Políticos ignoram fome em Rondônia
Via Painel Político

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (8) revelou que o número de pessoas que passam fome no Brasil subiu para 33 milhões. O país voltou ao patamar de 30 anos atrás.
O retorno do Brasil ao mapa da fome é o maior legado dos anos de governo do ex-presidente Michel Temer e do atual, Jair Bolsonaro.
A pesquisa realizada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), não causou preocupação nos políticos e gestores de Rondônia, que são responsável pela elaboração de políticas públicas no estado.
Deputados estaduais, federais, senadores, o governo de Rondônia, vereadores e prefeitos, não se pronunciaram sobre o novo mapa da fome no país, que também inclui o estado. O tema não incomodou também entidades como o Ministério Público Estadual ou Federal que tem objetivo de representar os interesses da sociedade.
O PAINEL POLÍTICO monitorou redes sociais, debates nas Casas Legislativas e agendas de vários gestores públicos e percebeu um silêncio sepulcral e falta de preocupação se famílias do estado terão ou não o que comer a cada dia.
Maioria dos políticos com mandato no estado estão apenas preocupados em garantir reeleição ou eleição de seus clãs políticos em 2022. Outro detalhe é que a maioria dos “representantes do povo” com mandato no estado são apoiadores do presidente Bolsonaro. Falar de fome para eles é confirmar incompetência de Bolsonaro para o tema. Todos esses políticos possuem mordomias e salário que fogem do padrão de quem não tem o que comer diariamente.
Famílias de Rondônia são beneficiadas com os programas de transferência de renda como Auxílio Brasil que paga R$ 400 por mês, dinheiro que é insuficiente para manter um lar por 30 dias. O governo de Marcos Rocha, não criou iniciativas eficientes para erradicar pobreza e fome.
Em 2019, o governo estadual lançou um programa para compra de alimentos de produtores rurais que eram doados para 40 associações para atender pessoas em situação de insegurança alimentar. O projeto tinha previsão de atender até 5 mil pessoas, num estado com população estimada em 1.796.460 habitantes, de acordo com as estimativas de 2020 do IBGE.
Enquanto isso, famílias no estado fazem malabarismo para enfrentar alta da inflação, desemprego, falta de moradia, crescimento da violência entre outros problemas sociais. Só em Porto Velho, mais de 400 pessoas vivem nas ruas pedindo em semáforos, segundo dados da prefeitura, mas os números devem ser maiores.
Em Rondônia entre 2017 e 2018, eram 207 domicílios que viviam insegurança alimentar, em níveis leves, moderados ou graves. As mortes por desnutrição chegaram a 137 de 2016 a 2020.
Na região Norte, 4 em cada 10 famílias convivem com as formas mais severas de insegurança alimentar. Ou seja, 45,2% dos moradores da região Norte não tem o que comer por dia.
Fome no Brasil:
A fome atingiu 21,8% dos lares de agricultores(as) familiares e pequenos produtores(as) rurais. Se olharmos para as formas mais severas de insegurança alimentar (moderada e grave), o total chega a 38% dos domicílios – cenário ainda mais preocupante nas regiões Norte (54,6%) e Nordeste (43,6%).
Mesmo quando os rendimentos mensais ficam acima de um salário mínimo por pessoa, a insegurança alimentar é maior nos domicílios onde a pessoa de referência se autodeclara preta ou parda.
Enquanto a segurança alimentar está presente em 53,2% dos domicílios onde a pessoa de referência se autodeclara branca, nos lares com responsáveis de raça/cor preta ou parda ela cai para 35%. Em outras palavras, 65% dos lares comandados por pessoas pretas e pardas convivem com restrição de alimentos.
Nas residências comandadas por pessoas de cor/raça preta ou parda, a segurança alimentar teve uma redução expressiva entre 2020 e 2022, passando de 41,5% para 35%. O contrário aconteceu com a fome, que saltou de 10,4% para 18,1%.
A pesquisa diz que 6 de cada 10 lares comandados por mulheres convivem com a insegurança alimentar. Nas casas em que a mulher é a pessoa de referência, a fome passou de 11,2% para 19,3%. Nos lares que têm homens como responsáveis, a fome passou de 7,0% para 11,9%. Isso ocorre, entre outros fatores, pela desigualdade salarial entre os gêneros.
A fome dobrou nas famílias com crianças menores de 10 anos, passando de 9,4% em 2020 para 18,1% em 2022. Na presença de três ou mais pessoas com até 18 anos de idade no grupo familiar, a fome atinge 25,7% dos lares. Já nos domicílios apenas com moradores adultos a segurança alimentar chegou a 47,4%, número maior do que a média nacional.
A insegurança alimentar moderada e grave cresceu mesmo nos domicílios que recebiam auxílio financeiro dos programas Bolsa Família e Auxílio Brasil. Na faixa de renda de menos de meio salário mínimo por pessoa, a fome é uma realidade para 32,7% das famílias que relataram o recebimento dos benefícios e para 29,4% das que não o receberam.
Por outro lado, em domicílios com pelo menos um(a) morador(a) aposentado(a) pelo INSS houve maior percentual de segurança alimentar (46,5%) e menor de fome (11,9%). A fome é mais frequente (16,7%) em moradias onde não há aposentados.
Há fome em 22,3% dos domicílios com responsáveis com 4 anos ou menos de estudo. Em 2020 esse percentual era de 14,9%.
O maior percentual de segurança alimentar é em domicílios cujos responsáveis têm mais de 8 anos de estudo: 50,6%.
A falta de acesso regular e permanente à água — ou insegurança hídrica — é uma realidade para 12% da população geral brasileira. A insegurança alimentar moderada esteve presente em 22,8% desses lares, e a fome, em 42,0%.
A insegurança alimentar se manifesta em 48,3% dos lares com restrição de acesso à água na região Norte, em 43,0% no Sudeste, em 41,8% do Centro-Oeste e em 41,2% no Nordeste.
Cerca de metade das famílias que reduziram a quantidade comprada de arroz, feijão, vegetais e frutas convivem com a insegurança alimentar moderada ou grave. Nas famílias que deixaram de comprar carnes no período de três meses anteriores à pesquisa, em 70,4% há fome. Dados semelhantes foram encontrados nos lares onde seus moradores não haviam comprado frutas (64%) e vegetais (63,6%).
The post Políticos ignoram fome em Rondônia appeared first on Blog do Painel Político.