminal Rodoviário "Destemidos Pioneiros" em ato com presença de autoridades e representantes do setor de transporte. Contudo, a ligação das condensadoras do ar-condicionado só foi efetivada posteriormente, sob a gestão de Léo Moraes, gerando críticas de usuários que relataram desconforto térmico no local.
"Faltava apenas a ligação do sistema de ar-condicionado", sustentou Hildon, classificando a demora como resultado de "vaidade política" e não de incapacidade técnica.
A estratégia de "desinauguração" — remoção de placas e tentativa de reapropriação simbólica da obra — foi denunciada por aliados da gestão anterior como violação à continuidade administrativa e à memória institucional.
Doação de salário: promessa de 2016 e o papel de Ieda Chaves
Questionado sobre a possibilidade de reeditar a promessa de doação integral do salário — marca de sua campanha à Prefeitura de Porto Velho em 2016 —, Hildon Chaves optou por deslocar a resposta para a atuação legislativa da deputada estadual Ieda Chaves, sua esposa. "Quem vai resolver isso é a deputada Ieda Chaves", afirmou, em tom que mescla compromisso pessoal e estratégia de campanha. A menção às causas da parlamentar — proteção animal, direitos das mulheres e defesa da infância — funciona como ponte entre a trajetória do casal e uma agenda pública ampliada, sem fechar promessa categórica para um eventual governo estadual.
Ieda Chaves (União Brasil) tem como bandeiras legislativas a Política Estadual da Primeira Infância, projetos de combate ao feminicídio e ações de bem-estar animal, incluindo feiras de adoção e apoio a ONGs de proteção. A estratégia de vincular a promessa de doação de salário a iniciativas já em curso na Assembleia Legislativa permite ao pré-candidato manter coerência discursiva sem assumir compromissos orçamentários diretos no plano estadual.
Contexto político: legado, disputa e eleições 2026
A polêmica em torno da rodoviária não é um episódio isolado. Ela se insere em um movimento mais amplo de disputa por legado entre gestões municipais em Porto Velho, com reflexos diretos na corrida ao governo de Rondônia em 2026. A tentativa de apagar ou ressignificar marcas administrativas de governos anteriores — por meio de remoção de placas, revisão de narrativas ou paralisação seletiva de obras — é um recurso recorrente na política brasileira, mas ganha contornos específicos em um estado onde a infraestrutura urbana ainda é deficitária.
Para o eleitor, o que está em jogo vai além da climatização de um terminal. A forma como os agentes políticos lidam com a continuidade de políticas públicas, com a memória institucional e com o uso de órgãos técnicos como instrumento de disputa revela muito sobre o estilo de gestão que se pretende oferecer ao estado.
O que esperar dos próximos capítulos
Com a confirmação de Cirone Deiró como pré-candidato a vice na chapa de Hildon Chaves, a articulação política ganha capilaridade no interior de Rondônia, especialmente na região central e no Cone Sul. A estratégia busca irradiar influência para além da base eleitoral tradicional em Porto Velho, onde a disputa com Adaílton Fúria (MDB) e Marcos Rogério (PL) tende a ser acirrada.
Enquanto isso, a nova rodoviária segue como símbolo ambíguo: obra necessária e moderna, mas também campo de batalha narrativo. Para a população, o que importa é que o equipamento funcione em plenitude — com conforto, segurança e eficiência — independentemente de quem assina a placa.
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