Prisão de ex-deputado goiano por estupro de filha de 2 anos choca o país e levanta debate sobre abuso infantil
Iram de Almeida Saraiva Júnior, com histórico político familiar, é detido no Rio de Janeiro após investigação minuciosa da Polícia Civil; cidadania portuguesa eleva temores de fuga

Em uma operação que expõe a fragilidade das barreiras protetoras ao redor das crianças, agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, prenderam na última sexta-feira (26), na Barra da Tijuca, o médico e ex-deputado estadual goiano Iram de Almeida Saraiva Júnior. Acusado de estuprar a própria filha de apenas 2 anos, o suspeito enfrenta prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), motivada pela gravidade dos crimes e pelo risco iminente de fuga – agravado pela cidadania portuguesa do acusado, que poderia facilitar sua saída do país.
A investigação, conduzida pelos delegados Cristiano Maia e Maria Luiza Machado, estendeu-se por mais de seis meses e compilou um robusto conjunto de provas, incluindo depoimentos de testemunhas, laudos médicos e avaliações psicológicas que corroboram o abuso sexual de vulnerável. De acordo com fontes da Polícia Civil, os indícios apontam para atos reiterados, configurando o crime previsto no artigo 217-A do Código Penal, com pena mínima de 8 anos de reclusão, podendo agravar-se em até 12 anos pela condição etária da vítima.
Iram de Almeida Saraiva Júnior, de 50 anos, construiu uma carreira que mesclava medicina e política em Goiás. Formado em Medicina pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ele atuou como vereador em Goiânia entre 1997 e 2000, renunciando ao mandato para assumir como deputado estadual na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) de 1999 a 2003. Sua trajetória política foi impulsionada pelo pai, Iram Saraiva, ex-deputado federal e figura proeminente no cenário goiano nas décadas de 1980 e 1990, filiado ao extinto Partido Democrático Social (PDS) e ao Partido da Frente Liberal (PFL), antecessores do atual Democratas (DEM). Apesar de não haver registros de afiliação partidária recente para Júnior, seu histórico público contrasta brutalmente com as acusações atuais, gerando repercussão em redes sociais e veículos de imprensa regionais.
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