Polícia da Itália busca 2 turistas que viram a morte de brasileira em Veneza
Perícia aponta que o táxi aquático corria a quase o dobro do permitido. Polícia procura dois turistas americanos que estavam a bordo; taxista diz que não viu o barco do casal
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- A polícia italiana procura dois turistas americanos que estavam no táxi aquático da colisão que matou a brasileira Gabriella Querino, de 26 anos, e o marido, o italiano Sean Michieli, em Veneza.
- As primeiras perícias apontam que o táxi corria a quase 40 km/h num trecho de limite de 20 — a principal linha de explicação para a tragédia.
- O taxista, um veneziano de 38 anos, é investigado por homicídio náutico e afirma não ter visto o barco do casal.
- O corpo de Gabriella foi encontrado na terça, três dias após o acidente; sua mãe e irmã chegaram do Brasil com passagens pagas por vaquinha.
- Por que isso importa: o caso expõe os riscos do tráfego em alta velocidade dos táxis que servem o aeroporto de Veneza.
A polícia da Itália procura dois turistas americanos que estavam a bordo do táxi aquático envolvido na colisão que matou a brasileira Gabriella Querino, de 26 anos, e o marido, o italiano Sean Michieli, de 25, em Veneza. Segundo a emissora RAI e a imprensa italiana, os dois passageiros deixaram o local em outro táxi logo após o acidente e seguiram viagem — e seu depoimento é considerado fundamental para reconstituir a dinâmica da tragédia, ocorrida na madrugada de sábado (12) no canal de Tessera.
O dado que explica a tragédia: velocidade
O elemento mais revelador surgiu das primeiras perícias. Segundo o jornal Il Gazzettino, os laudos sobre a pequena embarcação indicam que o táxi aquático viajava a quase 40 km/h num trecho onde o limite é de 20. O canal de Tessera, na borda norte da lagoa, a poucos passos do aeroporto Marco Polo, é habitualmente percorrido por táxis que levam passageiros ao terminal em alta velocidade.
A dinâmica descrita pelos investigadores é brutal. O táxi — uma embarcação de cerca de 40 toneladas — teria surgido de repente e atingido o barquinho do casal de forma perpendicular, na lateral traseira esquerda, perto do posto de pilotagem. O impacto partiu a lateral da embarcação, feriu gravemente Sean e arremessou Gabriella, que estava sentada à frente, para fora do barco.
O taxista: "Só ouvi o baque"
O condutor do táxi, um veneziano de 38 anos, é investigado por homicídio náutico e foi submetido a exames toxicológicos. Segundo a imprensa italiana, ele contou às autoridades não ter visto nem o barco nem Gabriella antes da colisão: "Eu não a vi. Não vi o barquinho no canal, só senti o baque", teria dito, afirmando ter parado imediatamente após o impacto.
Um detalhe do contexto chama atenção: o taxista trabalhava naquela manhã como substituto, com uma embarcação e uma licença registradas em nome de um colega, e a corrida das 5h rumo ao aeroporto era a primeira do turno. Ainda não há confirmação sobre eventual erro de manobra ou sobre o funcionamento das luzes das embarcações no momento do acidente.
Três dias de buscas até encontrar Gabriella
Sean Michieli foi socorrido em estado gravíssimo e levado ao hospital dell'Angelo, em Mestre, onde teve a morte cerebral declarada no domingo à noite. Gabriella, porém, desapareceu na água. Seguiram-se três dias de buscas intensas, com bombeiros, mergulhadores, helicóptero, carabineiros e guarda costeira — a circulação no canal chegou a ser fechada.
O corpo foi localizado na manhã de terça-feira (15) por um cidadão que o avistou na água, na região da ilha de Campalto, a cerca de dois quilômetros do local da colisão. Uma bolsa com documentos e objetos pessoais de Gabriella, encontrada por mergulhadores perto do ponto do acidente, ajudou a confirmar sua presença a bordo. Um primeiro exame apontou ferimentos compatíveis com o acidente, e a Procuradoria de Veneza determinou autópsia nos dois corpos.
A família e a chegada ao Brasil
A mãe e a irmã de Gabriella desembarcaram na noite de terça no aeroporto Marco Polo, após doze horas de viagem — souberam da localização do corpo durante uma escala em Paris. As passagens do Brasil até a Itália foram pagas com recursos de uma vaquinha, para a qual a própria família de Sean também contribuiu. O casal havia se casado três meses antes.
É preciso registrar, com o cuidado que o caso exige, um ponto levantado pela imprensa italiana: familiares de Gabriella teriam mencionado aos jornais uma discussão entre os noivos na noite de sexta-feira, e os investigadores pretendem ouvi-los para reconstruir as últimas horas antes do acidente. Ainda assim, para os carabineiros, a hipótese principal permanece a de um acidente — versão reforçada, segundo a imprensa local, pelos primeiros resultados da autópsia. Nada, até aqui, aponta para outra causa que não a colisão.
Uma morte que cobra respostas de Veneza
O caso reacende um debate antigo na cidade: o dos táxis aquáticos que cruzam a lagoa em alta velocidade para servir o aeroporto, num trânsito que mistura embarcações turísticas, barcos de moradores e pescadores. Duas vidas jovens — um casal recém-casado — terminaram num trecho de canal onde, segundo a perícia, uma embarcação de 40 toneladas corria ao dobro do permitido, numa madrugada de sábado. O depoimento dos dois americanos que viram tudo pode ser a peça que faltava para transformar a tragédia em responsabilização. A pergunta que fica, para além da dor das famílias, é quantas mortes um canal movido a pressa e velocidade ainda vai exigir antes que algo mude.
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