MPRJ realiza perícia independente em vítimas da Operação Contenção: Transparência após maior massacre cometido pela polícia no Brasil
Em meio a 121 mortes nos complexos da Penha e do Alemão, o Ministério Público do Rio garante acolhimento e investigação autônoma, cumprindo decisões da Corte Interamericana e do STF

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por intermédio da Subprocuradoria-Geral de Direitos Humanos e Proteção à Vítima (SUBDH), marcou presença no Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, localizado na zona portuária do Rio, nesta quinta-feira (30 de outubro de 2025). A ação visou realizar perícia independente nos corpos das vítimas da Operação Contenção, ao mesmo tempo em que oferecia suporte emocional aos familiares enlutados durante a liberação dos restos mortais. Essa iniciativa surge em um contexto de profunda comoção e controvérsia, após a operação conjunta das polícias Civil e Militar, deflagrada na terça-feira (28), resultar em 121 mortes – o número mais alto registrado em uma ação policial na história do Brasil, superando até o massacre do Carandiru, em 1992, com 111 vítimas.
A Operação Contenção, orquestrada pelo governo estadual sob o comando do governador Cláudio Castro (PL), mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças de segurança para combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O alvo principal era a cúpula da facção, incluindo o líder Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, apontado como o número dois do CV em liberdade e responsável por uma estrutura de controle armado e torturas na região, conforme denúncia que embasou a ação. Apesar do planejamento, documentos revelam que a operação vazou horas antes do início, por volta das 5h, permitindo que criminosos se preparassem com barricadas incendiadas, uso de drones para lançar explosivos contra policiais e fuga pela mata densa que liga as comunidades.
O balanço oficial aponta 117 mortos entre suspeitos, 113 prisões – incluindo 33 de outros estados como Amazonas, Ceará e Pará – e a apreensão de 91 fuzis, elevando o total anual de armas capturadas no Rio para 686.
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