Operação Fluxo Oculto: Fintechs movimentaram R$ 26 bilhões e acendeu alerta
Ministro Dario Durigan revela que seis fintechs movimentaram recursos ilegais. Investigação usa dados da Receita Federal e foca em asfixia financeira do crime
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- A Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Carbono Oculto, identificou R$ 26 bilhões em movimentações suspeitas em seis fintechs.
- O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou o uso de criptoativos para lavagem de dinheiro e ligação com o crime organizado.
- As investigações foram possibilitadas pelos dados da E-Financeira, cujo acesso havia sido restringido anteriormente por pressão política.
- Ações policiais ocorrem na Avenida Faria Lima, em São Paulo, alvo de buscas conjuntas da Receita, MP e Polícias Civil e Militar.
- Por que isso importa: A operação demonstra a eficácia do cruzamento de dados fiscais no combate ao crime financeiro e expõe a vulnerabilidade do sistema de pagamentos digital.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou nesta quinta-feira (28) que a Operação Fluxo Oculto, deflagrada hoje como desdobramento da investigação Carbono Oculto, identificou uma movimentação total de R$ 26 bilhões em apenas seis instituições de pagamento (fintechs) nos últimos anos. O volume expressivo de recursos acende um sinal de alerta para os órgãos de inteligência financeira do país.
Segundo Durigan, a investigação comprovou o uso sistemático de criptoativos para fins de lavagem de dinheiro, integrando o ecossistema do crime organizado ao mercado formal de combustíveis e serviços financeiros. A operação conta com a participação das Polícias Civil e Militar de São Paulo, do Ministério Público Estadual e da Receita Federal, com buscas concentradas na Avenida Faria Lima, centro nervoso do setor financeiro na capital paulista.
A "asfixia financeira" do crime organizado
Para o ministro, a estratégia moderna de combate ao crime não passa apenas pela prisão de executores, mas pelo estrangulamento de seus fluxos de caixa. “A gente espera avançar no combate ao crime organizado, da maneira que importa, da maneira inteligente, que é fazendo asfixia financeira, identificando as pessoas que abastecem de fato essa granada das organizações criminosas”, afirmou Durigan à imprensa.
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"Identificamos as pessoas que abastecem de fato essa granada das organizações criminosas."
A revelação dos R$ 26 bilhões evidencia a capilaridade que o crime organizado alcançou dentro do sistema financeiro digital. Ao utilizar fintechs e moedas virtuais, as facções conseguem diluir a origem dos recursos provenientes de atividades ilícitas, como o roubo de carga e a adulteração de combustíveis, temas centrais da operação mãe, a Carbono Oculto.
O papel crucial da E-Financeira
Um ponto destacado pelo ministro foi a origem das informações que levaram à descoberta do esquema. As irregularidades nas seis fintechs foram detectadas graças aos dados prestados via E-Financeira, declaração obrigatória enviada à Receita Federal por instituições financeiras.
Durigan fez questão de contextualizar politicamente a importância desse instrumento: “Essa nova fase da Carbono Oculto, cujo nome é Fluxo Oculto, foram identificadas graças às informações prestadas via E-Financeira, a declaração para Receita Federal, que em razão de deputados, influencers da direita foram sendo impedidas de serem realizados durante um tempo”, comentou.
A fala refere-se ao período recente em que houve tentativas legislativas e pressões políticas para limitar o compartilhamento de dados bancários com o fisco, sob alegação de quebra de sigilo ou excesso de burocracia. Para a Fazenda, a manutenção e o aprimoramento desses canais de transparência são vitais para a segurança nacional e o combate à impunidade financeira.
Buscas no coração financeiro de SP
A deflagração da Operação Fluxo Oculto marca um novo capítulo na investigação que começou focada no mercado de combustíveis. Agora, o escopo se amplia para entender como o dinheiro ilegal é integrado à economia lícita através de instituições de pagamento e investimento.
As equipes policiais cumprem mandados de busca e apreensão em escritórios de alta sofisticação na região da Faria Lima. O objetivo é coletar documentos digitais e físicos que comprovem a estrutura societária utilizada para ocultar os beneficiários finais dos recursos movimentados.
Com a confirmação do uso de criptoativos, a tendência é que a investigação se internacionalize, buscando rastrear carteiras digitais em exchanges estrangeiras. O caso testa a capacidade do Estado brasileiro de regular e monitorar ativos descentralizados, que muitas vezes servem de refúgio para capitais de origem criminosa.
A operação deixa claro que a fronteira entre o crime tradicional e o cibercrime financeiro está dissolvida. Se o combustível era a mercadoria física adulterada, o dado financeiro é agora a prova material que pode levar à condenação das cabeças do esquema. Resta saber se a estrutura regulatória atual será suficiente para fechar as brechas que permitiram a circulação de bilhões sem detecção prévia.
Versão em áudio disponível no topo do post.