Justiça em Pimenta Bueno: Homem que matou amante grávida para não assumir filho é condenado a 33 anos
Julgamento histórico em Rondônia expõe crueldade de feminicídio e mobiliza debate nacional

Um crime que chocou o Brasil em 2022 finalmente encontrou desfecho na Justiça de Rondônia. Nesta segunda-feira, 24 de março de 2025, Gabriel Henrique Santos Souza, de 28 anos, foi condenado a 33 anos e quatro meses de prisão em regime fechado pelo assassinato de Antonieli Nunes Martins, de 32 anos, grávida de um filho que ele se recusou a assumir.
O julgamento, realizado no Fórum da Comarca de Pimenta Bueno, foi marcado por forte comoção popular e reacendeu o debate sobre feminicídio e violência de gênero no país. A sentença, proferida após quase 12 horas de sessão, considerou o crime triplamente qualificado e incluiu a pena por aborto, devido à morte do feto que a vítima carregava.
O caso teve início em fevereiro de 2022, quando Antonieli, mãe de um menino de então dois anos, foi brutalmente assassinada em uma casa alugada em Pimenta Bueno, onde mantinha um relacionamento extraconjugal de cerca de dez meses com Gabriel. Filho de pastores evangélicos e casado, o réu confessou à polícia que matou a amante um dia após ela revelar a gravidez.
Segundo seu depoimento, ele aplicou um golpe de "mata-leão" enquanto estavam deitados "de conchinha" na cama, apertando o pescoço da vítima até "não sentir mais o braço". Ao perceber que ela ainda respirava, pegou uma faca na cozinha e desferiu um golpe fatal em seu pescoço. Para encobrir o crime, Gabriel jogou no rio o celular de Antonieli, o teste de gravidez positivo e a arma do crime.
O corpo da vítima foi encontrado em 3 de fevereiro de 2022 por familiares, que estranharam sua ausência no trabalho e a falta de respostas às mensagens. A descoberta do assassinato gerou revolta na cidade e motivou protestos locais. Antonieli deixou um filho pequeno, que completou três anos no dia de seu enterro, e uma família marcada pela dor irreparável.
O caso ganhou projeção nacional, com movimentos feministas apontando-o como mais um exemplo da violência extrema contra mulheres no Brasil, especialmente em Rondônia, estado que já figurou entre os líderes em taxas de feminicídio.
O julgamento começou às 8h de segunda-feira e terminou por volta das 19h30, com a leitura da sentença pela juíza Rejane de Sousa Gonçalves Fraccaro. A condenação considerou três qualificadoras do feminicídio: motivo torpe (rejeição à paternidade), meio cruel (asfixia seguida de facada) e ataque que impossibilitou a defesa da vítima. A pena foi agravada pelo crime de aborto, configurado pela morte do feto.
Gabriel, que estava preso preventivamente desde maio de 2022, não compareceu ao plenário, conforme pedido da defesa aceito pela Justiça. Representado pela Defensoria Pública, ele tentou anular seu depoimento inicial e alegou insanidade, mas um laudo psiquiátrico de 2022 atestou sua plena capacidade mental.
A promotora Fernanda Alves Ottoni, responsável pela acusação, classificou a decisão como um marco. "É um recado claro: a Justiça está aqui para proteger as mulheres e punir quem acha que pode tirar vidas por machismo ou covardia", afirmou.
Manifestantes se reuniram do lado de fora do fórum com cartazes como "Justiça por Antonieli" e "Nem uma a menos", enquanto a família da vítima, presente no julgamento, expressou alívio mesclado de tristeza. Jéssica Micaeli, irmã de Antonieli, destacou o vazio deixado na vida do sobrinho, hoje com seis anos: "Ele ainda pergunta pela mãe. Essa condenação não a traz de volta, mas é o mínimo de justiça que podíamos ter."
Linha do Tempo do Caso Antonieli
Fevereiro de 2021: Antonieli e Gabriel iniciam relacionamento extraconjugal em Pimenta Bueno.
1º de fevereiro de 2022: Antonieli revela a Gabriel que está grávida; ele planeja o crime.
2 de fevereiro de 2022: Gabriel assassina Antonieli por estrangulamento e facada, descartando provas no rio.
3 de fevereiro de 2022: Corpo de Antonieli é encontrado por familiares; crime é descoberto.
5 de fevereiro de 2022: Enterro de Antonieli ocorre no dia do terceiro aniversário de seu filho.
Maio de 2022: Gabriel é preso preventivamente após investigação policial.
Agosto de 2022: Laudo psiquiátrico conclui que Gabriel tinha discernimento pleno ao cometer o crime.
24 de março de 2025: Gabriel é condenado a 33 anos e 4 meses por feminicídio e aborto.
A sentença ainda pode ser alvo de recurso, mas, para a sociedade rondoniense, o julgamento é visto como um passo significativo contra a impunidade. O caso Antonieli permanece como um símbolo da luta por justiça e do combate à violência que vitima tantas mulheres no Brasil.
Palavras-chave: feminicídio, justiça, Pimenta Bueno, Rondônia, violência de gênero, condenação, gravidez, Gabriel Henrique, Antonieli Nunes
Hashtags: #JustiçaPorAntonieli #FeminicídioNão #NemUmaAMenos #Rondônia #ViolênciaContraAMulher