Maioria prefere Brasil mais próximo da China que dos EUA
Levantamento mostra inversão de tendência após tarifaços: 52% defendem aproximação com os chineses, contra 35% que preferem os norte-americanos
📋 Em resumo ▾
- 52% dos eleitores defendem estreitar relações comerciais com a China, contra 35% que preferem os
- Estados Unidos.
- O resultado inverte a tendência registrada em 2025, quando a preferência pelos EUA era majoritária.
- A mudança de percepção coincide com a imposição de sucessivas tarifas pelo governo Trump e a resposta soberana do Brasil.
- Por que isso importa: A opinião pública reflete o impacto prático das guerras comerciais, validando a estratégia de diversificação de parceiros econômicos
Uma nova pesquisa do PoderData revela uma inversão significativa na percepção do eleitorado brasileiro sobre a política externa e o comércio exterior. Motivada pelos sucessivos tarifaços impostos pelo governo do presidente Donald Trump, a maioria da população agora defende uma aproximação comercial maior com a China do que com os Estados Unidos.
A inversão da preferência estratégica
O levantamento, realizado em julho de 2026, aponta que 52% dos entrevistados consideram melhor para o Brasil estreitar as relações comerciais com os chineses. Apenas 35% manifestaram preferência pela manutenção ou ampliação dos laços com os norte-americanos.
Este cenário representa uma guinada completa em relação ao mesmo período de 2025. Naquela época, 59% dos eleitores defendiam a prioridade nas relações com os EUA, enquanto apenas 32% optavam pela China. A mudança não é meramente ideológica, mas uma resposta direta às consequências econômicas das medidas protecionistas de Washington.
"O tarifaço acelerou a aproximação comercial entre Brasil e China, neutralizando a retração provocada pelas tarifas dos Estados Unidos."
O ciclo de tarifas e a resposta soberana
A deterioração da imagem dos Estados Unidos está intrinsecamente ligada à escalada de tensões comerciais. Em julho de 2025, Trump determinou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, justificando a medida com o tratamento dado pelo Supremo Tribunal Federal ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
As tensões se reacenderam em junho de 2026, com a proposta de uma nova tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos, alegando práticas desleais. Em 23 de julho, o representante comercial dos EUA, Jamison Greer, anunciou uma sobretaxa adicional de 12,5%, citando alegações de trabalho escravo na produção de bens enviados ao país.
Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as críticas ao governo norte-americano, reforçando o discurso em defesa da soberania brasileira. Os números do comércio exterior validam essa postura: entre agosto e novembro de 2025, as exportações brasileiras para a China cresceram 28,6%, enquanto as destinadas aos EUA caíram 25,1%.
A rejeição à interferência externa
Além das questões comerciais, a pesquisa também sinaliza uma rejeição à interferência política externa. Quando questionados sobre um possível apoio do presidente Donald Trump a algum candidato à presidência do Brasil, 42% dos eleitores afirmaram que tal endosso teria um impacto negativo na campanha do escolhido.
A relação entre os dois países vive um período de instabilidade, refletindo diferenças político-ideológicas profundas e a aliança histórica de Trump com a família Bolsonaro.
A reflexão sobre a soberania na prática
A guinada na opinião pública oferece uma lição valiosa sobre geopolítica e economia. Quando as ações de um parceiro tradicional se tornam hostis ao desenvolvimento nacional, a sociedade tende a apoiar, pragmaticamente, a busca por novos mercados.
Se a opinião pública já compreende que a dependência de um único mercado é um risco à soberania, até que ponto o Brasil deve acelerar não apenas a diversificação comercial, mas também a integração tecnológica e logística com o bloco asiático? A resposta definirá se o país será um mero espectador das guerras comerciais ou um protagonista de sua própria destinação econômica.
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