Mendonça solta um dos investigados na fraude do INSS, filho do "Careca do INSS"
Ministro do STF substituiu a prisão de Romeu Antunes por tornozeleira e outras medidas, contrariando a PGR; é a terceira soltura que ele concede no caso em dois dias
📋 Em resumo ▾
- O ministro André Mendonça (STF) determinou nesta quarta (9) a soltura de Romeu Carvalho Antunes, filho do lobista conhecido como "Careca do INSS".
- Romeu estava preso desde dezembro de 2025 na Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
- A prisão foi substituída por tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte, proibição de deixar Brasília e de contatar investigados e testemunhas.
- A decisão contrariou a PGR, que defendia manter a prisão.
- Por que isso importa: é a terceira soltura concedida por Mendonça no caso em dois dias, em meio à crise que o opõe a outros ministros do STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou nesta quarta-feira (9) a soltura de Romeu Carvalho Antunes, filho do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes — conhecido como o "Careca do INSS", apontado como um dos pivôs do suposto esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Romeu estava preso desde dezembro de 2025 no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga as fraudes praticadas na autarquia.
Em vez da prisão preventiva, o ministro impôs um conjunto de medidas cautelares: uso de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte, proibição de deixar os limites de Brasília e veto a manter qualquer contato com outros investigados ou testemunhas da operação.
O argumento do ministro
No despacho, Mendonça sustentou que a prisão integral já não seria necessária na mesma intensidade. "No caso de Romeu, entendo que a segregação física integral não mais se mostra necessária na intensidade anteriormente reconhecida", escreveu. O ministro afirmou que a decisão levou em conta, de forma combinada, o estágio já alcançado pela investigação, a possibilidade de controle objetivo dos deslocamentos do investigado por meio eletrônico, sua retirada dos ambientes institucionais ligados aos fatos apurados, a proibição de falar com investigados e testemunhas e a manutenção de seu vínculo à jurisdição nacional.
A decisão, porém, foi na contramão do que pedia a acusação: a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado pela manutenção da prisão.
A terceira soltura em dois dias
A liberação de Romeu não é um ato isolado. Na terça-feira (8), Mendonça já havia decidido soltar outros dois investigados na mesma operação — o ex-procurador do INSS Virgílio Antônio de Oliveira Filho e o ex-contador da Conafer Samuel Crisóstomo do Bomfim Junior —, ambos igualmente transferidos para o monitoramento por tornozeleira eletrônica. Em dois dias, portanto, o ministro soltou três investigados na Operação Sem Desconto.
O momento dá relevância extra às decisões. Mendonça é, ao mesmo tempo, o ministro no centro da crise institucional que divide o STF — relator das apurações do Banco Master e protagonista do embate que envolveu o afastamento e a reintegração da cúpula da Polícia Federal nesta semana. As solturas na Operação Sem Desconto acontecem justamente enquanto sua atuação como relator de investigações sensíveis está sob escrutínio dos colegas e da opinião pública.
O que está em jogo na Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto apura um esquema de descontos aplicados sem autorização em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS — cobranças associativas debitadas de quem não pediu, que teriam desviado recursos de segurados em escala nacional. O "Careca do INSS", pai de Romeu, é apontado como uma das figuras centrais do suposto esquema de lobby e intermediação.
Vale o registro de rigor: soltura não é absolvição nem arquivamento. Romeu segue investigado e responde ao processo em liberdade monitorada — as medidas cautelares (tornozeleira, proibição de contato, retenção de passaporte) mantêm o controle sobre ele enquanto a apuração avança. A decisão altera a forma da custódia, não o mérito das acusações, que ainda serão julgadas.
O Painel Político acompanha os desdobramentos da Operação Sem Desconto e da atuação de Mendonça, e atualizará a cobertura conforme a investigação e a crise no STF evoluam. A pergunta que fica é de fundo: num momento em que cada decisão do ministro é lida também pela lente do conflito interno da Corte, até que ponto atos processuais legítimos passam a ser inevitavelmente interpretados à luz da guerra política que ele protagoniza?
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