PAC libera R$ 34,9 milhões para modernizar aeroporto de Ji-Paraná, RO
Parceria entre União e estado prevê novo terminal e melhorias viárias em 18 meses; obra beneficia 500 mil habitantes da macrorregião central de Rondônia
📋 Em resumo ▾
- Governo federal e estadual firmam investimento de R$ 34,9 milhões para obras no aeroporto de Ji-Paraná
- Novo terminal terá 2.584 m² e capacidade para 240 passageiros por hora de pico
- Recursos do Novo PAC e contrapartida estadual prevêem conclusão em 18 meses
- Estratégia integra aeroporto de Ji-Paraná a um plano maior de quatro terminais em Rondônia
- Por que isso importa: infraestrutura aeroportuária é gargalo histórico para escoamento produtivo e integração logística no Norte do país
O Ministério de Portos e Aeroportos assinou nesta quinta-feira (21) a ordem de serviço para as obras de ampliação do aeroporto de Ji-Paraná (RO). Com investimento de R$ 34,9 milhões, o projeto prevê novo terminal de passageiros e melhorias no acesso viário — medida que impacta diretamente a logística regional e o desenvolvimento socioeconômico do interior de Rondônia.
O que muda com o novo terminal de Ji-Paraná
O projeto contempla a construção de um terminal com 2.584 m² de área construída, seis balcões de check-in, cinco balcões de atendimento comercial e três posições de embarque. A estrutura terá capacidade para atender até 240 passageiros nos horários de pico, segundo dados do ministério.
Além do terminal, o contrato inclui intervenções no sistema viário de acesso: terraplenagem, pavimentação, drenagem e sinalização. O prazo estimado para conclusão é de 18 meses.
"Quando Congresso Nacional, governo estadual e governo federal trabalham juntos, conseguimos destravar projetos importantes e levar mais desenvolvimento para a população por meio da infraestrutura aeroportuária", afirma Tomé Franca, ministro de Portos e Aeroportos.
Divisão de recursos e papel do Novo PAC
Do total de R$ 34,9 milhões, R$ 25 milhões serão aportados pela União, com contrapartida de R$ 9,9 milhões do governo de Rondônia. Os recursos estão vinculados ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), que prioriza investimentos em infraestrutura regional.
A divisão de responsabilidades entre entes federativos reflete uma estratégia recorrente no atual modelo de financiamento de obras públicas: a União assume a maior parte do investimento, enquanto estados e municípios entram com contrapartidas e gestão local.
Para o ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Casa Civil, José Guimarães, obras como a de Ji-Paraná impulsionam o desenvolvimento do interior. "Um país com as dimensões continentais como o nosso, só avança com uma infraestrutura completa. Para isso, é preciso haver parceria entre o ente público e a esfera privada. O crescimento sustentável do Brasil passa, portanto, pelas parcerias público-privadas", destacou.
Ji-Paraná como hub logístico do Centro de Rondônia
Localizado no centro geográfico de Rondônia, Ji-Paraná é o segundo município mais populoso do estado e concentra um distrito industrial em expansão. A cidade se destaca na pecuária bovina e na produção leiteira, atividades que dependem de escoamento eficiente para mercados externos.
"É um momento histórico para nós, já que a população aguarda por essa obra há muito tempo. São 16 municípios em volta da macrorregião de Ji-Paraná, que somam mais de 500 mil habitantes. Quem ganha é a população com essa união de forças", celebra Affonso Cândido, prefeito de Ji-Paraná.
A obra, portanto, não se restringe ao município-sede: seu impacto se estende a uma rede de cidades que compartilham a mesma bacia logística.
AmpliAR e a estratégia federal para aeroportos regionais
A intervenção em Ji-Paraná integra um movimento mais amplo. Durante a cerimônia, o ministro Tomé Franca anunciou que quatro aeroportos de Rondônia recebem verbas federais: além de Ji-Paraná, os terminais de Cacoal, Vilhena e Ariquemes também são contemplados — estes três por meio do programa AmpliAR, que incentiva investimentos privados em aeroportos regionais.
"É uma forma muito inteligente de fazer com que grandes operadores migrem para áreas com menos atratividade econômica. Agora, é possível desenvolver demandas nesses terminais, ampliando a integração nacional também com a contribuição do PAC", avalia Roberto Garibe, secretário especial do PAC na Casa Civil.
A combinação entre recursos diretos do PAC e incentivos do AmpliAR sugere uma tentativa de superar um gargalo histórico: a sustentabilidade operacional de aeroportos regionais, que frequentemente dependem de subsídios para manter rotas comerciais viáveis.
O que fica como pergunta estratégica
A modernização do aeroporto de Ji-Paraná representa mais do que uma obra de infraestrutura: é um teste de capacidade de articulação federativa e de planejamento logístico de longo prazo. Se executada dentro do prazo e com gestão eficiente, a intervenção pode servir de modelo para outros terminais do interior norte.
Mas a infraestrutura física é apenas uma etapa. Resta saber se a ampliação da capacidade operacional será acompanhada por políticas de atração de novas rotas aéreas e por investimentos complementares em conectividade terrestre — fatores determinantes para que o investimento se traduza, de fato, em desenvolvimento regional.
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