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Pai mata filhas de 3 e 5 anos e se entrega à polícia em SP

Breno de Souza Castro, 24 anos, confessou o crime no 48º DP de Cidade Dutra; mãe das vítimas relatou ameaças por telefone desde a véspera do Dia dos Pais.

Pai mata filhas de 3 e 5 anos e se entrega à polícia em SP
📷 reprodução
📋 Em resumo
  • Breno de Souza Castro, 24 anos, foi preso em flagrante neste domingo (9) após confessar ter matado as filhas de 3 e 5 anos no Jardim Guanabara, Zona Sul de São Paulo
  • Ele se apresentou por conta própria ao 48º Distrito Policial de Cidade Dutra e indicou à polícia o endereço onde estavam os corpos
  • Segundo a mãe das crianças, o pai as buscou no sábado (8) e, a partir daí, passou a fazer ligações com ameaças
  • Caso foi registrado no 101º DP (Jardim das Imbuias) e aguarda laudos do IML e do Instituto de Criminalística
  • Por que isso importa: o caso reabre o debate sobre falhas na rede de proteção a vítimas de violência doméstica, já que ameaças anteriores a um crime letal são um padrão recorrente em feminicídios e filicídios no Brasil.
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Um homem de 24 anos foi preso em flagrante na manhã deste domingo (9), Dia dos Pais, suspeito de matar as próprias filhas, de 3 e 5 anos, dentro de um carro no bairro Jardim Guanabara, na Zona Sul de São Paulo. Breno de Souza Castro foi preso por volta das 6h deste domingo, também acusado de violência doméstica. O crime ocorreu horas depois de o pai buscar as crianças na casa da mãe, no sábado (8).

Confissão espontânea muda o rumo da investigação

Diferente do padrão de casos em que a polícia chega ao suspeito, aqui foi o próprio Breno quem se apresentou às autoridades. Segundo a Polícia Militar, ele se dirigiu ao 48º Distrito Policial, em Cidade Dutra, e declarou ter matado as filhas, indicando o endereço na Rua Luiz Supertti onde as crianças estariam. A guarnição foi até o local e encontrou as duas crianças já sem vida.

A apresentação voluntária poupou a polícia de uma busca ativa, mas não altera a tipificação do crime: trata-se de prisão em flagrante por homicídio, com o agravante da relação de parentesco e da condição de vulnerabilidade das vítimas. Breno de Souza Castro foi preso após matar as filhas de 3 e 5 anos, e policiais militares foram acionados para atender a ocorrência.

Ligações com ameaças na véspera do crime

De acordo com o relato da mãe das vítimas à polícia, Breno buscou as duas filhas no sábado (8) — uma visita que, em princípio, seguia um acordo de convivência entre os pais. A partir desse momento, ainda segundo o depoimento da mulher, o pai passou a fazer ligações telefônicas com ameaças, num intervalo de poucas horas antes da confissão do crime na manhã seguinte.

Segundo o relato da mãe das crianças à polícia, o pai fez ligações com ameaças após buscar as filhas no sábado — um dia antes de confessar o duplo homicídio.

A sequência de fatos — busca das crianças, ameaças por telefone e confissão do crime horas depois — reproduz um padrão documentado em casos de violência doméstica letal no Brasil: o rompimento ou a tentativa de controle sobre a ex-companheira frequentemente precede episódios de violência extrema contra os filhos, usados como instrumento de punição contra a mãe.

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Carro danificado e exames periciais em andamento

Um vídeo obtido pela imprensa mostra o momento em que Breno estaciona o veículo em via pública horas antes de se apresentar à polícia. As imagens mostram o vidro traseiro quebrado e o airbag acionado, e o carro foi mais tarde localizado pela polícia. Os danos no automóvel ainda não tiveram causa esclarecida pelas autoridades.

Uma fotografia do suspeito obtida pela reportagem mostra que ele tem tatuado no peito o nome da filha mais velha, um detalhe que passou a circular nas redes sociais horas após a prisão. A Polícia Civil solicitou exames periciais ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML), e o caso foi registrado no 101º Distrito Policial, no Jardim das Imbuias, informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Um padrão que os números confirmam

O caso de São Paulo se insere num quadro nacional de violência letal contra crianças pequenas que cresce enquanto a violência letal contra adolescentes recua. O número de crianças de até 4 anos vítimas de violência letal aumenta no Brasil, o que traz um sinal de alerta, segundo levantamento do UNICEF e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O mesmo estudo aponta que, diferente dos adolescentes, que morrem majoritariamente por violência urbana fora de casa, crianças morrem, com frequência, em decorrência da violência doméstica, perpetrada por um agressor conhecido.

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação mostram que, na violência física doméstica contra menores, pai e mãe são os agressores mais frequentes, respondendo por 41,13% e 39,84% dos casos, respectivamente. O mesmo levantamento aponta que a faixa etária de zero a 4 anos concentra a maior taxa de violência física doméstica entre crianças do sexo masculino, com 232 casos por 100 mil habitantes.

No campo da violência contra a mulher — pano de fundo recorrente em crimes contra os filhos usados como retaliação —, a Nota Técnica sobre feminicídios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela uma fragilidade estrutural da rede de proteção: de 1.127 feminicídios registrados no país, 148 mulheres (13,1%) foram mortas mesmo tendo uma Medida Protetiva de Urgência vigente, o que indica que a proteção judicial não foi suficiente para evitar o desfecho letal em parte dos casos. Não há informação, até o momento, sobre se a mãe das vítimas em São Paulo havia buscado alguma medida protetiva antes do crime.

O que vem a seguir

Breno de Souza Castro permanece preso em flagrante e deve ser autuado por homicídio duplamente qualificado, dada a condição de vulnerabilidade das vítimas e a relação de parentesco. Os laudos do IML devem apontar a causa da morte das crianças, enquanto o Instituto de Criminalística deve examinar o veículo e o local onde os corpos foram encontrados, na Rua Luiz Supertti.

O inquérito, agora sob responsabilidade do 101º Distrito Policial, deverá reconstituir com precisão a linha do tempo entre a busca das crianças no sábado, as ligações de ameaça relatadas pela mãe e a confissão feita na manhã de domingo — elemento central para determinar se houve premeditação e se sinais de risco poderiam ter sido identificados a tempo.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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