Painel Rondônia

“Se defender o direito dos trabalhadores e da Educação é ser politiqueiro, então podem me chamar assim”, diz presidente da Câmara de Vilhena

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Via Painel Político

O presidente da Câmara Municipal de Vilhena, Samir Ali (PODE), esteve na quinta-feira participando de um dos programas de rádio de maior audiência e tradição entre o público local. Sua presença no “Vale Tudo” foi um contraponto a entrevista feita dois dias antes com o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro de Miranda Junior (PODE), com os assuntos em comum a ambos abordados pelos entrevistadores tendo visões opostas.

É o caso da greve de profissionais de nível superior que promoverem greve reivindicando pagamento do piso nacional e a perspectiva da abertura de uma CPI para apurar as finanças do Município.

Antes de começar a colocar sua avaliação destas situações, que na verdade estão interligadas, Samir fez questão de dizer que tem respeito pelo prefeito e até mesmo o considera como um amigo pessoal, além de correligionário. “Porém, isso não impede de termos visões distintas acerca de assuntos da administração municipal e até mesmo divergências, algo comum da democracia e das relações institucionais”. Porém, ao contrário do prefeito, que em determinado momento classificou vereadores que apoiaram os grevistas, o que inclui o presidente, como “politiqueiros”, o presidente não partiu para o ataque, e manteve o debate em nível respeitoso e institucional.

Sobre a questão dos educadores, Samir manteve o apoio aos servidores, e ainda destacou que “se defender o direito dos trabalhadores e da Educação é ser politiqueiro, então podem me chamar assim”. Ele acredita que houve inabilidade do prefeito em lidar com a situação, considerando que Flori em momento algum quis dialogar com os trabalhadores de forma empática, sempre tentando impor sua vontade aos trabalhadores.

O presidente diz entender a situação difícil das finanças do Município, mas acredita que haveria margem para negociação, mas o prefeito sequer fez uma proposta, sempre impondo seu ponto de vista, o que acabou tensionando a situação a tal ponto que acabou virando uma greve. Para Samir, este tipo de confronto com os trabalhadores não é positivo para a administração e cria um clima que vai manter ambos os lados em confronto por muito tempo, o que atrapalha a administração e, evidentemente, a prestação de serviços ao público.

Samir ainda afirmou que é preciso avaliar melhor o argumento apresentado pelo prefeito acerca das finanças municipais estarem no limite do que estabelece a Lei de Responsabilidade Fiscal no que diz respeito a folha de pagamento, “pois se for considerado que a entidade para a qual foi terceirizado o sistema de saúde municipal é responsável pelo pagamento dos funcionários do setor, então há limite sim para se promover reajuste aos educadores”.

O presidente lamentou a crise, considerando que não faz bem para ninguém, e disse que permanece em apoio aos servidores e ao respeito ao que determina o plano de carreiras dessas categorias.

Já a respeito da CPI, Samir tem uma visão diferente de Flori, que declarou em sua entrevista que não é necessário tal procedimento, bastando apenas encaminhar um ofício pedindo informações que sua administração as fornecerá. “Sabemos que não é assim, que há dificuldade em obtermos informações confiáveis, e que a CPI é um instrumento legítimo de investigação e averiguação de fatos que precisam de explicações”.

A fala do presidente decorre do fato da administração do prefeito não atender requerimentos encaminhados pelo plenário e resistir em passar informações solicitadas pelos parlamentares pelas vias institucionais. O presidente se manifestou favorável a abertura do procedimento, e tranquilizou ouvintes que através de mensagens temem que mais uma vez possa haver alguma radicalização que resulte numa crise institucional mais aguda, como tem ocorrido com certa regularidade na cidade.

“CPI não é Comissão Processante, este sim um instrumento que pode acabar afastando o prefeito do cargo e gerando situações que não queremos que se repita. É uma simples investigação que as vezes se faz necessária por circunstâncias, e caso esteja tudo em ordem não há porque o prefeito temer qualquer coisa. O que os requerentes que apresentaram o abaixo assinado que a Câmara recebeu na terça-feira por meu intermédio querem saber é legítimo: eles apenas acham que é preciso haver uma confirmação do que o prefeito fala a respeito das finanças para se esclarecer se não existem mesmo os meios financeiros para que o direito dos trabalhadores seja respeitado”.

Fechando a fala sobre essas questões, Samir diz que o protocolo acerca do pedido de abertura de CPI vai seguir regimentalmente, e que cabe agora a algum parlamentar apresentar o requerimento, que precisa de cinco votos para dar início ao procedimento. “Segunda-feira esta situação deverá se definir, e se a CPI for aberta garanto ao prefeito e à população que o trabalho será realizado com responsabilidade, transparência e critério, tendo como fim apenas elucidar os fatos”, garantiu.

Até o momento, já foram confirmados 4 votos pela abertura da CPI.

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