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Lula diz que "cinco ministros" do STF estão ligados ao caso Master

Em entrevista à Rádio Tupi, o presidente afirmou que a Corte precisa "resolver esse problema" antes de uma reforma do Judiciário — e voltou a associar o caso ao governo Bolsonaro

Lula diz que "cinco ministros" do STF estão ligados ao caso Master
📷 Ricardo Stuckert
📋 Em resumo
  • O presidente Lula (PT) afirmou, em entrevista à Rádio Tupi nesta sexta-feira (18), que cinco ministros do STF estariam ligados, "direta ou indiretamente", ao caso do Banco Master.
  • Ele não apresentou provas nem listou os nomes; citou explicitamente apenas Moraes e Toffoli, e fez referência indireta a Nunes Marques.
  • O presidente disse que a Corte precisa "resolver esse problema" antes de discutir uma reforma do Judiciário, que voltou a defender.
  • Lula deu um tom eleitoral à fala: associou o Master ao governo Bolsonaro e atacou o senador Flávio Bolsonaro, seu adversário na corrida.
  • Contexto: o STF vive uma crise interna após mensagens do celular de Vorcaro; a imprensa aponta contatos com até seis ministros, em circunstâncias distintas. Ninguém foi condenado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista à Rádio Tupi nesta sexta-feira (18), que está preocupado com a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e disse haver cinco ministros da Corte ligados, "direta ou indiretamente", ao caso do Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de fraudes. O presidente não apresentou provas nem citou todos os nomes, e usou a declaração para defender uma reforma do Judiciário.

O que disse o presidente

"Eu me preocupo, porque nós vamos ter que discutir como é que a gente vai consertar isso. Como a gente vai consertar a Suprema Corte?", afirmou Lula. Para o presidente, a mudança estrutural que ele defende no Judiciário depende de antes equacionar o episódio: "É preciso ter uma reforma no Poder Judiciário. Mas, antes de fazer essa reforma, nós temos que resolver esse problema. Você tem cinco ministros ligados direta ou indiretamente."

Embora tenha falado em cinco ministros sem listá-los, Lula citou nominalmente apenas Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — dizendo que "ninguém está defendendo" os negócios deles com o Master — e fez referência indireta a Kassio Nunes Marques, sem nomeá-lo, ao mencionar uma reportagem sobre um suposto encontro pago. "Saiu até uma matéria: um cidadão que esteve com uma mulher que custou R$ 10 mil e ainda não pagou, mandou o banco pagar. É essa baixaria que tem que acabar na política", declarou.

O presidente também sugeriu que ainda há mais a vir à tona, afirmando que o ministro André Mendonça, ex-relator do caso, teria "segurado" informações — e que outros ministros e parte da imprensa já teriam acesso ao material.

A divergência dos números — e por que cada caso é diferente

Vale um esclarecimento que a fala do presidente não faz. Lula falou em cinco ministros, mas não apresentou a lista nem afirmou que todos são investigados. O material que circula na imprensa, por sua vez, menciona até seis ministros — e é fundamental frisar que as circunstâncias são completamente distintas entre si. Citação em mensagens de terceiros não equivale a envolvimento, muito menos a crime. Nenhum dos seis foi formalmente acusado, e não há condenação.

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Vale detalhar em que contexto cada nome apareceu, segundo as reportagens:

  1. Alexandre de Moraes: é o centro da crise atual. O material aponta que sua mulher teria atuado como consultora jurídica do Master, e o Plenário chegou a discutir a abertura de investigação sobre sua relação com Vorcaro.
  2. Dias Toffoli: foi relator do caso Master no STF e deixou a relatoria; as reportagens tratam de sua atuação no processo.
  3. Kassio Nunes Marques: o nome que aparece com mais frentes — o voto no caso da Destilaria Alcídia, os repasses à consultoria ligada ao filho, a hospedagem no Carnaval e a menção a um suposto encontro pago. Ele nega tudo.
  4. Luiz Fux: as mensagens indicam que o filho dele teria repassado a Vorcaro um e-mail institucional do STF.
  5. André Mendonça: foi relator da investigação; aparece por um suposto encontro com Vorcaro em um caso sobre cemitérios, que passou a ser apurado.
  6. Gilmar Mendes: aqui a natureza é oposta à dos demais — segundo o próprio material, Vorcaro procurou o ministro em busca de apoio em uma causa bilionária e foi contrariado. Ou seja, aparece como alguém que negou o pedido do banqueiro, não que o atendeu.


Colocar os seis numa mesma lista, sem essas distinções, seria induzir o leitor ao erro: há desde investigação em curso até menção em que o ministro recusou o interlocutor. São situações que não se equivalem.

O ângulo eleitoral

A fala não foi neutra, e é preciso lê-la também pela lente da disputa. Lula é candidato à reeleição, e aproveitou a entrevista para associar o caso ao seu antecessor: "Esse cidadão virou banqueiro no governo Bolsonaro e virou prisioneiro no meu governo", disse, repetindo que o "Master virou banco no governo Bolsonaro". Também atacou o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário, relacionando a família a "milicianos" no Rio — afirmação de teor eleitoral, sem apresentação de provas na entrevista.

O pano de fundo: a crise no Supremo

As declarações ocorrem em meio a um momento de tensão aberta no STF. Após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro, a Corte chegou a cancelar sessões, e ministros trocaram acusações — o episódio mais visível foi Moraes questionar a condução da apuração por André Mendonça. A Polícia Federal investiga se contratos, pagamentos ou relações pessoais entre empresas ligadas ao banqueiro e escritórios relacionados a integrantes do Supremo teriam sido usados para obter influência. A apuração segue em curso.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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