PM que matou homem por furto de sabão é preso em São Paulo
Policial disparou 11 tiros pelas costas contra vítima desarmada que havia furtado produtos de higiene; caso gerou protestos contra violência policial

Em um desenvolvimento significativo de um caso que chocou São Paulo, o policial militar Vinicius de Lima Britto, acusado de matar Gabriel Renan da Silva Soares, 26 anos, com 11 tiros nas costas após um furto de sabão, foi preso e se tornou réu por homicídio qualificado. O caso, que ocorreu em 3 de novembro de 2024, expôs mais um episódio preocupante de violência policial no estado.
Histórico do Caso
3 de novembro de 2024
Gabriel Renan tenta furtar quatro pacotes de sabão de uma unidade do Oxxo no Jardim Prudência
Um PM de folga efetua 11 disparos pelas costas contra a vítima
O caso é registrado inicialmente como "morte por intervenção policial"
4 de novembro de 2024
Família descobre o ocorrido ao procurar por Gabriel, que não havia retornado para casa
Familiares questionam a versão oficial apresentada no boletim de ocorrência
29 de novembro de 2024
Imagens das câmeras de segurança são finalmente enviadas aos investigadores
Vídeos contradizem a versão do policial sobre legítima defesa
Dezembro de 2024
Ministério Público de São Paulo pede a prisão preventiva do policial
PM é denunciado por homicídio qualificado
Acusado é preso e encaminhado ao Presídio Romão Gomes
Contradições do Caso
O policial alegou inicialmente que:
A vítima estava armada
Gabriel teria colocado a mão dentro da blusa
Teria afirmado estar armado
No entanto, as imagens de segurança revelaram que:
Gabriel estava desarmado
Foi atingido pelas costas sem chance de defesa
Não houve qualquer reação violenta da vítima
Segundo o promotor Rodolfo Justino Morais, o crime foi qualificado por motivo torpe e pela impossibilidade de defesa da vítima. O promotor destacou ainda o "dolo exacerbado e brutalidade" na ação do policial, que utilizou uma arma da corporação para cometer o crime.
A família da vítima, representada pela tia e advogada Fátima Taddeo, revelou que Gabriel era usuário de drogas e estava tentando se recuperar do vício. O caso soma-se a outros episódios de violência policial em São Paulo, gerando protestos e aumentando a pressão sobre o governo estadual para conter os excessos das forças de segurança.
