Master, INSS, milícia: o que liga Flávio Bolsonaro a cada caso?
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Master, INSS, milícia: o que liga Flávio Bolsonaro a cada caso?

📋 Em resumo
  • Flávio Bolsonaro é investigado formalmente no STF em um caso: o financiamento do filme Dark Horse com dinheiro ligado a Daniel Vorcaro, do Banco Master. A investigação apura suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
  • Nos demais casos, quem é investigado são pessoas próximas a ele. O nome central é o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e alvo de buscas da PF no caso do INSS. Flávio não é investigado nesses casos.
  • Outras conexões vêm do passado: a relação com o miliciano Adriano da Nóbrega e o caso das rachadinhas, que foi arquivado depois que a Justiça anulou as provas.
  • Flávio nega irregularidades em todos os casos e diz ser alvo de perseguição política.
  • Por que isso importa: a 11 dias da eleição, o eleitor precisa saber o que é investigação, o que é suspeita e o que é apenas proximidade
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, chega à reta final da campanha cercado de nomes que aparecem em investigações policiais: um banqueiro preso, um advogado amigo alvo de buscas, um ex-presidente da Alerj preso e um miliciano condenado no caso Marielle. O Painel Político reuniu essas conexões e explica, uma a uma, o que existe de fato, quem é investigado e o que cada envolvido diz.

Como ler esta reportagem: três tipos de ligação

Nem toda ligação tem o mesmo peso. Para não deixar margem a interpretações erradas, separamos as conexões em três tipos:

1. Investigação contra o próprio Flávio. A Justiça autorizou a polícia a investigar o senador. Isso não significa que ele foi acusado formalmente (denunciado) nem condenado. Hoje, isso só acontece no caso Dark Horse.

2. Pessoas próximas investigadas. Amigos, ex-assessores ou aliados de Flávio são alvo da polícia, mas ele próprio não é investigado naquele caso.

3. Citação ou associação. O nome de Flávio aparece em documentos, fotos ou negócios ligados a investigados, sem que isso configure, por si só, suspeita de crime por parte dele.

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Em todos os casos, registramos a versão de Flávio e dos demais citados.

Caso Master: a única investigação que tem Flávio como alvo

O escândalo do Banco Master veio a público no fim de 2025, com a Operação Compliance Zero, da PF, e a liquidação do banco pelo Banco Central. Já foi descrito como a maior fraude bancária da história do país, com indícios de envolvimento de autoridades políticas, servidores do Banco Central e membros do Judiciário. O dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em novembro de 2025 quando tentava deixar o Brasil.

A ligação de Flávio com o caso apareceu em 13 de maio de 2026. Nessa data, vazaram mensagens com a negociação de um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, entre o senador e Vorcaro. Documentos mostram que pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis transferências. O dinheiro era para o Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Uma das conversas é especialmente sensível pela data. Ela ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez e dois dias antes da liquidação do Banco Master.

Para onde foi o dinheiro

Parte do dinheiro teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com as empresas de Vorcaro, para o Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e controlado por aliados do deputado Eduardo Bolsonaro, entre eles o advogado dele, Paulo Calixto.

Quem organizou os pagamentos, segundo a PF, foi Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pela PF como seu principal operador financeiro.

Uma perícia sobre as contas do filme encontrou uma divisão do dinheiro. A produtora no Brasil recebeu US$ 3,7 milhões do Havengate. Outros US$ 9,7 milhões teriam ficado nos Estados Unidos, o que leva o total a US$ 13,4 milhões. A perícia, porém, não teve acesso aos documentos do fundo Havengate.

A produtora, a Go Up Entertainment, deu versões diferentes ao longo do caso. Primeiro negou ter recebido qualquer recurso de Vorcaro. Dias depois, a sócia Karina Ferreira da Gama reconheceu que o banqueiro viabilizou mais de 90% do projeto. Flávio prometeu uma prestação de contas pública sobre o financiamento, mas ainda não apresentou os documentos.

Mapa de conexõesMapa de conexões

A investigação formal

Em 22 de julho, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a investigação contra Flávio. O pedido veio da Polícia Federal e teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A decisão só se tornou pública depois que parte dos documentos do caso Master deixou de ser sigilosa. Segundo o pedido da PF, o objetivo é apurar a possível prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção pelo senador, no financiamento do filme junto ao Banco Master.

Existe ainda uma segunda frente, na qual Flávio não é investigado. A PF deflagrou a Operação Make Up para apurar suspeita de desvio de emendas parlamentares destinadas à produtora do filme. O deputado Mario Frias e a empresária Karina da Gama estão entre os investigados. Frias negou ao STF o repasse de R$ 2 milhões em emendas para o filme.

O que Flávio diz: o senador admitiu ter pedido o dinheiro a Vorcaro. "Era um filho procurando patrocínio", disse. Ele afirma que o valor foi totalmente investido no filme e nega que recursos do fundo tenham ido para Eduardo Bolsonaro. Também sustenta que o financiamento foi inteiramente privado, sem dinheiro público.

Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, e nega todas as irregularidades.

Willer Tomaz: o amigo que aparece em quase todas as frentes

O advogado e empresário Willer Tomaz, amigo pessoal de Flávio, é o personagem que mais aparece nesta reportagem. Ele liga o senador ao caso do INSS, a imóveis, a um contrato de apostas no Rio e a episódios envolvendo Vorcaro.

A operação do INSS. Em 4 de agosto de 2026, a PF cumpriu mandados de busca da Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em aposentadorias. Os policiais estiveram na casa de Willer, no Lago Sul, em Brasília. Flávio já tinha chamado o advogado publicamente de "meu amigo" durante a CPI da Covid, em 2021. Na decisão do ministro André Mendonça, a PF aponta Willer como figura central em um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a PF, ele funcionaria como um "hub financeiro, patrimonial e logístico" de políticos, lavando dinheiro para o senador Weverton Rocha (PDT).

Willer contesta. Ele afirma não ser investigado na operação e diz que foi alvo das buscas apenas por ser dono de um avião usado por Weverton Rocha em uma viagem particular. Flávio não é alvo dessa operação.

As viagens. A PF analisou o celular e os e-mails apreendidos com Willer. O material mostra que Flávio fez ao menos cinco viagens internacionais com o advogado no primeiro semestre de 2025. O roteiro inclui safári na África do Sul, Portugal, França e Flórida. Flávio e Tomaz também atuaram juntos em processos na Justiça, entre eles uma disputa empresarial no STJ com execução de R$ 159 milhões.

Uma das viagens toca o caso Master. Em janeiro de 2025, Flávio, a esposa e as filhas voaram da Flórida para Brasília com o advogado em um jatinho da empresa Prime You, que teve Daniel Vorcaro como sócio até setembro de 2025.

O que dizem: Flávio afirma manter com Willer uma amizade "legítima" e que insinuar irregularidade a partir dela é "mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos". Willer diz que as viagens são privadas e foram pagas com recursos próprios.

Las Vegas: dois episódios diferentes

Os dois episódios em Las Vegas envolvendo Flávio aparecem com frequência no noticiário e costumam ser confundidos.

O primeiro é uma viagem oficial em janeiro de 2020. Ela ocorreu entre 19 e 26 de janeiro e foi admitida por Danilo Trento, diretor da Precisa Medicamentos, em depoimento à CPI da Covid. A Precisa era a empresa investigada no caso da vacina Covaxin. Na época, Flávio admitiu ter viajado a Las Vegas com dinheiro público em "missão oficial", mas negou ter viajado com Trento.

O segundo é um saque em dinheiro vivo. Segundo a Revista Fórum, em 2019 o advogado e Flávio sacaram cerca de R$ 1,5 milhão em espécie nos caixas de um cassino em Las Vegas. À época, os dois disseram que o dinheiro serviria para apostas no cassino.

As duas mansões em Angra dos Reis

Duas mansões diferentes em Angra dos Reis ligam Flávio à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer.

A primeira fica na Ilha Comprida. A mansão, avaliada em R$ 10 milhões, virou centro de uma disputa judicial entre uma empresa ligada ao jogador Richarlison, ex-atacante da Seleção, e a empresa de Willer Tomaz. Flávio foi arrolado como testemunha no processo. A empresa de Richarlison comprou a ilha em 2020. Em 2022, Willer conseguiu a posse do imóvel por meio de uma liminar da Justiça. Segundo relatos reunidos pela imprensa, Flávio conheceu o imóvel em 2020 e demonstrou interesse imediato; Tomaz afirma que o processo transitou em julgado em 2025, com vitória dele.

A segunda é uma mansão de propriedade compartilhada. Segundo o ICL Notícias, Flávio comemorou o aniversário da filha, em fevereiro, em uma mansão em Angra administrada pela Prime You, empresa que teve Vorcaro como sócio entre setembro de 2021 e setembro de 2025. Willer, que é dono de uma das quatro cotas do imóvel, afirmou que o senador usou a casa exclusivamente por causa da amizade entre os dois, sem pagamento, contraprestação ou relação comercial.

O apartamento em São Paulo

A história foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pela revista piauí. Flávio usou durante a campanha em São Paulo um apartamento que havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e que depois foi vendido à empresa de Willer Tomaz.

A cronologia da venda chama atenção. Zettel comprou o imóvel em 17 de abril de 2025 por R$ 5,5 milhões. Menos de dez meses depois, em 10 de fevereiro de 2026, vendeu por R$ 3,5 milhões à empresa de Willer. A transferência foi registrada depois do bloqueio dos bens de Zettel e no mesmo dia em que ele foi preso.

O que dizem: a assessoria de Flávio afirma que ele se hospedou apenas em hotéis da região. Willer diz não conhecer Zettel nem Vorcaro e nega qualquer relação pessoal, comercial ou societária com os dois.

RioPag: o contrato das apostas no Rio

A RioPag foi contratada pela Loterj, a loteria do estado do Rio, para processar depósitos, pagamentos e saques das apostas, em contrato de R$ 32 milhões por 60 meses. A Loterj afirma que a licitação seguiu o edital e foi validada pelo Tribunal de Justiça e pelo Tribunal de Contas do estado.

A ligação com o círculo de Flávio passa por Willer. Ele reconhece ser acionista do fundo que controla a empresa e receber rendimentos dela, mas diz que não exerce cargo de gestão. O caso foi explorado politicamente pelo ministro Guilherme Boulos, mas ele não apresentou provas de que o senador tenha interferido pessoalmente na licitação.

Neste ano, a Justiça do Rio bloqueou bens da empresa. A Loterj acusou a RioPag de reter R$ 20,9 milhões que pertenciam ao estado. Willer reagiu às reportagens que o chamam de "empresa de amigo de Flávio": "A construção 'empresa de amigo de' é um artifício retórico desonesto". Segundo o Metrópoles, a Loterj decidiu encerrar de forma unilateral o contrato que dava à RioPag o monopólio dos pagamentos das casas de apostas credenciadas pelo estado.

Fraude do INSS: a sala que Flávio divide com o "Careca"

A fraude do INSS teria lesado mais de 4,3 milhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado em R$ 2 bilhões. Seu personagem central é Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", que está preso preventivamente desde setembro do ano passado.

A ligação documentada até agora entre Flávio e o Careca é de endereço e de contador, e não de negócios em comum. Segundo o ICL Notícias, a Bravo Grafeno, empresa de capacetes que tem Flávio como sócio, divide o mesmo endereço em Brasília com pelo menos 16 firmas do Careca do INSS. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que já foi sócio da empresa, é o garoto-propaganda da marca. O endereço é a sala 2601 do bloco D do Edifício Connect Towers, em Águas Claras.

O elo seguinte é o contador. Alexandre Caetano dos Reis foi sócio do Careca em uma empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, segundo a PF, e cuidava da contabilidade de empresas ligadas a ele. A irmã dele, Letícia Caetano dos Reis, foi administradora do escritório de advocacia de Flávio. Em 2022, Letícia disse à Agência Pública que chegou ao escritório por indicação de Willer Tomaz, que tem procuração para defender Alexandre na investigação do INSS.

O que Flávio diz: o senador negou em diversas ocasiões qualquer envolvimento com o escândalo do INSS, que começou durante o governo do pai dele. Flávio não é investigado nesse caso.

Adriano da Nóbrega foi morto na Bahia enquanto estava foragidoAdriano da Nóbrega foi morto na Bahia enquanto estava foragido

Adriano da Nóbrega: a história completa

O caso de Adriano Magalhães da Nóbrega é a ligação mais antiga e mais documentada entre Flávio e o crime organizado do Rio. Hoje, ninguém é investigado nela: Adriano morreu em 2020, e o caso das rachadinhas, em que o nome dele aparecia, foi arquivado. Mesmo assim, vale conhecer a história completa.

Quem era. Adriano foi capitão do Bope, o batalhão de operações especiais da PM do Rio. O Ministério Público do Rio passou a apontá-lo como o homem-forte do Escritório do Crime, organização suspeita do assassinato de Marielle Franco. Em 2019, ele foi apontado como líder desse grupo de matadores de aluguel e denunciado por participar de uma milícia em Rio das Pedras.

A homenagem. Quando era deputado estadual, Flávio concedeu a Adriano a Medalha Tiradentes, a maior honraria da Assembleia do Rio. A medalha foi entregue em 2005, quando Adriano estava preso preventivamente, acusado de homicídio. Ele foi absolvido depois nesse processo. Segundo a jornalista Juliana Dal Piva, Jair Bolsonaro e Flávio visitaram Adriano na prisão entre 2004 e 2005.

Os empregos no gabinete. O gabinete de Flávio empregou até novembro de 2018 a mãe e a mulher de Adriano. A ex-mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, trabalhou no gabinete por mais de uma década. Segundo a reportagem da época, Fabrício Queiroz, amigo de Adriano, teria sido o responsável pelas indicações das parentes.

A ligação com as rachadinhas. Na investigação das rachadinhas, os promotores do Rio descreveram as duas parentes de Adriano como funcionárias fantasmas que devolviam dinheiro a Queiroz, e afirmaram que o próprio Adriano também se beneficiou de parte dos recursos. As provas desse caso, porém, foram anuladas depois por decisões do STJ e do STF, e Flávio não foi condenado.

A morte. Adriano morreu em fevereiro de 2020, morto pela polícia na Bahia, quando estava foragido.

O que Flávio diz: na sabatina do Jornal Nacional, em 28 de agosto, Flávio afirmou que Adriano era, na época, um "policial exemplar" e que não pode ser responsabilizado pelo que ele faria anos depois.

A medalha foi entregue em 2005, quando Adriano da Nóbrega estava preso, acusado de homicídio.

Rachadinha, Queiroz, a loja de chocolates e a casa no Lago Sul

Fabrício Queiroz, ex-policial militar, foi assessor de Flávio na Assembleia do Rio. O caso começou em 2018, quando um relatório do Coaf apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz. Segundo os promotores, o dinheiro seria lavado por meio de uma loja de chocolates em um shopping do Rio, uma franquia da Kopenhagen da qual Flávio era sócio.

Em 2020, o Ministério Público denunciou Flávio, Queiroz e mais 15 pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Em novembro de 2021, a Segunda Turma do STF anulou quatro dos cinco relatórios do Coaf que embasavam a denúncia. Antes disso, o STJ já tinha anulado as quebras de sigilo. Depois dessas decisões, o próprio Ministério Público pediu a anulação da denúncia, e o Tribunal de Justiça do Rio arquivou o caso, em maio de 2022.

Em resumo: Flávio foi acusado formalmente, mas o caso foi arquivado por problemas nas provas, e não por decisão sobre culpa ou inocência. Flávio sempre negou as acusações e disse ser vítima de perseguição política.

Em Brasília, a casa de Flávio também entrou no noticiário. Segundo O Globo, ele pagou R$ 5,97 milhões por uma casa no Lago Sul, onde está registrado seu escritório de advocacia, e ao assumir o financiamento, já quitado, declarou renda de advogado e empresário somada ao salário do Senado. A compra não é objeto de investigação.

TH Jóias e Bacellar

TH Jóias e Bacellar

Bacellar e TH Joias: aliados presos por ligação com o Comando Vermelho

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, foi preso em dezembro por decisão do ministro Alexandre de Moraes, sob suspeita de ter vazado informações sigilosas de uma operação contra TH Joias. TH Joias é o apelido do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, apontado pela PF como intermediário na compra de armas para o Comando Vermelho.

Poucos dias depois da prisão, a Assembleia votou pela libertação de Bacellar. Em março de 2026, a Justiça Eleitoral cassou o mandato dele, e no dia 27 daquele mês Moraes mandou prendê-lo de novo. O ministro votou para tornar réus Bacellar, TH Joias e um desembargador federal por obstrução de investigação.

A ligação com Flávio é política. Bacellar seria o candidato de Jair Bolsonaro ao governo do Rio. A Revista Fórum publicou fotos de Flávio com TH Joias e Bacellar e mostrou que o senador confraternizou com TH Joias em um evento em Búzios. Flávio não é investigado nesse caso.

O que dizem os investigados: a defesa de Bacellar afirma que não há provas de participação em crimes e chamou o indiciamento de "arbitrário e abusivo". A defesa de TH Joias nega qualquer vazamento de informações a organização criminosa.

A emenda e o caso Marielle

Robson Calixto Fonseca, o "Peixe", tem papel central no caso Marielle. Ele não tem relação com Paulo Calixto, o advogado do fundo do Dark Horse; os dois só têm o sobrenome em comum. Em sua delação premiada, Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora, afirmou que foi Peixe quem o apresentou aos mandantes do crime e quem providenciou a submetralhadora usada nas mortes. Peixe negou, mas foi condenado em fevereiro a nove anos de prisão por integrar a organização criminosa armada dos irmãos Brazão.

A ligação com Flávio é uma emenda parlamentar. O senador destinou R$ 199.999,79 a um instituto esportivo a pedido de Peixe. A emenda foi negociada em outubro e novembro de 2023 entre Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária no gabinete de Flávio no Senado. Em uma das mensagens, Peixe escreve à assessora: "vê com o nosso senador se consegue nos ajudar". O pagamento ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop) foi feito em 29 de novembro de 2023, segundo o Portal da Transparência. O instituto fica na Taquara, bairro da Zona Sudoeste do Rio que é reduto eleitoral dos Brazão.

Segundo a PF, além dessa emenda, Flávio destinou ao todo cerca de R$ 600 mil à organização investigada. A PF e o Tribunal de Contas da União veem indícios de desvio na aplicação do dinheiro pelo instituto.

O que Flávio diz: a defesa afirma que a destinação foi regular e que a responsabilidade pela execução do dinheiro é de quem o recebeu. O senador disse ainda que os gastos foram comprovados com notas fiscais e que os valores não utilizados foram devolvidos. Flávio não é investigado nesse caso.

"Vê com o nosso senador se consegue nos ajudar", escreveu Peixe, condenado no caso Marielle, à assessora de Flávio.

Cláudio Castro e a Refit

Em maio, a PF cumpriu mandados de busca contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e contra o dono da Refit, Ricardo Magro. A operação, chamada Sem Refino, bloqueou cerca de R$ 52 bilhões em ativos e foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. A Refit é a antiga Refinaria de Manguinhos, acusada de sonegar bilhões em impostos.

Um dos pontos da investigação é uma lei estadual. A Lei Complementar 225/2025, de autoria de Castro, ficou conhecida como "Lei Ricardo Magro" porque, segundo a PF, suas condições se encaixavam perfeitamente nos interesses do grupo Refit.

A ligação com Flávio, mais uma vez, é política. Segundo a Revista Fórum, Castro era o nome de Flávio para disputar o Senado pelo Rio. Flávio não é alvo dessa operação, e o Painel não encontrou documento que o ligue diretamente à Refit.

O "Faraó dos Bitcoins": Flávio como advogado

Aqui a ligação é profissional: Flávio atuou como advogado de investigados, o que é uma atividade legal.

Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó dos Bitcoins", foi preso em agosto de 2021 na Operação Kryptos, da PF, do MPF e da Receita Federal, acusado de operar um esquema de pirâmide financeira. Segundo O Globo, Flávio atuou na defesa de dois ex-sócios de Glaidson presos em 2021. O caso mais recente foi um habeas corpus para tentar encerrar a ação penal contra os dois, que foi negado no STJ.

O que cada caso significa, em resumo

Investigação formal contra Flávio: apenas o caso Dark Horse/Master, no STF, por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Não há denúncia nem condenação.

Pessoas próximas investigadas, sem investigação contra Flávio: Willer Tomaz (INSS), Bacellar e TH Joias (Comando Vermelho), Cláudio Castro (Refit), Peixe (caso Marielle, já condenado) e Fabiano Zettel (Master).

Casos encerrados: as rachadinhas (arquivadas em 2022 depois da anulação das provas) e o caso Adriano da Nóbrega (morto em 2020).

Associações sem suspeita contra Flávio: a sala dividida com empresas do Careca do INSS, o uso de imóveis de Willer e a atuação como advogado de ex-sócios do Faraó.

A pergunta que fica

Nenhuma dessas ligações, isolada, prova crime de Flávio Bolsonaro, e o próprio STF só o investiga em um dos casos. Mas o conjunto revela um padrão: o mesmo amigo, Willer Tomaz, aparece no avião de Vorcaro, no imóvel de Zettel, nas mansões de Angra, no contrato das apostas e na investigação do INSS.

Flávio chama isso de amizade. A PF chama Willer de "hub financeiro". A pergunta que o eleitor leva às urnas em 4 de outubro é qual das duas versões vai se sustentar quando as investigações terminarem, e se ele está disposto a esperar por essa resposta.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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