Raízen propõe converter R$ 29 bi em ações em negociação com credores
Maior recuperação extrajudicial da história do Brasil avança em Nova York com proposta que pode alterar controle acionário da gigante de biocombustíveis; entenda os impactos para o mercado
Em resumo
Raízen propõe converter 45% de dívida de R$ 65 bilhões em ações, equivalente a R$ 29 bilhões, em reunião marcada para esta quarta em Nova York
Credores poderiam indicar três dos sete membros do conselho de administração, alterando a governança da empresa controlada por Shell e Cosan
Proposta inclui alongamento de 13 anos para o restante da dívida e injeção de R$ 5 bilhões em novos recursos com cinco anos de carência
B3 já excluiu ações da Raízen do Ibovespa; papéis acumulam queda em 2026 e são negociados abaixo de R$ 1
Por que isso importa: A reestruturação da maior empresa de biocombustíveis do país sinaliza riscos sistêmicos para o setor de agroenergia e pode redefinir o equilíbrio de poder entre controladores e mercado financeiro em operações de grande porte

A Raízen, maior produtora de biocombustíveis do Brasil, e seus principais credores se reúnem nesta quarta-feira em Nova York para discutir uma proposta que pode redefinir o futuro da empresa: converter R$ 29 bilhões de uma dívida total de R$ 65 bilhões em ações da companhia. O movimento, parte do maior pedido de recuperação extrajudicial já registrado no país, protocolado em 11 de março, coloca em xeque não apenas a estrutura de capital da joint venture entre Shell e Cosan, mas também o apetite do mercado para operações de reestruturação no agronegócio brasileiro.
“A proposta prevê a conversão de ao menos 45% da dívida em ações, o que deixaria os credores com até 70% das ações ordinárias da Raízen, caso o papel seja precificado em cerca de 40 centavos”.
Como funciona a proposta apresentada em Nova York
A estrutura apresentada pela Raízen aos credores combina três pilares: conversão de dívida em equity, alongamento de prazo e injeção de capital novo. Do total de R$ 65 bilhões em passivos financeiros, R$ 29 bilhões seriam transformados em participação acionária. O restante da dívida teria seu vencimento estendido em 13 anos, com período de carência de cinco anos para amortizações.
Paralelamente, a empresa busca captar R$ 5 bilhões em recursos frescos via empréstimo, também com cinco anos de carência. No lado dos controladores, Shell e Rubens Ometto, da Cosan, comprometem-se com um aporte de R$ 4 bilhões — sendo R$ 3,5 bilhões da petroleira anglo-holandesa e R$ 500 milhões do empresário brasileiro.
A governança seria reconfigurada: o conselho de administração, hoje com oito membros, passaria a ter sete integrantes. Quatro seriam indicados pelos controladores (Shell e Cosan) e três pelos credores, que também teriam direito a vetos em decisões estratégicas, conforme adiantou o colunista Lauro Jardim, do GLOBO.

Quem são os credores e por que a proposta gera resistência
A lista de credores da Raízen reflete a exposição do sistema financeiro global e nacional ao agronegócio brasileiro. Em ordem de exposição, destacam-se:
Bank of New York Mellon: R$ 26,18 bilhões
True Securitizadora: R$ 7,33 bilhões
Pentágono S.A. Securitizadora: R$ 6,34 bilhões
BNP Paribas: R$ 4,21 bilhões
Banco Santander: R$ 2,25 bilhões
Também figuram na relação Bradesco (R$ 2,08 bilhões), Itaú Unibanco (R$ 1,27 bilhão) e Banco do Brasil (R$ 1,03 bilhão).
A proposta inicial previa conversão de 35% da dívida em ações. O salto para 45% desagradou parte dos credores, que em carta aos acionistas controladores pediram reequilíbrio nos termos, conforme divulgado pelo Valor Econômico e confirmado pelo GLOBO. A resistência reflete um cálculo delicado: aceitar a proposta significa assumir risco acionário em um momento de volatilidade; rejeitar, por outro lado, pode comprometer a recuperação dos créditos em um cenário de insolvência.
Contexto: por que a Raízen chegou à recuperação extrajudicial
A deterioração financeira da Raízen não é um evento isolado, mas o resultado de uma convergência de fatores macroeconômicos e operacionais. Juros elevados no Brasil encareceram o serviço da dívida. Investimentos agressivos em etanol de segunda geração (E2G) ainda não geraram o retorno esperado. E eventos climáticos adversos impactaram a safra de cana-de-açúcar, base da produção de etanol e açúcar da companhia.
“A situação financeira da Raízen se deteriorou com o cenário de juros elevados, altos investimentos que ainda não deram o retorno esperado e problemas climáticos que afetaram a safra de cana”.
O pedido de recuperação extrajudicial, protocolado em 11 de março de 2026, deu à empresa um prazo de 90 dias para obter a adesão de credores que representem pelo menos 60% do valor total de cada classe de crédito. No protocolo inicial, a Raízen informou que credores que detêm cerca de 47% da dívida já haviam aderido ao acordo.
Impactos imediatos e sinais para o mercado
A B3, bolsa brasileira, excluiu as ações da Raízen do Ibovespa e de outros índices de referência logo após o pedido de recuperação extrajudicial, conforme regras internas da bolsa. Os papéis (RAIZ4) acumulam queda expressiva em 2026 e, até a última cotação disponível, eram negociados abaixo de R$ 1.
A reestruturação também avança no front de desinvestimentos. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou recentemente a venda de um ativo de geração distribuída da Raízen para o grupo Gera Energia, operação que integra a estratégia de redução de alavancagem.
Para o agronegócio brasileiro, o caso Raízen funciona como um termômetro: se a reestruturação for bem-sucedida, pode abrir caminho para outras operações de grande porte no setor. Se fracassar, pode elevar o custo de capital para todo o segmento de bioenergia.
O que vem pela frente
Os próximos 90 dias serão decisivos. A Raízen precisa garantir adesão suficiente para validar os novos termos. Credores, por sua vez, avaliam se a proposta de governança — com assentos no conselho e direitos de veto — compensa o risco de assumir participação acionária em um momento de incerteza.
Há ainda uma questão estratégica de longo prazo: a possível separação entre as unidades de açúcar e etanol e os negócios de distribuição de combustíveis. A reestruturação poderia dar mais flexibilidade para discutir esse desmembramento, conforme apontam analistas.
O desfecho das negociações em Nova York não definirá apenas o futuro da Raízen. Será um teste para a capacidade do mercado brasileiro de reestruturar dívidas de grande porte sem judicialização prolongada — e para o equilíbrio de poder entre controladores históricos e investidores institucionais em momentos de crise.
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